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Educação e Tecnologia

O que o "Deadpool" e a Inteligência Artificial ensinam sobre o seu negócio, hoje

Por Kenneth Corrêa*, de Nova York | 13/01/2026 18:00
O que o "Deadpool" e a Inteligência Artificial ensinam sobre o seu negócio, hoje
Kenneth Corrêa dentro do Javits Center em Nova York, durante a realização cobrindo a NRF 2026 (Foto: Arquivo Pessoal)

Escrevo esta coluna direto de Nova York, onde o termômetro marca temperaturas negativas do lado de fora, mas aqui dentro do Javits Center o clima está fervendo. Estou cobrindo a NRF 2026, o maior evento de varejo do mundo. Só para você ter uma ideia do tamanho da encrenca: são 41 mil pessoas, de mais de 100 países, reunidas para definir o que vai acontecer nas lojas, nos supermercados e na tela do seu celular nos próximos anos.

Vim esperando ver apenas robôs e tecnologia futurista, mas volto para o Brasil com uma lição bem diferente, que serve tanto para uma multinacional quanto para o comerciante da Rua 14 de Julho: o futuro é sobre eficiência e, principalmente, humanidade.

A lição de Ryan Reynolds: Dinheiro não é tudo

O dia começou com o ator Ryan Reynolds. Sim, o Deadpool. Mas ele estava aqui como empresário de sucesso, dono de marcas que valem milhões. E ele soltou uma frase que fez muita gente rir de nervoso: "Dinheiro demais e tempo demais matam a criatividade".

Eu sei o que você está pensando: "Poxa, para um astro de Hollywood milionário é fácil falar que dinheiro atrapalha!". Mas ele tem um ponto. A lição dele é que, quando não temos verba para fazer a campanha perfeita, somos obrigados a ser criativos e rápidos.

Ele chama isso de "Fast Advertising". Em vez de gastar fortunas com um comercial que demora meses para ficar pronto, ele prefere reagir rápido ao que está acontecendo na internet ou na cidade. A dica dele para o empresário local é: "Palavras custam menos que explosões". Uma boa ideia, uma legenda criativa ou uma ação rápida no Instagram valem mais que uma superprodução cara. Use a falta de orçamento como combustível, não como desculpa.

A lição de Gary Vee: Redes de Interesse

Outro que subiu ao palco foi Gary Vaynerchuk (ou Gary Vee), uma das maiores autoridades de marketing digital do mundo. Ele é conhecido por falar rasgado e sem filtro, e dessa vez ele decretou o fim das "Redes Sociais".

Segundo ele, já estamos há alguns anos na era das "Redes de Interesse". Vamos ser sinceros: ninguém mais usa essas plataformas pelo "social". Aliás, a melhor coisa que aconteceu foi o algoritmo parar de mostrar os posts de quem a gente segue. Graças a Deus, assim não precisamos mais ficar vendo aquele álbum de 50 fotos da formatura do filho do colega de trabalho, né?

Hoje, essas são Plataformas Digitais de Descoberta. O consumidor entra para ver coisas que interessam a ele, não importa muito quem postou.

E onde está o dinheiro agora? Gary foi enfático: Live Shopping. É aquela venda ao vivo, estilo canal de televisão antigo, só que no celular. Isso explodiu na China há 3 anos, virou febre nos EUA em 2025 e agora é a vez do Brasil. Se você tem uma loja e não está fazendo lives no TikTok ou Instagram mostrando o produto na mão, você está deixando dinheiro na mesa.

Eficiência e o orgulho brasileiro

Falando em dinheiro, 52% das 192 palestras aqui foram sobre Inteligência Artificial. Mas calma, não é para substituir gente. A ideia é usar a IA para o trabalho chato. Gigantes do varejo como Walmart e Target estão usando tecnologia para contar estoque e prever vendas, liberando o funcionário para fazer o que a máquina não sabe: atender bem e sorrir.

E aqui tivemos um momento de orgulho. O Brasil foi representado nos palcos pela Magalu. Foi muito legal ver o CEO Fred Trajano dando aula para os gringos mais uma vez. Ele mostrou que a "Lu" (a inteligência artificial deles) agora negocia e vende direto no WhatsApp. O resultado? A conversão de vendas no WhatsApp é 3 vezes maior do que no aplicativo ou site. Ou seja, o brasileiro gosta de conversar (e comprar), mesmo que seja com uma IA inteligente.

Para o pequeno empresário, a dica é: use ferramentas gratuitas, como o ChatGPT, para escrever e-mails, criar textos para anúncios ou organizar suas ideias. Deixe a máquina trabalhar na burocracia para sobrar o tempo da sua equipe para “colar” no cliente.

A loja física não morreu, ela virou um "Parque de Diversões"

Por fim, muita gente diz que a loja física vai acabar. A NRF provou o contrário. Mas a loja "depósito", cheia de prateleiras amontoadas, essa sim está em perigo.

O que vi aqui em redes como a JD Sports (gigante inglesa entrando agora no mercado americano) é que a loja virou um destino de passeio. Pense na sua loja não como um armazém, mas como se fosse o Parque das Nações Indígenas ou o Parque Ita. É um lugar onde a gente vai para passear, ver gente, ter uma experiência diferente. Se o cliente pode comprar do sofá de casa com um clique, por que ele pegaria o carro para ir até você? A resposta tem que ser: pelo passeio, pela consultoria, pelo "evento".

O Futuro é Agora

Resumindo minha semana aqui: 2026 é o ano da eficiência com coração. É exatamente o que vi e defendi quando lancei meu livro "Organizações Cognitivas" no MIT, em 2024: o futuro não é "homem versus máquina", é Agentes Humanos e Agentes de IA trabalhando juntos.

Volto para Campo Grande com a mala cheia de novidades e com a certeza de que, com criatividade e tecnologia, o ano promete muito para quem tiver coragem de inovar.

Um abraço e bons negócios!

* Kenneth Corrêa é campo-grandense, e o Estrategista das Tecnologias Emergentes & IA. É autor de "Organizações Cognitivas" (publicado no MIT), Professor C-Level na FGV e duas vezes palestrante TEDx. Como Diretor de Estratégia e CTO, ele une a vanguarda conceitual à aplicação executiva prática, ajudando líderes a construir o futuro dos negócios.

O que o "Deadpool" e a Inteligência Artificial ensinam sobre o seu negócio, hoje
Kenneth Corrêa especialista em inteligência artificial e dados (Foto: Arquivo Pessoal)