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Educação e Tecnologia

UFMS polemiza e convida coach para palestra sobre saúde mental

Centro acadêmico do curso de Psicologia publicou nota de repúdio contra convite ao palestrante

Por Nyelder Rodrigues | 07/09/2021 12:55
Essa não é a primeira polêmica recente em que a UFMS entra por causa de convidados tidos como de conteúdo "duvidoso". (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Essa não é a primeira polêmica recente em que a UFMS entra por causa de convidados tidos como de conteúdo "duvidoso". (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Imagine uma universidade convidando um coach, sem formação na área, para falar sobre saúde mental e prevenção de suicídios justamente no mês em que a situação é o mote principal de campanha, o Setembro Amarelo. Pois adivinhe: isso realmente aconteceu, e foi na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Não demorou e logo estudantes, em especial, de Psicologia, reagiram. O CA (Centro Acadêmico) do curso emitiu uma nota de repúdio contra o convite para palestra na UFMS ao coach Karim Khoury e também contra a veiculação do evento nas redes sociais da universidade, como foi realizado na quarta-feira (1º) passada.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) e a Liga Acadêmica em Psicologia da Saúde acompanharam o Centro Acadêmico na nota, assim como fez a ADUFMS (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

"Foi com espanto e indignação que recebemos a notícia de que a realização da palestra [...] seria realizada por um coach e, por este motivo, optamos por não divulgar o evento, tendo em vista que esta decisão é completamente abjeta, uma vez que se trata de uma universidade pública", frisa a nota de repúdio.

Os estudantes ainda completam que a escolha de um coach "a despeito dos diversos profissionais capacitados dentro do quadro funcional da universidade", seja na graduação, pós-graduação no programa de residência médica em psiquiatria, é visto como "desrespeito flagrante a toda a classe profissional".

"Karim fala para não acreditar nas histórias da sua cabeça, dizer isto para alguém em sofrimento chega a ser violento, uma vez que o sujeito não escolhe sentir isso, o que só aumenta seu sentimento de culpa", critica o CA na nota.

No complemento, os estudantes de Psicologia afirmam que "dizer a uma pessoa com ideação suicida para ter pensamentos positivos maiores do que os negativos e para ser grato por sua vida é um ato mesquinho e abjeto", frisando que "a literatura descreve com maestria o que acontece nesses casos".

"Além de tudo isso, a repetição de mantras não corresponde nem por um instante a promoção à saúde baseada em evidências, o que seria o mínimo esperável durante uma apresentação em uma universidade de respeito", finaliza.

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