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Editorial

Eleições 2026: não basta condenar a corrupção: é preciso votar contra ela

Por José Cândido | 16/09/2026 05:02
Eleições 2026: não basta condenar a corrupção: é preciso votar contra ela
A revolta que aparece diante de cada novo escândalo precisa chegar às urnas na forma de pesquisa, memória e responsabilidade. (Foto Campo Grande News)

Mensalão, Lava Jato, escândalo do Banco Master, Anões do Orçamento, fraudes no INSS. Os nomes mudam, os personagens se renovam, as cifras aumentam, mas a corrupção permanece como uma ferida aberta no Brasil. Mais preocupante que a sucessão de casos, porém, é a capacidade coletiva de se acostumar com eles.

RESUMO

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A corrupção permanece como uma ferida aberta no Brasil, dos escândalos do Mensalão à Lava Jato e às recentes fraudes no INSS. Com as eleições municipais em outubro, especialistas alertam que o voto consciente é a principal ferramenta para combater o problema. Pesquisar o histórico dos candidatos, verificar patrimônios e rejeitar envolvidos em irregularidades são atitudes fundamentais, já que o dinheiro desviado é o mesmo que falta em hospitais, escolas e serviços públicos.

A indignação costuma durar pouco. Surge com força quando uma operação policial ocupa o noticiário, quando malas de dinheiro são apreendidas ou quando desvios milionários são revelados. Depois, desaparece entre discussões partidárias, justificativas convenientes e a memória curta. Alguns envolvidos voltam às urnas como se nada tivesse acontecido — e muitos acabam novamente eleitos.

No dia 4 de outubro, o eleitor terá a oportunidade de transformar revolta em atitude. O voto é a arma mais poderosa de uma democracia, mas só funciona quando usado com consciência. Não basta reclamar dos políticos durante quatro anos e, diante da urna, escolher por amizade, favor, promessa, pressão ou paixão partidária.

Antes de votar, é preciso pesquisar. Hoje, em poucos minutos, qualquer cidadão pode consultar o histórico de um candidato, verificar seu patrimônio declarado, conhecer suas propostas, acompanhar processos e descobrir se seu nome aparece em investigações ou casos de corrupção. Evidentemente, uma acusação não equivale a uma condenação, e o direito de defesa deve ser respeitado. Ainda assim, informações graves e devidamente documentadas não podem ser ignoradas.

Também é necessário desconfiar daqueles que apresentam promessas grandiosas sem explicar quanto custarão ou de onde virá o dinheiro. A corrupção não começa apenas quando recursos são desviados. Ela também prospera no voto comprado, no favor cobrado, na contratação dirigida, no orçamento escondido e na troca de apoio por vantagens pessoais.

Quem entrega o voto em troca de benefício imediato perde autoridade para reclamar depois. Pode parecer duro, mas a renovação da política não depende exclusivamente da Justiça, da polícia ou dos órgãos de fiscalização. Depende principalmente do eleitor. São as urnas que concedem poder, foro, mandato, influência e acesso ao dinheiro público.

O compromisso de rejeitar candidatos com histórico incompatível com a vida pública é com a própria família, com a cidade, com o Estado e com a Nação. O dinheiro roubado pela corrupção é o mesmo que falta no hospital, na escola, na segurança, na moradia e no atendimento às famílias mais pobres.

No dia 4 de outubro, cada voto carregará uma escolha moral. A corrupção talvez não seja exterminada em uma única eleição, mas pode ser combatida com uma regra simples: pesquisar antes de votar e não devolver poder a quem traiu a confiança pública. A urna não apaga os escândalos do passado. Mas pode impedir que eles se repitam no futuro.