OCDE vê exportações como motor da economia em 2026 e cenário favorece MS
Estado é o 10º maior exportador do país, lidera em celulose e tem quase metade das vendas voltadas à China
As exportações devem ser o principal motor da economia brasileira em 2026, segundo o relatório Economic Outlook 2026, da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A avaliação coloca Mato Grosso do Sul em posição privilegiada para aproveitar esse cenário, já que o Estado figura entre os maiores exportadores do país e se destaca na produção de algumas das principais commodities brasileiras.
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No acumulado de janeiro a maio de 2026, Mato Grosso do Sul embarcou para o exterior 12,618 milhões de toneladas em produtos e obteve receita de US$ 4,680 bilhões, o equivalente a 3,15% de todas as exportações brasileiras em valor, que somaram US$ 148,570 bilhões no período. Com esse desempenho, ocupa a 10ª posição no ranking nacional dos maiores exportadores, conforme dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
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Além do volume expressivo, o Estado ocupa posições estratégicas no comércio exterior brasileiro. É líder nacional nas exportações de celulose, vice-líder em soja e ferro-gusa e ocupa a quarta posição nas exportações de carnes desossadas de bovinos, frescas ou refrigeradas, milho e minério de ferro.
Esse perfil produtivo coincide com os principais fatores apontados pela OECD para sustentar o crescimento brasileiro em 2026. Segundo o relatório, as exportações devem impulsionar a economia nacional, com destaque para o fortalecimento das commodities, da mineração, do bom desempenho da agropecuária, da forte demanda chinesa e da implementação do acordo Mercosul-União Europeia.
O Economic Outlook 2026 também destaca que o Brasil possui uma matriz energética predominantemente limpa, característica que representa uma importante vantagem competitiva no cenário internacional. A análise reforça o papel estratégico de Mato Grosso do Sul nesse contexto, já que 91,35% da capacidade instalada de geração elétrica do Estado é proveniente de fontes renováveis.
Segundo o Siga (Sistema de Informações de Geração), da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), dos 6.667.366 kW de capacidade outorgada em Mato Grosso do Sul, 6.090.550 kW são oriundos de fontes limpas, como pequenas centrais hidrelétricas, usinas fotovoltaicas e termelétricas movidas a biomassa.
Outro ponto destacado pela OECD é que a forte demanda chinesa continuará sustentando as exportações brasileiras em 2026. Em Mato Grosso do Sul, 49,1% de toda a receita obtida com as exportações entre janeiro e maio deste ano teve como destino a China, o equivalente a US$ 2,29 bilhões. O país asiático lidera as compras de produtos estratégicos do Estado, como soja em grão, celulose e carnes desossadas congeladas de bovinos.
Apesar do cenário otimista para o Brasil e para Mato Grosso do Sul, o relatório também aponta desafios relevantes. Entre eles estão os possíveis impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais dos combustíveis fósseis e dos fertilizantes. Segundo a OECD, esse contexto pode elevar os custos de produção da agropecuária brasileira, reduzindo parte da competitividade conquistada pelo setor exportador e pressionando as margens dos produtores.


