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Educação e Tecnologia

Painel inédito reúne dados e expõe realidade dos povos indígenas em MS

Plataforma detalha distribuição territorial, perfil etário e condições de vida em 79 municípios

Por Kamila Alcântara | 15/04/2026 13:17
Painel inédito reúne dados e expõe realidade dos povos indígenas em MS
Coordenador da pesquisa, Samuel Oliveira faz apresentação do painel (Foto: Osmar Veiga)

A Secretaria Estadual de Cidadania lançou nesta terça-feira (15), em Campo Grande, um painel público que reúne dados detalhados sobre os povos originários em Mato Grosso do Sul. A ferramenta, disponível on-line, organiza informações sobre população, território, educação, moradia e condições de vida dos indígenas nos 79 municípios.

RESUMO

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A Secretaria Estadual de Cidadania de Mato Grosso do Sul lançou um painel público com dados sobre os povos indígenas do estado, que abriga a terceira maior população originária do país, com 116.469 pessoas distribuídas em 79 municípios. A ferramenta reúne informações sobre moradia, educação e infraestrutura, revelando que 66% dos domicílios indígenas não têm esgotamento sanitário e que a alfabetização cai abaixo de 50% entre idosos.

Os números ajudam a dimensionar um cenário pouco visível no debate público. Nosso Estado tem a terceira maior população indígena do país, com 116.469 pessoas. Desse total, 59% vivem em terras indígenas, enquanto o restante está fora dessas áreas, principalmente em centros urbanos como Campo Grande e Dourados.

O perfil é majoritariamente jovem: a maior parte tem entre 15 e 29 anos, e pouco mais da metade é composta por mulheres.

Na prática, o painel consolida dados que já existiam, mas estavam espalhados em diferentes bases do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o coordenador do Observatório da Cidadania, Samuel Oliveira, a proposta é justamente organizar essas informações e torná-las acessíveis.

“O observatório não produz dados próprios. Trabalhamos com informações oficiais já disponíveis, principalmente do IBGE, para facilitar o acesso tanto da população quanto dos gestores”, afirmou.

Ele também chama atenção para um ponto que costuma gerar confusão: o número de etnias. Embora o levantamento aponte 139 grupos identificados no estado, apenas oito são historicamente territorializados na região. A diferença ocorre porque o Censo considera a autodeclaração e a mobilidade populacional.

Painel inédito reúne dados e expõe realidade dos povos indígenas em MS
José Francisco Sarmento, secretário estadual de Cidadania (Foto: Osmar Veiga)

Desigualdade aparece - Os dados do painel escancaram diferenças importantes dentro do próprio estado.

Na área de moradia, são 41,8 mil domicílios indígenas. Mais da metade está fora de terras indígenas. Em Campo Grande, por exemplo, todos os mais de 10 mil domicílios registrados estão em áreas urbanas.

As condições de infraestrutura ainda são um gargalo. Cerca de 66% das moradias não têm acesso a esgotamento sanitário, e quase um quarto não possui banheiro adequado.

No abastecimento de água, a diferença também é clara: dentro das terras indígenas, apenas 32,6% das casas têm acesso à rede ou fontes encanadas. Fora delas, o índice mais que dobra.

Em educação, o cenário é mais heterogêneo. A taxa de alfabetização entre jovens chega a quase 98%, mas cai drasticamente entre idosos, ficando abaixo de 50%.

O secretário estadual de Cidadania, José Francisco Sarmento, foi direto ao ponto ao justificar a criação da ferramenta: sem dados, o governo toma decisão no escuro. “Hoje, o que mais tem valor em qualquer gestão são os dados. Sem isso, você acaba colocando recursos onde não necessariamente há maior necessidade”, afirmou.

Segundo ele, a falta de informação ainda é básica em muitos municípios, que não sabem, por exemplo, quantos jovens, idosos ou indígenas têm em seus territórios.

Apesar do volume de informações, o próprio Observatório admite limitações. Os dados são secundários e dependem de bases como o IBGE, o que significa atraso e pouca precisão em algumas áreas, especialmente em saúde.

Segundo a coordenação, a próxima etapa é integrar dados do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena), que trabalha com recorte por território e comunidade, e não por município.

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