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Educação e Tecnologia

Desempregada e diarista, nada faz Nádia e Claudicéia desistirem do Enem

Candidatas seguem na 2ª fase, mesmo entendendo os mais de 50% que desistiram do Exame na 1ª fase

Por Ângela Kempfer e Marcos Rivany | 24/01/2021 10:35
Nádia e Claudicéia, duas resistentes do Enem da pandemia. (Foto: Marcos Maluf)
Nádia e Claudicéia, duas resistentes do Enem da pandemia. (Foto: Marcos Maluf)

O desemprego ganha poder cada vez mais destrutivo na vida de Nádia Santos. Aos 30 anos, sem carteira assinada, ou qualquer perspectiva de segurança financeira, arrumar emprego é desafio maior a cada ano que passa. Por isso, às 9h30 deste sábado ela já estava em frente ao portão da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), preparada para o 2º dia de provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A entrada só foi liberada às 10h15, mas Nádia colocou o despertador para tocar cedo, arrumou o lanche para o dia todo e pegou o ônibus, sem dar chance ao azar. "Não posso correr o risco de perder o Enem. Quero fazer faculdade de Serviço Social", conta.

Na primeira fase, 51,1% dos inscritos faltaram, algo que Nádia diz entender.  "A primeira prova foi mais fácil, hoje deve ser pior. O que me fez não desistir, na semana passada, foi a redação, porque gosto dessa área", explica sobre o tema "O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira'.

Aos 38 anos, Claudicéia de Souza Gonçalves quer deixar o ofício de diarista no passado. Por isso estudou para entrar na faculdade de Psicologia Neste sábado, acordou às 6h e às 7h já estava no ponto de ônibus do Jardim Presidente, para chegar bem antes da abertura dos portões.  "Nunca pensei em desistir, vou até o fim", garante.

Antes das 10h, muitos candidados já esperavam na frente da UCDB. (Foto: Marcos Maluf)
Antes das 10h, muitos candidados já esperavam na frente da UCDB. (Foto: Marcos Maluf)

Abstenção recorde - Assim como ela, outras 20 pessoas apareceram antes das 10h na UCDB, com lanche na mão e máscara no rosto, que este ano ganhou importância igual a da caneta.

No domingo passado, Carlos Eduardo chegou correndo, com os protões quase fechando. Aprendeu a lição e hoje fez diferente. Em 2019, ainda no Ensino Médio, a prova era só um teste, agora é pra valer rumo à vaga de Psicologia. Apesar da determinação, diz que entende a abstenção recorde da primeira fase. "Em nível Brasil, muitas questões deixaram a desejar. A minha sala aqui está tranquila, mas vendo as notícias dos locais (de superlotação), dava para entender a desistência".

Gustavo de Oliveira, de 19 anos, sabe que a preparação à distância para a maioria, durante a suspensão das aulas presenciais, fez do ano um desafio muito maior para a "geração Enem 2020". Lutando por uma vaga de Arquitetura, o medo cresceu na 2ª fase.  "Foi muito difícil, por isso entendo quem desistiu. Na semana passada, o tema da redação foi fácil, mas hoje..." comenta sobre o que vem pela frente.

Hoje, os alunos terão na prova 90 questões de Matemática e Ciências da Natureza.

Carlos e Gustavo também chegaram cedo para o 2º dia de provas. (Foto: Marcos Maluf)
Carlos e Gustavo também chegaram cedo para o 2º dia de provas. (Foto: Marcos Maluf)


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