Brasil discute situação de carne bovina em trânsito após nova cota da China
País asiático respondeu por aproximadamente metade de todas as exportações brasileiras do ano passado
O governo brasileiro ainda não tem definição sobre se a carne bovina que já está em trânsito para a China será contabilizada dentro das novas cotas de importação anunciadas por Pequim na semana passada. A informação foi confirmada por uma autoridade brasileira nesta terça-feira (6), em meio à preocupação crescente do setor exportador.
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O governo brasileiro enfrenta incertezas sobre a contabilização da carne bovina em trânsito para a China nas novas cotas de importação anunciadas por Pequim. A dúvida surge após o país asiático impor uma tarifa adicional de 55% sobre importações que excedam os limites estabelecidos para seus principais fornecedores. A China fixou a cota brasileira em 1,106 milhão de toneladas para 2026, com aumentos graduais nos anos seguintes. Em 2025, o país asiático foi destino de 53% das exportações brasileiras de carne bovina, gerando receita de US$ 8,8 bilhões. O setor teme que cargas já em trânsito sejam descontadas da cota futura.
Segundo Herlon Brandão, chefe do departamento de estatísticas do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o volume de carne bovina brasileira atualmente em trânsito representa uma parcela considerada pequena quando comparada às cerca de 1,5 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil para a China em 2025. No ano passado, o país asiático respondeu por aproximadamente metade de todas as exportações brasileiras de carne bovina, que somaram mais de 3 milhões de toneladas, o maior volume já registrado.
A incerteza ganhou peso após a China impor uma tarifa adicional de 55% sobre as importações que ultrapassarem as cotas estabelecidas para seus principais fornecedores, entre eles Brasil, Austrália e Estados Unidos. A medida faz parte de uma estratégia do governo chinês para proteger o mercado interno de carne bovina.
Entidades do setor avaliam que o risco está na interpretação das regras. Em nota divulgada nesta terça, o Sindifrigo-MT (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso) afirmou que autoridades chinesas indicaram que o cálculo da cota será feito com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, sem considerar contratos já firmados, cargas em trânsito ou produtos já embarcados. Se esse entendimento for mantido, o Brasil teria de descontar cerca de 350 mil toneladas de sua cota para 2026, volume estimado de cargas que estão em portos chineses aguardando liberação, em navios a caminho do país ou ainda estocadas em portos brasileiros.
O MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) não se manifestou até o momento sobre as preocupações levantadas pelo setor. Dados oficiais indicam que, em 2025, cerca de 53% das exportações brasileiras de carne bovina tiveram como destino a China, gerando uma receita de US$ 8,8 bilhões.
De acordo com o anúncio de Pequim, a cota de importação de carne bovina brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas para 2026, com aumentos graduais previstos para os anos seguintes: 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão em 2028 (com informações da Agência Reuters).


