MS morde pequena fatia em programa bilionário de investimentos verdes
Estado soma R$ 187 milhões em dois projetos, cerca de 5% dos R$ 4 bilhões destinados ao Centro-Oeste

Mato Grosso do Sul ainda ocupa uma fatia pequena no bilionário Eco Invest Brasil, programa do governo federal que busca atrair capital privado e estrangeiro de longo prazo para iniciativas ambientais com menor risco.
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Mato Grosso do Sul participa do Eco Invest Brasil com R$ 187 milhões em dois projetos: um empreendimento residencial da Plaenge, em Campo Grande, e a recuperação de 4 mil hectares pela Adecoagro. O Estado representa cerca de 5% dos R$ 4 bilhões destinados ao Centro-Oeste, ficando atrás de Mato Grosso e Goiás. O Tesouro Nacional prevê ampliação dos projetos nos próximos dois anos.
Com R$ 187 milhões em dois projetos contemplados por enquanto, cerca de 5% de R$ 4 bilhões destinados ao Centro-Oeste, o Estado tenta ganhar espaço em meio à disputa por recursos voltados à recuperação ambiental e à transição energética.
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Um deles é o empreendimento de alto padrão da Plaenge Empreendimentos, em desenvolvimento na Chácara Cachoeira, em Campo Grande. O outro é o financiamento concedido a Adecoagro para recuperação de 4 mil hectares de áreas degradadas, que futuramente devem ser usadas para o plantio de cana-de-açúcar dentro do plano de expansão da companhia no Estado, conforme informou o Ministério da Fazenda, coordenador do programa, ao Campo Grande News.
Apesar da forte presença no agronegócio e do potencial em bioenergia e logística verde, Mato Grosso do Sul ainda tem participação limitada no programa. No recorte do Centro-Oeste, Mato Grosso lidera com aproximadamente R$ 3 bilhões, seguido por Goiás, com cerca de R$ 1 bilhão. O Distrito Federal ainda não possui projetos reportados.
A equipe técnica do Tesouro Nacional prevê a ampliação do número de projetos em Mato Grosso do Sul nos próximos dois anos. Além disso, há expectativa de novos aportes no 4º leilão em andamento, voltado a combustíveis avançados, com prazo para envio de propostas até 30 de abril.
O modelo - Os recursos são captados por meio de leilões estruturados para alavancar contrapartidas privadas, no âmbito do programa coordenado pelo Ministério da Fazenda em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.
Nesse modelo, os bancos utilizam "recursos catalíticos" do governo federal para mobilizar capital privado. Ou seja, assumem o compromisso de captar recursos no mercado e direcioná-los a projetos sustentáveis. Vence quem consegue alavancar mais recursos privados a partir de um mesmo volume de capital público.
Áreas degradadas na mira - Embora os dados ainda não estejam consolidados, informações preliminares indicam que Mato Grosso do Sul já foi contemplado com mais de R$ 187 milhões entre o primeiro e o segundo leilões. As instituições financeiras têm até 24 meses, a partir da homologação do leilão, para apresentar os relatórios de prestação de contas.
A maior parte dos recursos foi contratada no segundo certame, homologado em agosto do ano passado, com foco na recuperação de áreas degradadas. O leilão mobilizou R$ 30 bilhões entre recursos públicos e privados e integra o Programa Caminho Verde Brasil.
Desse total, R$ 16,5 bilhões são de responsabilidade do governo federal, com meta de recuperar mais de 1,4 milhão de hectares, o equivalente a nove vezes o território da cidade de São Paulo.
Segundo a proposta, 57% dos recursos devem ser destinados ao Cerrado, região que concentra a maior área degradada do país e inclui Mato Grosso do Sul, que também reúne áreas de Mata Atlântica (que terá 13% dos recursos) e Pantanal (com cerca de 4% do total alocado).

Infraestrutura verde - No caso da Plaenge Empreendimentos, o projeto foi estimado em R$ 88 milhões no primeiro leilão, realizado em novembro de 2024, no eixo de infraestrutura verde, em acordo com o Banco do Brasil. O empreendimento residencial de alto padrão, em Campo Grande, está em fase de execução e deve beneficiar 94 famílias, em uma área total de 4,5 mil m². Entre os diferenciais estão soluções de eficiência energética, uso racional da água e redução de impactos ambientais. A conclusão das obras está prevista para novembro de 2028.
“A iniciativa partiu do Banco do Brasil, que identificou a oportunidade de apoiar um projeto alinhado a critérios de sustentabilidade, eficiência energética e uso consciente de recursos naturais”, explicou Valéria Gabas, diretora de unidade de negócio da Plaenge em Campo Grande.

Expansão da cana - Já o projeto da Adecoagro, contemplado no segundo leilão (agosto de 2025), prevê a recuperação de 4 mil hectares de áreas degradadas, que posteriormente serão destinados ao plantio de cana-de-açúcar.
O investimento, de R$ 99 milhões, integra a estratégia de expansão da companhia no Estado, onde já opera usinas e mantém áreas de plantio entre 140 mil e 160 mil hectares. Procurada pela reportagem, a empresa não respondeu.
A execução dos projetos do segundo leilão tende a ser mais lenta devido à exigência de comprovação técnica da degradação das áreas, conforme análise da equipe técnica do Tesouro Nacional que acompanha o programa.
Mudança de cenário - A equipe técnica do Tesouro Nacional avalia, no entanto, que novos projetos devem surgir no Estado ao longo dos próximos dois anos, à medida que os dados forem consolidados.
O 4º leilão, voltado a combustíveis avançados, também deve ampliar a participação do Estado na carteira de projetos. Embora tenha foco na Amazônia, o edital permite que 75% dos projetos sejam distribuídos pelo restante do país.
Nesse cenário, Mato Grosso do Sul pode se beneficiar, especialmente pelo perfil voltado à bioeconomia e combustíveis sustentáveis. Ainda não há estimativa de valores ou número de projetos, mas a expectativa é de participação relevante.

