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A favor do “kit covid”, 73% apoiam distribuição do coquetel pela rede pública

Coquetel de medicamentos tem sido criticado pelo baixo embasamento científico sobre a eficácia no tratamento da doença

Por Aletheya Alves | 04/08/2020 06:55
Ivermectina é um dos medicamentos que compõem o "kit covid" do município (Foto: Paulo Francis/Arquivo)
Ivermectina é um dos medicamentos que compõem o "kit covid" do município (Foto: Paulo Francis/Arquivo)

Entre quem apoia qualquer ideia para se “prevenir” do coronavírus e aqueles que condenam o uso não comprovado cientificamente de medicamentos,  a opção por tentar o combate a doença com o que estiver à mão está se saindo vencedora. Na enquete realizada nesta segunda-feira (3),  73% dos participantes são a favor da distribuição do “kit covid” pela rede pública de saúde na Capital.

Na consulta, apenas 27% dos votantes discordam da entrega do coquetel, que já motivou compra emergencial do município, ainda não concretizada.

Polêmico, o assunto vem gerando discussões tanto nas redes sociais quanto nas ruas. Em Campo Grande, a prefeitura decidiu apoiar a ideia e anunciou a compra emergencial dos itens, que ainda estão para ser entregues. O valor da compra é de R$ 1,4 milhão e ainda não houve a entrega.

A condição para ter acesso é a receita médica, segundo a prefeitura.

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Apoiando a ideia da união entre hidroxicloroquina, azitromicina, zinco, ivermectina, vitamina D e potássio, Valquiria da Silva Ortega, de 35 anos, acredita que qualquer opção com uma possibilidade mínima de ajuda é importante. “Se tiver alguma chance de dar certo, acho necessário a prefeitura distribuir sim. Não custa tentar”, diz.

Na mesma linha de pensamento está Lília Aparecida Soares, de 53 anos. Questionada sobre a distribuição do kit, ela relata que não sabe com profundidade do que se trata, mas pensa ser importante o uso do coquetel.

Questionada sobre a distribuição dos medicamentos, Lília Aparecida Soares disse achar necessário o uso para "teste". (Foto: Kísie Ainoã)
Questionada sobre a distribuição dos medicamentos, Lília Aparecida Soares disse achar necessário o uso para "teste". (Foto: Kísie Ainoã)

Eu não sei porque nunca usei, como ter certeza? Mas acho que a gente precisa tentar, pode ser uma boa ajuda para controlar a doença. As pessoas estão achando que isso tudo é brincadeira, mas está difícil.

Já nas redes sociais, o médico veterinário, William Britez Feliciano, de 27 anos, se aproxima da opinião de infectologistas que criticaram a compra dos medicamentos pelo município.

Não concordo porque não tem comprovação científica. O uso de antibióticos pode levar a sua ineficácia a longo prazo, deixando a gente suscetível a outras enfermidades.

Críticas - Mesmo com aprovação do CRM-MS (Conselho Regional de Medicina, infectologistas condenam o uso do “kit covid” como forma de enfrentamento ao novo coronavírus. Essa crítica é justificada pelo baixo embasamento científico existente sobre a eficácia dos medicamentos no tratamento da doença.

No fim de julho, postos de saúde da Capital já estavam sem estoque de um dos medicamentos que fazem parte do coquetel, a azitromicina. O antibiótico possui aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para tratamento de infecções como bronquite, pneumonia, sinusite, faringite e algumas doenças sexualmente transmissíveis.

Receita com os itens do "kit prevenção", como a prefeitura está chamando o conjunto de medicamentos. (Foto: Henrique Kawaminami)
Receita com os itens do "kit prevenção", como a prefeitura está chamando o conjunto de medicamentos. (Foto: Henrique Kawaminami)


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