Petrobras define lotes e empresas para conclusão da UFN-3 em Três Lagoas
Fábrica de fertilizantes terá 7 lotes de obras entre energia, amônia, ureia, armazenagem e pavimentação
A Petrobras definiu as empresas responsáveis pelos principais lotes de conclusão da UFN-3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande, concretizando mais uma etapa da retomada de um dos projetos industriais mais estratégicos da companhia no setor de fertilizantes.
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A Petrobras definiu as empresas vencedoras das licitações para a conclusão da UFN-3, em Três Lagoas (MS), unidade paralisada desde 2014. Com 81% da estrutura concluída, as obras devem ser retomadas em 2027, com investimento de R$ 5 bilhões, e início das operações previsto para 2029. A planta produzirá 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil de amônia, contribuindo para reduzir a dependência brasileira de importações, que hoje representa 80% do consumo nacional.
Após mais de uma década de paralisação, a estatal anunciou as vencedoras das licitações que vão conduzir as obras finais do empreendimento, cuja retomada foi aprovada recentemente pelo Conselho de Administração da empresa, após reavaliação técnica e econômica que confirmou a viabilidade do projeto.
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A UFN-3 teve suas obras iniciadas em 2011, mas foi paralisada em 2014, em meio à crise da indústria da construção pesada e ao processo de reestruturação da própria Petrobras. Desde então, o empreendimento permaneceu interrompido até voltar à carteira de investimentos da estatal.
Atualmente, cerca de 81% da estrutura física da unidade já está concluída. A expectativa da Petrobras é retomar efetivamente as obras em 2027 com investimento estimado em aproximadamente R$ 5 bilhões para a finalização da planta industrial. O início das operações comerciais está previsto para 2029.
A companhia optou por dividir a execução da UFN-3 em diferentes lotes de contratação para ampliar a concorrência entre as empresas participantes, reduzir riscos de concentração contratual e garantir maior eficiência na condução das obras.
Os contratos abrangem desde a infraestrutura básica, como drenagem, pavimentação e edificações administrativas, até etapas industriais de alta complexidade, como a implantação das unidades de produção de amônia, granulação de ureia, automação, fornecimento energético, sistemas de águas e efluentes, além de armazenagem e expedição.
Quando concluída, a UFN-3 terá capacidade nominal para produzir cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas por dia de amônia. Parte da produção será destinada à comercialização e o restante atenderá à própria cadeia produtiva de fertilizantes e ao setor petroquímico.
A unidade tem importância estratégica para o agronegócio nacional, especialmente diante da elevada dependência brasileira da importação de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos, sendo uma parcela relevante proveniente da Rússia, que responde por até 25,9% dos adubos químicos adquiridos pelo país.
Essa dependência expõe o país a oscilações internacionais de preços e crises geopolíticas que afetam o fornecimento de insumos, como ocorreu recentemente com tensões em rotas estratégicas de transporte internacional.
A produção nacional de fertilizantes nitrogenados depende diretamente do gás natural como principal insumo, o que torna a ampliação da capacidade industrial da Petrobras um fator relevante para o fortalecimento da segurança do abastecimento e da cadeia de suprimentos do agronegócio.
Além do impacto industrial, a retomada da UFN-3 também terá reflexos econômicos diretos em Mato Grosso do Sul. A estimativa é de geração de aproximadamente 8 mil empregos durante a fase de construção, com efeitos sobre o comércio, o setor de serviços e fornecedores locais.
A localização de Três Lagoas também é considerada estratégica por estar próxima dos principais polos consumidores do Centro-Oeste e conectada a corredores logísticos que facilitam o escoamento da produção para regiões como Sul e Sudeste.
O segmento de fertilizantes ganhou destaque no planejamento estratégico da Petrobras, que prevê US$ 15,8 bilhões em investimentos em refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes no Plano de Negócios 2026-2030, incluindo a retomada da planta sul-mato-grossense.
Empresas vencedoras dos lotes - As vencedoras dos seis lotes definidos pela Petrobras para a conclusão da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas foram:
EPC 01 – Consórcio ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção + Engeko Engenharia, com proposta de R$ 327,5 milhões.
EPC 02 – Engeko Engenharia e Construção Ltda, com proposta de R$ 375,9 milhões.
EPC 03 – Consórcio Enfil S.A. – Controle Ambiental + Carioca, com proposta de R$ 579,6 milhões.
EPC 04 – Nova Engevix Engenharia e Projetos S.A., com proposta de R$ 546,9 milhões.
EPC 05 – Consórcio Monto Industrial Ltda + Mendes Júnior, com proposta de R$ 1,09 bilhão.
EPC 06 – Coesa Construção e Montagens S.A., com proposta de R$ 548,6 milhões.
EPC 07 – Consórcio Nova Engevix Engenharia e Projetos S.A. + PowerChina International, com proposta de R$ 663,5 milhões.
Os lotes contemplam serviços como drenagem, pavimentação e RACI; prédios administrativos, laboratórios e oficinas; seção LT 138 kV e subestação de entrada; interligações; sistemas de água e efluentes; energia; produção e estocagem de amônia; ureia melt e granulação; além de armazenagem, expedição, sistema de manuseio e pacote completo de automação.



