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Educação e Tecnologia

Mesmo acima da média, MS ainda tem 36% das salas de aula sem climatização

Estudo citado pela Folha aponta que ondas de calor elevam evasão no ensino médio público

Por Kamila Alcântara | 01/02/2026 10:12
Mesmo acima da média, MS ainda tem 36% das salas de aula sem climatização
Ar-condicionado instalado em escola da Rede Estadual de Ensino, em 2022 (Foto: Divulgação SED)

Mesmo aparecendo acima da média nacional, Mato Grosso do Sul ainda tem mais de um terço das salas de aula das escolas estaduais sem climatização. Levantamento citado em reportagem da Folha de S.Paulo mostra que 63,41% dos espaços contam com algum tipo de controle térmico, o que deixa cerca de 36% ainda expostos ao calor.

RESUMO

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Mato Grosso do Sul apresenta 63,41% das salas de aula da rede estadual com climatização, índice superior à média nacional, porém ainda mantém 36% dos espaços sem controle térmico. A situação preocupa após estudo da FGV e Universidade Minerva revelar que temperaturas acima de 34°C aumentam em 5% as chances de evasão escolar no ensino médio público. A pesquisa, publicada na Nature Climate Change, indica que o calor compromete funções cerebrais essenciais ao aprendizado, como concentração e autorregulação. O impacto é mais significativo em escolas públicas e áreas urbanas, afetando principalmente estudantes de famílias vulneráveis, que dependem exclusivamente da estrutura escolar pública.

O dado ganha peso após a divulgação de um estudo que relaciona ondas de calor ao aumento da evasão escolar no ensino médio público. Segundo a pesquisa, mais dias com temperaturas acima de 34°C elevam em 5% a chance de abandono dos estudos entre alunos da rede pública.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da FGV (Fundação Getulio Vargas) e da Universidade Minerva, com dados publicados na revista científica Nature Climate Change.

A pesquisa aponta que o impacto do calor sobre a evasão não é sentido nas escolas particulares, onde a estrutura costuma ser melhor. O efeito negativo se concentra nas escolas públicas, sobretudo em áreas urbanas, aprofundando desigualdades já existentes.

De acordo com os autores, o calor compromete funções cerebrais essenciais ao aprendizado, como concentração, autocontrole e autorregulação. Além disso, noites quentes prejudicam o sono, o que dificulta a consolidação do que foi aprendido durante o dia.

“É uma combinação extremamente danosa para o aprendizado”, afirmou à Folha um dos autores do estudo, ao destacar que muitos estudantes não encontram alívio térmico nem na escola nem em casa.

No cenário nacional, Mato Grosso do Sul aparece melhor posicionado do que vários estados, mas ainda distante da universalização do conforto térmico. Em um contexto de ondas de calor mais frequentes e intensas, especialistas alertam que esse percentual se torna um fator de risco para o desempenho e a permanência dos alunos no ensino médio.

O problema tende a atingir principalmente estudantes de famílias mais vulneráveis, que já enfrentam dificuldades socioeconômicas e dependem exclusivamente da estrutura oferecida pela escola pública.

Mesmo acima da média, MS ainda tem 36% das salas de aula sem climatização
Gráfico da Folha de S. Paulo mostra a porcentagem de salas de aula climatizadas no país (Imagem: Folha de S. Paulo)

Desafio para gestores - O estudo reforça a importância de políticas públicas voltadas à adaptação das escolas às mudanças climáticas, incluindo investimento em infraestrutura e estratégias para reduzir a exposição ao calor nos horários mais críticos do dia.

Segundo os pesquisadores, ampliar a climatização das salas é uma das medidas mais diretas para mitigar o impacto do calor no aprendizado e evitar que ele se torne mais um fator de exclusão educacional.

O Campo Grande News questionou a SED (Secretaria Estadual de Ensino) sobre a questão da climatização das salas e número atualizado de equipamentos instalados, mas ainda não houve retorno. O espaço está aberto para esclarecimentos.

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