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Economia

Veículos e alimentos ajudam indústria a embalar terceiro mês de crescimento

Produção industrial acumula expansão de 3,1% em três meses e já supera nível pré-pandemia

Por José Cândido | 07/05/2026 09:15
Veículos e alimentos ajudam indústria a embalar terceiro mês de crescimento
Apesar da recuperação da indústria brasileira, segmento de celulose segue em ritmo mais lento em 2026.

A indústria brasileira voltou a dar sinais de recuperação e fechou março com crescimento pelo terceiro mês consecutivo. A produção industrial avançou 0,1% na comparação com fevereiro e consolidou um primeiro trimestre de retomada gradual, embalado principalmente pelos setores automotivo, alimentício e de combustíveis.

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A indústria brasileira cresceu 0,1% em março ante fevereiro, acumulando expansão de 3,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE. Na comparação anual, o setor avançou 4,3%. Os destaques foram veículos automotores, com alta de 18,7%, alimentos, com 5,7%, e combustíveis, com 4,2%. Apesar da retomada, a indústria ainda opera 13,9% abaixo do pico de maio de 2011.

Os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE, mostram que o setor acumula expansão de 3,1% nos últimos três meses. Apesar do avanço, a indústria ainda opera 13,9% abaixo do pico histórico registrado em maio de 2011. Por outro lado, já superou em 3,3% o nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020.

Na comparação com março do ano passado, o crescimento foi mais expressivo: alta de 4,3%, interrompendo um período recente de instabilidade marcado por retrações no fim de 2025. O resultado também ajudou a elevar o acumulado do ano para 1,3%.

O desempenho positivo foi puxado principalmente pela fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que disparou 18,7% frente a março de 2025. O setor foi impulsionado pela maior produção de automóveis, caminhões, autopeças e veículos de carga.

Outro destaque veio da indústria alimentícia, com crescimento de 5,7%, sustentado pelo aumento da produção de carnes bovina, suína e de aves, além de derivados de milho, óleo de soja, biscoitos e laticínios.

Também tiveram peso importante na recuperação os segmentos de derivados de petróleo e biocombustíveis, que avançaram 4,2%, além das indústrias extrativas, favorecidas pela maior produção de petróleo e gás natural.

Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, os números mostram uma recuperação ainda moderada, mas disseminada em vários setores da economia industrial brasileira.

Entre as categorias econômicas, os bens de consumo duráveis tiveram o maior avanço, com alta de 18,7% frente ao mesmo mês do ano passado. O segmento interrompeu quatro meses seguidos de queda, puxado principalmente pela fabricação de automóveis, motocicletas, eletrodomésticos e móveis.

Apesar do cenário positivo, alguns setores ainda enfrentam dificuldades. A indústria de celulose, papel e produtos de papel recuou 4,5%, pressionada pela menor produção de celulose. Também registraram queda segmentos como bebidas, móveis, vestuário e materiais elétricos.

O resultado de março reforça a percepção de uma retomada gradual da atividade industrial em 2026, sustentada pelo consumo, pela recuperação de setores ligados ao mercado interno e pelo desempenho da cadeia automotiva. Ainda assim, economistas observam que o ritmo segue moderado e distante do auge vivido pela indústria brasileira há pouco mais de uma década.