Governo eleva para R$ 200 mil limite de carro financiado por motoristas de app
Mudança amplia modelos disponíveis no Move Brasil após programa liberar apenas uma parcela dos R$ 30 bilhões
O governo federal aumentou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo dos veículos que podem ser comprados por motoristas de aplicativo e taxistas por meio do Move Brasil. A alteração também amplia a participação de modelos híbridos e foi publicada nesta quarta-feira (19), em edição extra do DOU (Diário Oficial da União).
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O programa oferece crédito com juros inferiores aos praticados normalmente no financiamento de veículos. A expectativa do governo é que, com o novo limite, mais carros possam entrar na relação de modelos financiáveis e mais trabalhadores consigam utilizar a linha.
A mudança ocorre depois de uma adesão abaixo do esperado. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, apenas 11% dos R$ 30 bilhões disponibilizados para a modalidade destinada a taxistas e motoristas de aplicativo haviam sido efetivamente concedidos até agora.
Quando foi lançado, em maio, o Move Brasil previa financiamento de automóveis novos de até R$ 150 mil. O governo estimava que os recursos poderiam viabilizar a compra de 200 mil a 300 mil veículos. A linha foi criada também com o objetivo de renovar a frota utilizada no transporte de passageiros e incentivar veículos com maior eficiência energética.
Com a elevação do teto, o governo estima que a parcela do mercado de veículos que pode se enquadrar no programa passe de 63% para 88%. A alteração abre espaço, por exemplo, para automóveis usados em categorias mais caras dos aplicativos, como Uber Comfort, Uber Black e 99Plus, segundo informações divulgadas pela Folha.
Quem pode pedir o financiamento
A modalidade é voltada a taxistas regularizados e motoristas de aplicativos que atendam aos critérios estabelecidos pelo programa. Para os trabalhadores de plataformas, é necessário ter cadastro ativo há pelo menos um ano e registrar, no mínimo, cem corridas no período.
O pedido não representa aprovação automática. Depois da confirmação de que o trabalhador está apto ao programa, o financiamento ainda passa pela análise de crédito da instituição financeira. A Caixa, por exemplo, informa expressamente que a liberação depende dessa avaliação.
Os automóveis precisam atender aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo governo e ser produzidos por fabricantes habilitados no Programa Mover. A lista oficial já contempla modelos elétricos e flex de diferentes montadoras.
A nova regra também modifica o enquadramento dos veículos híbridos, permitindo a inclusão de modelos que combinam motor elétrico com outros combustíveis, como gasolina ou etanol.
Juros ficam abaixo do mercado
Um dos principais atrativos do Move Brasil são as taxas de juros. Para homens, a cobrança é de 12,6% ao ano. Para mulheres, de 11,5% ao ano. O prazo pode chegar a 72 meses, com até seis meses de carência. A Caixa apresenta as mesmas condições, equivalentes a 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres.
Segundo a Folha, dados acompanhados pelo governo apontam que a taxa média dos financiamentos automotivos convencionais está próxima de 28% ao ano. A diferença, porém, também teria aumentado a cautela das instituições financeiras na análise do risco dos clientes.
Motoristas vêm relatando dificuldade para conseguir aprovação, apesar de atenderem às exigências formais do programa. O governo, por sua vez, tem pressionado bancos, principalmente os públicos, para aumentar a liberação dos recursos.
A medida provisória que criou o Move Brasil Táxi e Aplicativos foi editada em maio. Na justificativa encaminhada ao Congresso, o governo citou como objetivos a redução dos custos para os profissionais, a renovação dos veículos usados intensivamente no transporte de passageiros e a diminuição do consumo de combustíveis e das emissões.


