ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
ABRIL, QUARTA  08    CAMPO GRANDE 23º

Economia

MS morde pequena fatia em programa bilionário de investimentos verdes

Estado soma R$ 187 milhões em dois projetos, cerca de 5% dos R$ 4 bilhões destinados ao Centro-Oeste

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 08/04/2026 17:36
MS morde pequena fatia em programa bilionário de investimentos verdes
Empreendimento em fase de execução, na Chácara Cachoeira, em Campo Grande, que integra projetos contemplados pelo Eco Invest (Foto: Reprodução/Plaenge)

Mato Grosso do Sul ainda ocupa uma fatia pequena no bilionário Eco Invest Brasil, programa do governo federal que busca atrair capital privado e estrangeiro de longo prazo para iniciativas ambientais com menor risco.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Mato Grosso do Sul participa do Eco Invest Brasil com R$ 187 milhões em dois projetos: um empreendimento residencial da Plaenge, em Campo Grande, e a recuperação de 4 mil hectares pela Adecoagro. O Estado representa cerca de 5% dos R$ 4 bilhões destinados ao Centro-Oeste, ficando atrás de Mato Grosso e Goiás. O Tesouro Nacional prevê ampliação dos projetos nos próximos dois anos.

Com R$ 187 milhões em dois projetos contemplados por enquanto, cerca de 5% de R$ 4 bilhões destinados ao Centro-Oeste, o Estado tenta ganhar espaço em meio à disputa por recursos voltados à recuperação ambiental e à transição energética.

Um deles é o empreendimento de alto padrão da Plaenge Empreendimentos, em desenvolvimento na Chácara Cachoeira, em Campo Grande. O outro é o financiamento concedido a Adecoagro para recuperação de 4 mil hectares de áreas degradadas, que futuramente devem ser usadas para o plantio de cana-de-açúcar dentro do plano de expansão da companhia no Estado, conforme informou o Ministério da Fazenda, coordenador do programa, ao Campo Grande News.

Apesar da forte presença no agronegócio e do potencial em bioenergia e logística verde, Mato Grosso do Sul ainda tem participação limitada no programa. No recorte do Centro-Oeste, Mato Grosso lidera com aproximadamente R$ 3 bilhões, seguido por Goiás, com cerca de R$ 1 bilhão. O Distrito Federal ainda não possui projetos reportados.

A equipe técnica do Tesouro Nacional prevê a ampliação do número de projetos em Mato Grosso do Sul nos próximos dois anos. Além disso, há expectativa de novos aportes no 4º leilão em andamento, voltado a combustíveis avançados, com prazo para envio de propostas até 30 de abril.

O modelo - Os recursos são captados por meio de leilões estruturados para alavancar contrapartidas privadas, no âmbito do programa coordenado pelo Ministério da Fazenda em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

Nesse modelo, os bancos utilizam "recursos catalíticos" do governo federal para mobilizar capital privado. Ou seja, assumem o compromisso de captar recursos no mercado e direcioná-los a projetos sustentáveis. Vence quem consegue alavancar mais recursos privados a partir de um mesmo volume de capital público.

Áreas degradadas na mira - Embora os dados ainda não estejam consolidados, informações preliminares indicam que Mato Grosso do Sul já foi contemplado com mais de R$ 187 milhões entre o primeiro e o segundo leilões.  As instituições financeiras têm até 24 meses, a partir da homologação do leilão, para apresentar os relatórios de prestação de contas.

A maior parte dos recursos foi contratada no segundo certame, homologado em agosto do ano passado, com foco na recuperação de áreas degradadas. O leilão mobilizou R$ 30 bilhões entre recursos públicos e privados e integra o Programa Caminho Verde Brasil.

Desse total, R$ 16,5 bilhões são de responsabilidade do governo federal, com meta de recuperar mais de 1,4 milhão de hectares, o equivalente a nove vezes o território da cidade de São Paulo.

Segundo a proposta, 57% dos recursos devem ser destinados ao Cerrado, região que concentra a maior área degradada do país e inclui Mato Grosso do Sul, que também reúne áreas de Mata Atlântica (que terá 13% dos recursos) e Pantanal (com cerca de 4% do total alocado).

MS morde pequena fatia em programa bilionário de investimentos verdes
Distribuição geográfica dos investimentos do 2º Leilão do Programa Eco Invest Brasil atende recuperação de biomas (Foto: Tesouro Nacional)


Infraestrutura verde - No caso da Plaenge Empreendimentos, o projeto foi estimado em R$ 88 milhões no primeiro leilão, realizado em novembro de 2024, no eixo de infraestrutura verde, em acordo com o Banco do Brasil. O empreendimento residencial de alto padrão, em Campo Grande, está em fase de execução e deve beneficiar 94 famílias, em uma área total de 4,5 mil m². Entre os diferenciais estão soluções de eficiência energética, uso racional da água e redução de impactos ambientais. A conclusão das obras está prevista para novembro de 2028.

“A iniciativa partiu do Banco do Brasil, que identificou a oportunidade de apoiar um projeto alinhado a critérios de sustentabilidade, eficiência energética e uso consciente de recursos naturais”, explicou Valéria Gabas, diretora de unidade de negócio da Plaenge em Campo Grande.

MS morde pequena fatia em programa bilionário de investimentos verdes
Empreendimento beneficiará 94 famílias e integra projetos contemplados pelo Eco Invest com foco em sustentabilidade. (Foto: Reprodução/Plaenge)

Expansão da cana - Já o projeto da Adecoagro, contemplado no segundo leilão (agosto de 2025), prevê a recuperação de 4 mil hectares de áreas degradadas, que posteriormente serão destinados ao plantio de cana-de-açúcar.

O investimento, de R$ 99 milhões, integra a estratégia de expansão da companhia no Estado, onde já opera usinas e mantém áreas de plantio entre 140 mil e 160 mil hectares. Procurada pela reportagem, a empresa não respondeu.

A execução dos projetos do segundo leilão tende a ser mais lenta devido à exigência de comprovação técnica da degradação das áreas, conforme análise da equipe técnica do Tesouro Nacional que acompanha o programa.

Mudança de cenário - A equipe técnica do Tesouro Nacional avalia, no entanto, que novos projetos devem surgir no Estado ao longo dos próximos dois anos, à medida que os dados forem consolidados.

O 4º leilão, voltado a combustíveis avançados, também deve ampliar a participação do Estado na carteira de projetos. Embora tenha foco na Amazônia, o edital permite que 75% dos projetos sejam distribuídos pelo restante do país.

Nesse cenário, Mato Grosso do Sul pode se beneficiar, especialmente pelo perfil voltado à bioeconomia e combustíveis sustentáveis. Ainda não há estimativa de valores ou número de projetos, mas a expectativa é de participação relevante.