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Campo Grande, Sábado, 23 de Setembro de 2017

31/08/2017 10:55

Passagem da caravana pelo Paraguai redescobre marco dos pioneiros

De Salta, Argentina, Silvio Andrade
Passagem da caravana pelo Paraguai redescobre marco dos pioneiros
Participantes da caravana em Filadelfia no Paraguai (Foto: Silvio Andrade)Participantes da caravana em Filadelfia no Paraguai (Foto: Silvio Andrade)

A rota bioceânica unindo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por rodovias, que motivou a realização da segunda etapa do Rila (Rota de Integração Latino-Americana) com a participação de 25 caminhonetes, na estrada há uma semana para provar a viabilidade de um corredor altamente atrativo economicamente para os quatro países, é um sonho que nasceu lá atrás, há pelo menos 26 anos.

A poucos quilômetros da fronteira com a Argentina, no Rio Pilcomayo, pela carreteira paraguaia de terra e poeira que sai de Carmelo Peralta, ao lado de Porto Murtinho, no trevo que dá opção à Bolívia, uma estrutura de madeira chama a atenção de quem se aventura por aquele lugar sem nenhuma infraestrutura, a ser asfaltado agora.

Trata-se de um marco fincado pelos pioneiros que idealizaram um sonho então impossível de integrar o Brasil à costa do Pacífico. Em um trevo próximo à comunidade de Pozo Hondo, como naquele fim dos anos de 1990, comemorou-se um projeto no papel com churrasco e mandioca. Os pecuaristas queriam se fortalecer oferecendo uma carne macia, insuperável.

Apoio dos menonitas - O Chaco paraguaio, se hoje tem restrições de transporte pela precariedade de suas estradas, era praticamente intransponível, enquanto cresciam as áreas de produção agropecuária ao estágio atual, onde a carne e o leite produzidos na região são imbatíveis em qualidade in natura.

Um movimento surgiu na fronteira com Mato Grosso do Sul – na época, Mato Grosso no – e argentinos e chilenos deram total apoio à iniciativa.

Um encontro reuniu, em 1999, empresários e políticos do sul da Bolívia, o governador de Sala, uma das principais províncias da Argentina, e do Chile. Do lado paraguaio, o departamento de Loma Plata participou com caravanas de três cooperativas dos menonitas, que hoje dominam o mercado de lácteos.

Pioneirismo - A proposta central era abrir um caminho, desde a fronteira com Porto Murtinho, aos portos chilenos. As estradas eram precárias, não havia infraestrutura.

Como vencer uma distância longa sem uma boa logística, era o assunto que predominou o encontro histórico, com os participantes dispostos a superar os desafios, os quais ainda hoje são entraves para mudar a rota das exportações feitas pelo Estado via portos de Santos e Paranaguá.

Um longo passeio dos produtos para alcançar os mercados europeus e asiáticos. O que havia naqueles tempos eram picadas no meio do Chaco e a intransponível Cordilheira dos Andes, ainda hoje um desafio aos caminhoneiros.

O agropecuarista Flávio Queiróz, 57, grande produtor de bovinos em Carmelo Peralta, que ajudou a fundar em 2007, e ex-político em Porto Murtinho, conta que, como agora, havia um entusiasmo muito grande para consolidar o corredor bioceânico e vários encontros se sucederam.

Paraguai não cumpriu - Alguns empresários, entre os quais Flávio Queiróz, e o argentino Aristides Carafenches, realizaram em terra batida o trecho até os portos do Chile, hoje refeito pela caravana do Sindicado das Empresas de Transporte de Cargas e Logística.

O corredor não foi concretizado porque o Paraguai não cumpriu a sua parte desder aquela época, mas agora assume concretamente que asfaltará 628 km para abrir o caminho da integração, até 2020.

O governo brasileiro também não é muito de cumprir prioridades, como a ponte de concreto sobre o Rio Paraguai, fundamental para a produção da região Centro-Oeste chegar aos portos do Chile. Agora, a construção da ponte depende de aval do Congresso Nacional.

O secretário Marcelo Miglioli, o prefeito de Murtinho e Flávio Queiroz. (Foto: Silvio Andrade)O secretário Marcelo Miglioli, o prefeito de Murtinho e Flávio Queiroz. (Foto: Silvio Andrade)

Madeira de lei - "Não foi ideia de alguns, mas de todos, transportistas, do empresariado, com o apoio governamental, como está acontecendo agora", diz Flávio Queiróz. "O governo de Mato Grosso do Sul assumiu a nossa luta e estamos esperançosos em realizar agora o sonho impossível que idealizamos ."

Para marcar os primeiros encontros do corredor bioceânico, os cinco países (incluindo a Bolívia) registraram o pioneirismo em um marco de madeira, localizado próximo à fronteira do Paraguai com a Argentina.

Cada país levou uma madeira nativa, aroeira, quebracho branco, santa fé, algarrobo e coromilho. Uma bandeira brasileira tremula naquela triângulo, redescoberto agora com a passagem da segunda edição do Rila, cuja etapa está se encerrado amanhã em Assunção, percorrendo mais de 6 mil km.

Assunção, último destino - A caravana organizada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de MS esteve na quarta-feira (30) em Salva, capital da província de Salta e uma das mais importantes cidades do noroeste da Argentina.

Terra da verdadeira saltenha, servida aos empresários e gestores públicos do governo federal e do Estado, Salta exportou em 2016 mais de um bilhão de dólares e tem o brasil como um dos seus principais importadores.

Os integrantes da caravana se reuniram com empresários e representantes do governo da província, os quais demonstraram interesse em aproximar as relações comerciais com Mato Grosso do Sul com a viabilização da rota bioceânica.

Nicolas Ramos, secretário de Comércio, fez uma explanação do potencial econômico e turístico da região, onde 70% da produção é primária. O principal produto é o tabaco, exportado para 116 países.

Nesta quinta-feira, a Rila segue para Assunção, distante 1.100 km de Salta, para cumprir a última agenda, na sexta (1 de setembro), cuja agenda se encerrará à tarde.

Participante da expedição no marco dos pioneiros (Foto: Silvio Andrade)Participante da expedição no marco dos pioneiros (Foto: Silvio Andrade)



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