Curso gratuito para imigrantes atinge maior número de formados na UEMS
Em 2025, a universidade entregou 575 certificados, sendo 329 somente no primeiro semestre
Aberto desde 2017 com curso gratuito de língua portuguesa, além de integração e apoio humanitário, o programa Acolhe da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) bateu o recorde no número de imigrantes formados num só ano. O melhor resultado é o de 2025, quando foram entregues 575 certificados, sendo 329 somente no primeiro semestre.
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Venezuela, Peru, Cuba, Colômbia e até Egito estão entre os países de onde vêm os imigrantes que fizeram o curso no ano passado. As aulas são ministradas em 14 polos espalhados pelo Estado.
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Uma das alunas que se formaram nas últimas turmas é a colombiana Claudia Cecília Arango Zuleta. Ela aprendeu a língua no polo de Corumbá. A necessidade surgiu quando conquistou uma bolsa de estudos na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e veio para o Brasil. "Se eu não tivesse a oportunidade oferecida pela UEMS, talvez não levasse o estudo adiante. Cheguei sem falar uma palavra em português. Foi um choque muito grande. Na universidade os professores me ajudavam, mas eu precisava entender. O curso foi fundamental", conta.
Outra imigrante ajudada pelo Acolhe foi a venezuelana Julisxa Salazar, que chegou ao país com a família em 2023, e precisou começar a trabalhar rapidamente, mesmo sem saber o idioma. Ela fez as aulas no polo de Campo Grande.
“Comecei como caixa de supermercado sem saber falar Português, mas por meio do curso fui adquirindo um pouco de fluência. Atualmente, ofereço suporte e serviço aos clientes na área de autoatendimento. Consegui progredir no meu trabalho e interagir com clientes sem medo ou nervosismo. Foi um grande diferencial na minha vida”, afirma.
Mais de 5 mil - Segundo a universidade, a iniciativa já atendeu mais de 5 mil migrantes internacionais e é referência nacional. Em 2024, foi incluído ao programa de auxílio ao acesso à regularização migratória junto à Polícia Federal para solicitar ou renovar o RNM (Registro Nacional Migratório) e ao acesso ao CPF (Cadastro de Pessoa Física) da Receita Federal. A integração à busca por documentação é importante, já que as questões da língua e da identificação oficial são os maiores desafios na chegada ao Brasil.
O curso foi reconhecido ainda com menção de boas práticas pelo TCU, no relatório nacional sobre o acompanhamento de ações e programas relacionados a pessoas refugiadas no Brasil.
Contexto - O coordenador do programa, professor doutor João Fabio Sanches, destaca que ele tem ganhado força diante do crescimento da imigração.
“Essas formaturas simbolizam a força da educação como instrumento de dignidade, autonomia e reconstrução de vidas. Em um contexto nacional de crescimento nos fluxos migratórios, Mato Grosso do Sul se destaca por manter políticas públicas de acolhimento que unem universidade, comunidade local e instituições parceiras. Ficamos muito felizes com a quantidade de alunos que concluíram os módulos e lembramos que em 2026 seguiremos com novas turmas para migrantes internacionais recém-chegados ou que queiram aprimorar seus conhecimentos da língua”, conclui o professor.
Além de oferecer o curso de português, a UEMS também abre vagas para migrantes internacionais e refugiados entrarem em cursos de graduação. O edital de 2026 ainda não foi publicado. As oportunidades são divulgadas em uems.br/editais.
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