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Educação e Tecnologia

Veteranos contestam mudanças e temem abandono de cursos EaD na UFMS

Alteração relacionada à carga presencial foi informada por live, ainda sem comunicado oficial

Por Cassia Modena | 05/03/2026 11:27
Veteranos contestam mudanças e temem abandono de cursos EaD na UFMS
A acadêmica de Pedagogia da UFMS, Nanthyelle de Moraes Torres, acessando a plataforma de EAD (Foto: Arquivo pessoal)

A aplicação das novas políticas da EaD (Educação a Distância) do MEC (Ministério da Educação), um conjunto de normas publicado no ano passado alterando regras para esse formato de curso, está preocupando estudantes veteranos das licenciaturas on-line oferecidas pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em História, Letras e Pedagogia.

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Estudantes veteranos dos cursos de licenciatura EaD da UFMS contestam mudanças nas políticas de ensino a distância que podem dificultar a conclusão dos estudos. As novas regras, que incluem aulas ao vivo aos sábados e avaliações presenciais, preocupam especialmente alunos que trabalham, pais de crianças com deficiência e residentes em outros estados e países. A universidade decidiu implementar as alterações em 2026, embora o prazo do MEC seja maio de 2027. Os estudantes alegam que a decisão contraria acordo prévio e a Portaria nº 381, que garante aos veteranos o direito de concluir o curso no formato original. Cerca de 200 acadêmicos apoiam um movimento contrário às mudanças.

Principalmente os que trabalham, são pais e mães de crianças com deficiência e os que moram em outros estados e países temem não conseguir terminar o curso já iniciado se as novas regras forem impostas, obrigando-os a assistir aulas ao vivo aos sábados e ir até a universidade para fazer avaliações.

Advogada, estudante do 4º semestre de História e membro da Comissão de Estudantes de Licenciaturas EAD da universidade, Andreia Roldi é de Andradina (SP). Ela afirma que a UFMS não fez qualquer comunicado oficial justificando a decisão e ressalta que os acadêmicos mais antigos estão amparados por uma das normas (Portaria do MEC nº 381, de 20 de maio de 2025, no Art. 8º, §§ 3º e 4º), tendo o direito de concluir os estudos da mesma forma que começaram. No caso das licenciaturas, estágios em sala de aula eram contabilizados como atividade presencial e avaliações e aulas entravam na carga on-line, atendendo aos percentuais de horas exigidos pelas regras antigas.

A acadêmica não assistiu uma live transmitida na última segunda-feira (2) com orientações sobre as mudanças aos veteranos, mas afirma que o que foi dito no dia, segundo os colegas que participaram, fere direito dos já matriculados e desfaz um combinado feito em outro encontro por vídeo realizado no ano passado, logo que o marco regulatório foi publicado. Pipocavam dúvidas, na época.

Veteranos contestam mudanças e temem abandono de cursos EaD na UFMS
Veteranos contestam mudanças e temem abandono de cursos EaD na UFMS
Os veteranos não conseguiram salvar a live, mas fizeram prints dos slides exibidos (Imagens da montagem: Reprodução/Google Meet)

"Em 2025, eles disseram que poderíamos ficar tranquilos, pois não seríamos afetados. Deixaram isso bem claro e objetivo. Só que não houve respeito. Queremos que o nosso contrato como alunos da faculdade seja cumprido", diz Andreia. Ela afirma que os estudantes cogitam levar a situação ao Ministério Público, caso ela não seja resolvida extrajudicialmente.

Reações - Representante de um movimento contrário às mudanças, apoiado por aproximadamente 200 acadêmicos, o autônomo Willian Caetano de Souza, 45 anos, mora em São Paulo (SP) e estuda História a distância na universidade sul-mato-grossense. Ele explica que coordenadores da modalidade EAD da UFMS comunicaram, na mesma live citada por Andreia, que adaptações terão de ser feitas.

"Nem todo mundo recebeu o convite com o link para assistir a live no Google Meet, ela não ficou salva e bloquearam o chat para fazer perguntas durante a transmissão. Tem colegas que choraram depois, entraram em desespero porque as novas regras vão impedir a pessoa de continuar estudando. As passagens e hospedagens são caras. Ela vai ter que desistir", relata.

Veteranos contestam mudanças e temem abandono de cursos EaD na UFMS
Convite para a live feito aos veteranos (Imagem: Reprodução/WhatsApp)

Willian afirma que tem colegas do Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Minas Gerais e da Argentina, por exemplo.

Mãe atípica - A acadêmica de Pedagogia EaD, Nanthyelle de Moraes Torres, 30 anos, é mãe de um menino autista de 6 anos e mora em Campo Grande. Ela cursou parte do curso presencialmente, mas teve que optar pelo formato a distância quando a rotina com o filho ficou mais difícil.

"Eu mudei justamente porque não tinha condições de ir para a universidade. Estou no meu último ano, estou cumprindo meu último estágio e serei muito prejudicada se não mantiverem o curso como era", afirma.

Ela assistiu à live e confirma que as orientações dadas vão na contramão da portaria do MEC e do que foi combinado no ano passado entre coordenadores e alunos.

Veteranos contestam mudanças e temem abandono de cursos EaD na UFMS
A estudante de Pedagogia abraça o filho autista (Foto: Arquivo pessoal)

Maio de 2027 - As novas normas terão efeitos obrigatórios a partir de 19 de maio de 2027, segundo o MEC, para que as instituições tenham tempo de se adequar. Ainda assim, a UFMS decidiu colocá-las em prática em 2026, extinguindo formalmente as licenciaturas 100% EaD (como é o caso das que estão em andamento) e mantendo-as com as adaptações relatadas pelos acadêmicos. Elas serão aplicadas aos cursos tecnólogos iniciados neste primeiro semestre de 2026, de acordo com outra live transmitida ontem (4) e disponível no YouTube, aqui.

O Campo Grande News questionou a assessoria de imprensa da universidade sobre a decisão e o impacto aos veteranos. Não houve resposta até a publicação desta matéria.

Veja como ficam os cursos no país, segundo a nova política:

  • Presencial: caracterizado pela oferta majoritária de carga horária presencial física, com até 30% no formato EaD.

  • Semipresencial: composto por, pelo menos, 30% da carga horária em atividades presenciais físicas (estágio, extensão, práticas laboratoriais) e, pelo menos, 20% em atividades presenciais ou síncronas (ao vivo) mediadas.

  • EaD: caracterizado pela oferta preponderante de carga horária a distância, com limite mínimo de 20% de atividades presenciais e/ou síncronas mediadas, com provas presenciais.

Outras mudanças dizem respeito ao currículo de professores, polos e materiais didáticos. A íntegra pode ser lida neste decreto e nesta portaria de regulamentação.