Enem poderá deixar de ter prova única e ganhar questões abertas a partir de 2028
Novo modelo prevê redação e perguntas dissertativas diferentes conforme área escolhida pelo estudante
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) poderá passar por uma das maiores mudanças desde sua criação: a partir de 2028, estudantes poderão fazer partes diferentes da prova conforme a área de aprofundamento escolhida durante o ensino médio.
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A proposta em estudo pelo Ministério da Educação prevê que o exame deixe de ter o mesmo conjunto de questões para todos os participantes e passe a incluir uma etapa específica, com perguntas abertas e uma redação relacionada ao percurso formativo escolhido pelo aluno.
A previsão é que a nova etapa tenha quatro questões dissertativas e uma redação. As áreas consideradas são Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e ensino técnico e profissional.
Com a inclusão das perguntas abertas, o número de questões de múltipla escolha deve ser reduzido. O tempo total de prova, porém, não deve ser ampliado.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, confirmou nesta semana que o governo trabalha em mudanças no exame, mas afirmou que alterações no Enem precisam ser feitas com cautela.
“Fazer perguntas abertas para fomentar leitura e escrita é muito importante. A própria redação tende a ser alterada, mas toda vez que mexe com Enem tem de ter cuidado”, disse durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, promovido pela Jeduca.
A edição deste ano seguirá o formato tradicional, sem alterações para os candidatos.
Novo formato tenta aproximar prova do ensino médio
A mudança está relacionada à reformulação do ensino médio, que passou a permitir que estudantes escolham áreas de aprofundamento durante a formação.
A ideia do governo é que a parte específica do Enem avalie competências desenvolvidas pelo estudante ao longo desse caminho, mas sem transformar a escolha feita no ensino médio em uma definição obrigatória da carreira universitária.
Um aluno que optou por uma área ligada às Ciências da Natureza, por exemplo, poderá responder questões com materiais e situações relacionadas a esse campo. Já quem escolheu outra formação terá uma abordagem diferente.
A proposta ainda está em elaboração e deve ser finalizada até o fim deste ano.
Desafio é manter comparação entre notas
Uma das principais preocupações dos técnicos do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) é garantir que provas diferentes continuem permitindo uma comparação justa entre candidatos.
Hoje, o Enem utiliza a TRI (Teoria de Resposta ao Item), metodologia que calcula o desempenho dos participantes considerando o padrão de acertos e o nível de dificuldade das questões.
Com perguntas abertas, o desafio será criar critérios que permitam avaliar respostas diferentes mantendo a segurança do processo de seleção para universidades.
A nova proposta também prevê que o estudante escreva cerca de 50 linhas somando a redação e as respostas das questões dissertativas.
Mudança atende adaptação prevista para 2028
As alterações seguem uma determinação do CNE (Conselho Nacional de Educação), que estabeleceu a necessidade de adequação do Enem às novas diretrizes do ensino médio até 2028.
A discussão sobre um exame com diferentes versões já vinha sendo analisada pelo Inep desde os primeiros anos do governo Lula, mas acabou adiada durante o processo de revisão da reforma do ensino médio aprovada em 2017.
*Com informações do Jornal Estadão


