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Editorial

Escândalos no Supremo Tribunal Federal não podem sequestrar a eleição

Campanha se aproxima das urnas sem aprofundar os problemas que afetam diretamente a população

Por José Cândido | 12/09/2026 07:01
Escândalos no Supremo Tribunal Federal não podem sequestrar a eleição
Sessão do STF: sucessivas crises envolvendo a Corte ganharam espaço na campanha e deixaram propostas eleitorais em segundo plano. (Foto arquivo)

A 18 dias do primeiro turno, a campanha eleitoral corre o risco de terminar sem discutir aquilo que realmente importa ao eleitor. Os sucessivos escândalos e questionamentos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal tomaram conta do debate nacional, enquanto propostas para saúde, educação, segurança, emprego e desenvolvimento ficaram em segundo plano.

RESUMO

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A 18 dias do primeiro turno, a campanha eleitoral corre o risco de terminar sem debater temas essenciais como saúde, educação e segurança, ofuscados pela crise no STF. Candidatos líderes nas pesquisas evitam debates para proteger vantagens, prejudicando a democracia. O eleitor precisa conhecer propostas concretas antes de votar, e quem pede voto deve estar disposto a responder perguntas difíceis e prestar contas à população.

A crise no STF é grave e precisa ser investigada com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal. Nenhuma autoridade pode estar acima da fiscalização. Mas o noticiário sobre a Corte não pode servir de cortina de fumaça para uma campanha pobre em ideias e compromissos.

Também contribui para esse esvaziamento a postura dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas. Amparados pela vantagem eleitoral, alguns avaliam que participar de debates representa mais risco do que benefício. Preferem proteger a posição conquistada, controlar aparições e evitar perguntas incômodas.

Essa estratégia pode ser conveniente para o candidato, mas é ruim para a democracia. Quem pretende governar ou representar a população não deveria fugir do confronto de ideias. Debate não é favor concedido à imprensa nem espetáculo organizado por emissoras. É uma oportunidade para o eleitor conhecer propostas, comparar trajetórias e descobrir quem está preparado para enfrentar os problemas reais.

A ausência dos favoritos ainda desequilibra a disputa. Os candidatos com menor intenção de voto perdem a oportunidade de confrontar projetos, enquanto aqueles que lideram escapam de explicar promessas, alianças, contradições e de onde pretendem tirar dinheiro para cumprir o que anunciam.

Em Mato Grosso do Sul, não faltam assuntos. A população precisa saber o que os candidatos pretendem fazer diante das filas na saúde, da insegurança na fronteira, da falta de infraestrutura, da desigualdade social e das dificuldades enfrentadas pelos municípios. Também precisa conhecer posições sobre incentivos fiscais, geração de empregos, preservação ambiental e qualidade dos serviços públicos.

O eleitor não pode chegar às urnas conhecendo apenas pesquisas, slogans e vídeos produzidos para as redes sociais. Campanha eleitoral exige exposição, perguntas difíceis e respostas objetivas. Quem pede voto precisa estar disposto a prestar contas antes mesmo de receber o mandato.

Os problemas envolvendo o STF merecem atenção, mas o futuro do País e de Mato Grosso do Sul também está sendo decidido agora. Permitir que a crise da Corte ocupe todo o espaço público interessa justamente a quem prefere atravessar a campanha sem explicar o que pretende fazer.

Faltam 18 dias. Ainda há tempo para colocar a eleição de volta no centro do debate. Para isso, a imprensa precisa insistir nas perguntas, os candidatos precisam abandonar a zona de conforto e o eleitor deve cobrar presença, clareza e compromisso. Quem foge do debate durante a campanha dificilmente será mais transparente depois de eleito.