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Economia

Portas fechadas lado a lado já refletem efeito da pandemia no comércio

Número de empresas extintas durante meses de isolamento social é o maior dos últimos 12 anos

Por Tainá Jara | 29/06/2020 17:28
Estabelecimentos de posta fechadas são cada vez mais comuns na Rua 14 de Julho, no centro (Foto: Kisie Ainoã)
Estabelecimentos de posta fechadas são cada vez mais comuns na Rua 14 de Julho, no centro (Foto: Kisie Ainoã)

Baixo índice de isolamento social verificado em Campo Grande, desde o início da pandemia, não se mostra suficiente para evitar mortes pelo novo coronavírus e tampouco para manter o comércio vivo. Portas fechadas lado a lado, na principal rua da Capital, a 14 de Julho, refletem os meses da crise trazida pelo vírus e desencadeia temor entre os comerciantes da região Central que ainda persistem.

Ainda não há detalhamento preciso sobre como a pandemia impactou especificamente no comércio do centro. Porém, levantamento da Jucems (Junta Comercial do Estado de Mato Grosso do Sul) mostra que entre abril e maio, meses em que as medidas para conter a disseminação do vírus foram intensificadas, o número de empresas extintas no Estado, foi 21% maior que o mesmo período do ano anterior.

Foram 606, sendo 270 em abril e 336 em maio, contra 474 nos mesmos meses em 2019. Na verdade, o número de fechamentos nestes dois meses é o maior dos últimos 12 anos.

Na análise dos comerciantes, o enfraquecimento nas vendas começou, com as obras de revitalização da Rua 14 de Julho, que duraram quase 10 meses, e apenas se intensificou com a chegada da pandemia.

Gerente de uma loja de roupas, Gleicy Campos, de 36 anos, traduz o sentimento. “Já teve obra que prejudicou muito a 14 de julho e o centro. Depois da obra já não abrimos com tanta força e veio a pandemia para quebrar de vez alguns”.

Medidas de segurança tomadas pelos comerciantes não foi capaz de manter as vendas (Foto: Kisie Ainoã)
Medidas de segurança tomadas pelos comerciantes não foi capaz de manter as vendas (Foto: Kisie Ainoã)


A preocupação chaga com mais força, quando se vê o vizinho baixar as portas de vez. “Com tanto loja fechada assim, não vai ter tanta coisa atrativa”, é o que pensa a gerente quando se deparada com as placas de aluga-se, onde antes o comércio era intenso.

Movimento ainda é grande no centro, mas não representam consumo (Foto: Kisie Ainoã)
Movimento ainda é grande no centro, mas não representam consumo (Foto: Kisie Ainoã)

A quantidade de gente circulando nas ruas, necessariamente não se traduz em dinheiro rodando no comércio. O que se observa é que a maioria está de mãos abanando e sai apenas para deixar a Capital ainda mais distante da taxa de 70% de isolamento recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A situação, no entanto também deixa desconfortável o consumidor que programa as saídas de casa de forma mínima. “Muita gente vem para a rua sem necessidade. Eu não entendo”, desabafa a instrumentadora cirúrgica, Lilian Chaves.

Para quem decidida regrar as saídas, o cenário verificado no comércio surpreende ainda mais. “Eu olhei e não vi que essa loja de sapato estava fechada. Eu vim semana passada e não reparei q tinha fechado. A gente vê fechando. Vê que a crise está vindo. Um monte de gente desempregada. É triste e é uma bola de neve”, afirmou.

Vendedor autônomo, Melk Faustino, 48 anos, trabalha na região há 30 anos e concorda que a pandemia só veio para agravar situação já existente. “De cinco anos para cá diminuiu bastante o movimento no centro e com a obra enfraqueceu mais ainda. Agora que estava voltando ao normal, veio a pandemia”, analisou.

A Capital responde por 2.028 dos 7.676 casos confirmados do novo coronavírus no Estado. Das 75 mortes, 8 foram aqui.

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