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23/05/2012 17:33

Livro faz paralelo entre rebanho e desenvolvimento econômico de MS

Fabiano Arruda
Autor do livro, Paulo Esselin, conta que os primeiros bovinos a entrarem no Pantanal vieram do Paraguai. (Foto: Minamar Junior)Autor do livro, Paulo Esselin, conta que os primeiros bovinos a entrarem no Pantanal vieram do Paraguai. (Foto: Minamar Junior)

A invasão do militar Francisco Solano López no território de Mato Grosso do Sul durante a guerra do Paraguai teve como um dos atrativos o rebanho bovino encontrado por aqui na época.

É uma das informações que estão no livro “A Pecuária Bovina no Processo de Ocupação e Desenvolvimento Econômico do Pantanal Sul-Mato-Grossense”, do pós-doutor em História Paulo Marcos Esselin. O lançamento da obra ocorre na sexta-feira, às 19 horas, na Morada dos Baís em Campo Grande.

Traçando uma linha que vai de 1830 e 1910, o autor conta que o início da ocupação do Pantanal ocorre com colonos e jesuítas espanhois, que fundaram a cidade de Santiago de Xerez nas proximidades de Aquidauana.

Foram eles que iniciaram a introdução de cabeças de gado na região. O animal, conhecido como “bagual”, por ser selvagem e avesso ao contato com homens, começa a ser espalhado pelo território pelas mãos dos índios.

Com a expulsão dos indígenas pelos bandeirantes, a história mostra que as etnias são levadas para o Rio Grande do Sul, São Paulo e Assunção no Paraguai.

Desta forma, conta o autor, cria-se um vácuo no Pantanal sul-mato-grossense com pastagens naturais e salgadas, que dão condições propícias para o desenvolvimento da pecuária na região.

Nesta época, o número de cabeças de gado aumenta com a “bagualeação” feita por vaqueiros. Eles saiam em noite de lua cheia, laçavam os animais e os amarravam, cortando seus cascos para que o gado não se locomovesse pelo local. Nesta época o rebanho já era estimado em 500 mil cabeças de gado, conta.

Durante a guerra do Paraguai, o boi encontrado em Mato Grosso do Sul era visto como fonte para alimentação, além de ser utilizado para carregar canhões.

A história aponta que Solano Lopez invadiu, à época, a fazenda do “Barão de Vila Maria”, que teria 80 mil cabeças de gado.

O paraguaio quis levar os bois para o território vizinho, tentativa frustrada porque os cavalos da época foram acometidos com uma doença que afetou a locomoção das patas traseiras. Mesmo assim, era possível encontrar a sigla “LP (La Patria)” marcada em alguns animais, relata o professor.

Após a guerra, o rebanho segue como um dos diferenciais e a industrialização da atividade, por meio da exportação, começa a ganhar força pelas charqueadas.

“Eram abatidas 50 mil cabeças de gado só para abastecer a charqueada a ser exportada”, diz. “Relatos dizem que o Rio Grande do Sul comprava nosso charque e vendia como se fossem deles”, conta ao falar da qualidade do produto do Estado.

A partir de 1910, segundo Esselin, o gado de raça começa a ser introduzido no rebanho de Mato Grosso do Sul, o que vai mudar a atividade e o Estado começa a exportar para regiões como São Paulo e Rio de Janeiro o gado em pé.

Sobre a obra, o autor destaca que conseguiu provar que os primeiros bovinos a entrar em território sul-mato-grossense vieram do Paraguai a serviço da coroa espanhola, ao contrário do consenso histórico que apontava que os animais vinham de Minas Gerais.

O desenvolvimento do rebanho em MS, complementa o historiador, deu-se de modo semelhante também no Rio Grande do Sul e Uruguai.

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Pronto. Era o que eu estava precisando. Parabéns Prof. Esselin!!! Como faço pra conseguir um livro?
 
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