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Economia

Sem registro de covid-19 no comércio, sindicato diz que problema são “festinhas"

Setor sofre com fechamento de lojas e demissões de funcionários em meio ao avanço da doença

Por Tainá Jara | 31/07/2020 07:55
Comércio na região central foi obrigado a fechar as portas nos finais de semana, no começo do mês (Foto: Henrique Kawaminami)
Comércio na região central foi obrigado a fechar as portas nos finais de semana, no começo do mês (Foto: Henrique Kawaminami)

Em horários variados e sem rotina definida, o funcionamento do comércio durante a pandemia de covid-19 impactou o caixa e também reduziu o quadro de empregados. Mesmo assim, o setor não parou de forma integral, mesmo representando ameça de contaminação.

O sindicato da categoria garante que não teve diagnósticos de covid-19 entre os empregados, defende abertura e diz que o problema está nas “festinhas” da periferia.

Embora reconheça a necessidade de ponderar quanto a saúde dos trabalhadores, o presidente do SEC (Sindicato dos Empregados do Comércio de Campo Grande), Carlos Sérgio dos Santos, acredita que a série de medidas tomada pelos lojistas para atender diante da circulação do novo coronavírus deixa os empregados em situação mais segura do quando precisam circular na própria vizinhança.

“Onde contamina mais? É nos bairros, nas cachaçadas da vida e nas festas que estão fazendo. Com isto que o prefeito deveria se preocupar e não com o comércio em si”, afirma.

Casos de covid-19 entre quem trabalha no comércio não foram levados aos representantes de classe até o momento. “Está tendo um rigor muito grande na segurança. As exigências foram cumpridas. Eu sou totalmente contra esse fechamento do comércio. Tem todas medidas para as pessoas não se contaminarem”, defende.

Considerado serviço essencial, açougues ficaram abertos durante toda pandemia (Foto: Kisie Ainoã)
Considerado serviço essencial, açougues ficaram abertos durante toda pandemia (Foto: Kisie Ainoã)

O comércio considerado não essencial chegou a fechar no final de março, no início da pandemia. Diante da queda drástica na arrecadação de impostos, os estabelecimentos foram autorizados a voltar a funcionar dias depois, em horários preestabelecidos.

Explosão de casos de coronavírus, no entanto, levou a prefeitura a restringir os horários de permitidos para atender o consumidor durante a semana e determinou o fechamento aos sábados e domingos. Nesta quinta-feira (30), o prefeito Marquinhos Trad (PSD) decidiu não prorrogar o decreto, autorizando a reabertura das lojas.

Temendo o fechamento dos postos de trabalho, a principal queixa da categoria quanto as medidas de restrição do comércio a variação de regras conforme o tipo de estabelecimento.

“O mesmo risco que tem o funcionário do comércio tem o funcionário de supermercado, por exemplo”, explica Carlos.

Considerado serviço essencial, os supermercados foram autorizados a funcionar durante os finais de semana, no último decreto, enquanto as lojas e shoppings não.

“Lockdown deveria ser para todos. Mercado, comércio, material de construção….Ou deixa tudo aberto. Este horário válido de segunda a sexta seria interessante para todos”, opina.

Fechamento - Levantamento da CDL CG (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande), junto ao banco de dados do SPC Brasil, divulgados neste mês, aponta que, em apenas três meses, Campo Grande perdeu cerca de 18 mil empresas prestadoras de serviço e comércio.

(Foto: Thiago Mendes)
(Foto: Thiago Mendes)

A queda foi de 46.683 para 28.404, o que significa diminuição de postos de trabalho, renda e impostos. Em abril, a entidade já calculava cerca de 70 mil demissões.

Em março de 2020, a Capital possuía 122.838 CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídica), sendo que 63.423 eram microempreendedores individuais, 22.139 prestadores de serviço, 24.544 comércios e 12.732 atividades não relacionadas com o varejo. Do total de prestadores de serviços e comércio (46.683), 43.923 eram micros, 2.171 pequenos, 243 médios e 346 grandes empresas.

Em junho de 2020, o número de CNPJs baixou para 98.088, sendo que 62.719 são microempreendedores individuais, os prestadores de serviço caíram para 14.658 e o comércio para 13.746. Do total de prestadores de serviço e comércio (28.404), as microempresas diminuíram para 25.965, as pequenas para 1.964 e as 209 médias.

Mesmo as grandes empresas não sobreviveram à pandemia, das 346 existente em março, apenas 266 ainda estão abertas.

De acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), até esta quinta-feira, havia mais de 10,1 mil casos confirmados do novo coronavírus na Capital, sendo 127 mortos. É a cidade com maior número de casos de covid-19 e também em óbitos. No Estado, são 24,2 mil diagnósticos e 357 mortes.

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