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Educação e Tecnologia

UFMS é uma das 11 federais do País com aulas a distância durante pandemia

Mais de 80% das universidades optaram por suspender as aulas e repor posteriormente para não haver prejuízo nas práticas

Por Tainá Jara | 08/04/2020 16:37
UFMS funciona com aulas remotas desde março (Foto: Divulgação)
UFMS funciona com aulas remotas desde março (Foto: Divulgação)

A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) é uma das 11 federais do País e a única do Estado a manter o calendário escolar com aulas a distância, durante o período de pandemia do novo coronavírus. Outras 58 instituições optaram por suspender as atividades por tempo indeterminado.

Oferta das aulas remotas, por pelo menos 30 dias, foi definida em março deste ano e envolveu oito universidades do Estado. Com quase 20 dias de adoção da medida, o modelo divide opiniões.

Alguns alunos e professores temem pelo prejuízo nas disciplinas, pois, as aulas remotas impedem a realização de aulas práticas. Por outro lado, o formato permite a manutenção do calendário acadêmico previsto para 2020.

Acadêmico do 7º semestre de Biologia, Alisson Vitor Benites Delmonde, 20 anos, afirma que a dinâmica diferente dos anos anteriores exige adaptação. Instrumento de facilitação, as vídeo-aulas, por exemplo, não foram oferecidas por todos os professores. “Muitos estão dando trabalho e acaba não abrangendo todo a complexidade da disciplina. Porque estamos tendo só a parte teórica e não a prática”.

Na área de biológicas, os cursos costumam envolver a realização de experimentos. Há temor quanto aos prejuízos, embora as instituições garantam que esta etapa poderá ser ofertada no retorno das aulas. “A parte prática não conseguimos fazer de maneira nenhuma e é essencial para o aprendizado”, destacou.

Aluno do 9º semestre do curso de Direito e representante interino do DCE (Diretório Central dos Estudantes), Henrique Alencar, afirma que em alguns cursos há dificuldade para aproveitar melhor os conteúdos. “Existem dificuldades principalmente em relação a curva de aprendizagem para o uso das novas tecnologias. Muitos professores e alunos têm dificuldade no manuseio do ambiente virtual”, afirmou.

Alunos de cursos como Educação Física, Fisioterapia, Veterinária, Medicina e Zootecnia têm relatado problemas em relação a ensino a distância.

Conforme levantamento da Adufms (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), além da UFMS, estão com aulas remotas as seguintes instituições UFC (Universidade Federal do Ceará), Unilab (Universidade Federal da Lusofonia Afro-Brasileira), UFFS Universidade Federal da Fronteira Sul), UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), Unifal-MS (Universidade Federal de Alfenas), Unifei (Universidade Federal de Itajubá), Ufob (Universidade Federal do Oeste da Bahia), UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia), Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e UFPA (Universidade Federal do Pará). Confira o levantamento completo aqui.

Bolsas – Aos alunos, a administração da UFMS alega que teria se suspender bolsas durante o período, casos optasse por suspender as aulas. “Para mim, que sou de Rio Verde, realmente seria um transtorno ter de suspender aluguel nesse período para voltar para casa”, explica Alisson. Ele recebe mensalmente R$ 400 de auxílio estudantil.

Algumas universidades, no entanto, mantiveram os benefícios mesmo com as aulas suspensas. A UNB (Universidade de Brasília) manteve e ampliou as bolsas emergenciais nesse período. A UFRR (Universidade Federal de Roraima) manteve todos os auxílios, além de dobrar a ajuda com alimentação. Houve instituições que pagaram passagens para os alunos de outros estados voltarem para casa durante a pandemia.

Em nota, a UFMS afirmou que está tomando medidas para minimizar as dificuldades para os estudantes vulneráveis, como a liberação de uso dos laboratórios de informática e o auxílio emergencial de alimentação. “Além disso, cada unidade e cada curso deve avaliar como permanecer em atividade, definindo quais disciplinas podem ser realizadas por meio dos recursos tecnológicos”.