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Economia

Toneladas de agrotóxicos apreendidos evidenciam o risco do veneno em MS

Pandemia reduziu fluxo nas estradas e fez apreensões crescerem mais de 500% no Estado

Por Lucia Morel | 23/06/2021 07:12
Veículo com 600 kg de agrotóxicos apreendido pela Receita Federal em março do ano passado. (Foto: Receita Federal)
Veículo com 600 kg de agrotóxicos apreendido pela Receita Federal em março do ano passado. (Foto: Receita Federal)

Não só na saúde, mas a pandemia do novo coronavírus refletiu também nas apreensões de contrabandos e descaminhos realizadas pela Receita Federal em Mato Grosso do Sul, alcançando números recordes em 2020.

A surpresa ficou a cargo dos agrotóxicos, que aumentou em quase seis vezes, apresentando salto de 521,4% no quantitativo apreendido. Em todo ano de 2019 foram 5,6 toneladas retidas, já no ano passado, chegou-se a 34,8 toneladas. Apenas em 2021, o total – 7,3 toneladas – já supera todo o ano retrasado.

Celulares e componentes avaliados em R$ 1,3 milhão. (Foto: Receita Federal)
Celulares e componentes avaliados em R$ 1,3 milhão. (Foto: Receita Federal)

Para o auditor fiscal da Receita em Mundo Novo, do Grupo Regional de Vigilância e Repressão, Rodrigo de Almeida Lara, o aumento na apreensão de agrotóxicos abre os olhos para outro problema além do contrabando, mas para os riscos à saúde e ao meio ambiente. Faz coro a ele a professora e pesquisadora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Alexandra Penedo de Pinho, do Instituto de Biociências.

Os dois tipos mais apreendidos - Benzoato de Amamectina e Tiamectoxan – são permitidos no Brasil, no entanto, seu uso depende de diagnóstico e indicação, realizados por engenheiro agrônomo ou técnico agrícola habilitados e de registro junto aos órgãos de inspeção e fiscalização, que em MS é o Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal).

Quando o produto é contrabandeado, esse controle deixa de existir, aumentando os riscos de contaminação, já que a regulamentação existe justamente para que as dosagens sejam realizadas em conformidade com as pragas que acometem cada cultura.

Se esse controle deixa de ser feito, principalmente quando não se sabe que o produto está sendo usado, “cria-se um grande risco, pois não se sabe quais produtos estão potencialmente o meio ambiente, já que alguns venenos podem ficar mais persistentes no solo, ou vão mais rapidamente pra água, ou podem ser rapidamente absorvidos pelo corpo, entre outros problemas”, explica a professora.

Ela cita ainda que muitas vezes, proprietários de terra compram os defensivos agrícolas do Paraguai para ficar em estoque, o que é proibido no Brasil. Aqui, o uso limite do produto deve ser medido por agrônomo e utilizado em conformidade com o receituário.

“Muitas vezes o comprador não quer gastar com um agrônomo pra conter a infestação da praga e fica mais barato. Aí, eles preferem estocar agrotóxicos e quando precisar, já tem ali em prontidão, o que não é certo pela nossa legislação”, enfatiza.

Recorde - Rodrigo de Almeida Lara explica que a redução no fluxo das rodovias permitiu maior número de abordagens em veículos que efetivamente realizavam ações de contrabando e descaminho, reduzindo atuação sobre o cidadão comum, que acabou ficando em casa.

“Essa é uma situação bem específica, porque a fronteira fechou entre março e abril do ano passado até mais ou menos o final de de outubro. O turismo de compra reduziu drasticamente nas rodovias e as alfândegas focaram o trabalho de inteligência num número reduzido de veículos”, sustentou.

Ele cita uma queda de fluxo, somente na região de Mundo Novo, de 10 mil para 3 a 5 mil veículos, o que facilitou as abordagens, porque “o contrabando e o descaminho não param”, pontua.


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