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Educação e Tecnologia

Redações nota mil despencam e MS soma só 3 máximas desde 2015 no Enem

Professores atribuem queda ao rigor maior na correção e ao fim de modelos prontos usados por candidatos

Por Inara Silva | 23/03/2026 17:38
Redações nota mil despencam e MS soma só 3 máximas desde 2015 no Enem
Provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Foto: Angelo Miguel/MEC)

A quantidade de redações com nota mil no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) despencou em Mato Grosso do Sul ao longo dos últimos anos. Levantamento com dados desde a criação da prova, em 1998, mostra que, ano a ano, o Estado tem registrado queda na pontuação. Foram apenas três notas máximas nos últimos 11 anos: uma em 2015, outra em 2016 e uma em 2019. Nos demais, nenhum candidato sul-mato-grossense atingiu o topo da avaliação.

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Mato Grosso do Sul registrou apenas três redações nota mil no Enem nos últimos 11 anos, contrastando com desempenhos anteriores. Entre 1998 e 2012, o Estado teve anos com até 83 textos com pontuação máxima, mas a queda começou em 2013 e se intensificou, seguindo tendência nacional. Especialistas atribuem a redução ao maior rigor na correção, exigindo repertórios melhor articulados, argumentação sólida e propostas de intervenção detalhadas. Modelos prontos e intervenções genéricas são penalizados, refletindo uma avaliação mais subjetiva e menos mecânica, que privilegia a autoria e o raciocínio crítico.

Entre 1998 e 2012, havia uma presença mais constante de notas mil. Em 2011, por exemplo, foram 83 textos com pontuação máxima em Mato Grosso do Sul. Antes disso, outros anos também registraram números expressivos, como 71 em 2010, 64 em 2001 e 63 em 2009. A partir de 2013, porém, a queda se acentuou e se manteve até hoje.

O levantamento com base em dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) foi feito pela Adobe Acrobat, em um estudo que avalia o desempenho educacional em todo o Brasil.

Dados Nacionais - A tendência acompanha o que ocorreu no restante do país. Criado em 1998 para avaliar o desempenho ao fim da educação básica, o Enem passou por mudanças estruturais ao longo dos anos. Como em Mato Grosso do Sul, o auge nacional das notas mil ocorreu em 2011, quando o Ministério da Educação registrou 3.691 redações com pontuação máxima. Dez anos depois, em 2021, apenas 20 candidatos atingiram esse resultado.

Redações nota mil despencam e MS soma só 3 máximas desde 2015 no Enem

Rigor na Correção - Segundo especialistas, a redução está ligada ao aumento do rigor na correção e à exigência maior por textos autorais. Para o coordenador de Cursinho Popular De Olho no Futuro, Ketson Eduardo Serra, embora os critérios não tenham mudado oficialmente, a prática da avaliação ficou mais exigente.

Ele afirma que repertórios genéricos, antes aceitos, passaram a ser penalizados quando não estão bem conectados ao argumento. “Não basta citar, é preciso usar o repertório de forma inteligente”, explica. Também houve mudança na análise da coesão textual, que deixou de seguir apenas um checklist de conectivos e passou a considerar a fluidez geral do texto.

Outro ponto citado por Ketson é a proposta de intervenção, que se tornou mais detalhada. Soluções vagas ou genéricas passaram a perder mais pontos. Além disso, um erro pode afetar várias competências ao mesmo tempo, o que ajuda a explicar quedas significativas na nota final. “O exame ficou menos mecânico e mais subjetivo, exigindo raciocínio real”, resume.

Redações nota mil despencam e MS soma só 3 máximas desde 2015 no Enem
Prova do ENEM 2025 (Foto: Divulgação)

Competências - A professora de redação do Colégio Refferencial, Lorhaine Amaral, reforça que as cinco competências avaliadas continuam as mesmas, mas o olhar dos corretores está mais rigoroso. Ela destaca que repertórios “de bolso”, decorados e desconectados do tema, vêm sendo mais penalizados.

De acordo com a docente, os avaliadores também passaram a exigir argumentação mais sólida e menos baseada em senso comum. A proposta de intervenção, correspondente à competência cinco, precisa trazer ações específicas e detalhadas. “Intervenções genéricas e vagas representam um texto máscara e podem reduzir a nota”, afirma.

Para Lorhaine, a queda das notas máximas está ligada ao hábito de muitos candidatos de seguir modelos prontos. “A produção autoral é o caminho para uma redação de qualidade. Cada candidato precisa demonstrar leitura, conhecimento de mundo e estilo próprio”, explica.

Os dois especialistas apontam que a ruptura observada a partir de 2013 coincide com ajustes na matriz de correção, que tornaram a avaliação mais rigorosa. Desde então, apenas estudantes altamente preparados conseguem alcançar a pontuação máxima.

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