A riqueza do Urucum precisa ficar também em Corumbá
A prioridade dada ao minério exige fiscalização, proteção das águas e participação das comunidades

O manganês está entre os nove minerais de maior prioridade para o governo federal. Para Mato Grosso do Sul, essa decisão tem endereço. No Maciço do Urucum, em Corumbá, estão importantes reservas de manganês e ferro. O reconhecimento abre espaço para novos investimentos e dá ao Estado a oportunidade de discutir quanto dessa riqueza pode ser transformada aqui e quanto dela ficará para quem vive na região.
RESUMO
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O governo federal incluiu o manganês entre os nove minerais prioritários, e Mato Grosso do Sul, que abriga reservas de manganês e ferro no Maciço do Urucum, em Corumbá, ganha espaço para novos investimentos. O texto defende que o Estado disispute etapas de beneficiamento, qualifique trabalhadores locais e gere empregos duradouros. Cobra transparência da Prefeitura sobre as compensações recebidas e exige estudos ambientais rigorosos, participação da população e responsabilidade das empresas pela recuperação das áreas e pelo fechamento das minas, com proteção ao Pantanal.
Corumbá tem razões para valorizar a mineração e para exigir mais dela. Se o país quer agregar valor aos seus minerais, Mato Grosso do Sul precisa disputar etapas do beneficiamento e da transformação industrial onde houver viabilidade econômica e ambiental. Isso passa por formar trabalhadores da região, abrir mercado para fornecedores locais e criar empregos que durem além da fase de implantação dos projetos. É assim que uma jazida pode ampliar as oportunidades de uma cidade inteira.
A Prefeitura também tem o dever de mostrar quanto recebe em compensação pela exploração mineral e onde aplica esse dinheiro. A população precisa poder acompanhar se a receita está ajudando a melhorar os serviços públicos e a preparar Corumbá para quando a produção diminuir. O minério tem prazo. A cidade precisa fazer planos para depois dele.
O Pantanal impõe limites que devem ser respeitados desde o primeiro estudo. A avaliação ambiental precisa olhar para a mina, para as estruturas de rejeitos e para o caminho que a carga percorre até o embarque. Precisa considerar o efeito somado das operações sobre nascentes, cursos d’água e áreas de inundação. E, onde os estudos mostrarem que o risco é incompatível com a preservação do bioma, cabe ao poder público barrar o projeto ou a expansão.
Quem mora perto das operações e quem depende do rio Paraguai para viver e trabalhar deve ser ouvido antes das decisões. Os moradores precisam ter acesso aos estudos em linguagem clara e, durante a operação, aos resultados do monitoramento da água e ao cumprimento das condicionantes. As empresas devem assumir desde o início o custo da recuperação das áreas exploradas e do fechamento das minas. Aos órgãos ambientais cabe fiscalizar em campo e tornar públicas as providências que tomarem.
O país já decidiu que o manganês é estratégico. Agora, Corumbá tem o direito de perguntar o que ficará quando a última carga sair do Urucum. A resposta começa nas decisões de hoje sobre os empregos que serão criados, o dinheiro que será investido na cidade e a água que as próximas gerações vão encontrar no Pantanal.

