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19/03/2010 21:16

Com alegria e saudosismo, Comercial lança livro de Trad

Redação

Um misto de alegria, saudosismo dos tempos em que o futebol de Mato Grosso do Sul enchia estádios e alívio pela democracia conquistada no Brasil marcou a festa feita pelo Esporte Clube Comercial, nesta sexta-feira, para comemorar os 67 anos, completados dia 15 de março. A ocasião marcou o lançamento do livro "Bitoque, a vida é assim", coletânea de crônicas escritas nas décadas de 60 e 70 pelo deputado federal Nelson Trad (PMDB).

O livro, segundo contou o deputado, reúne textos que serviram a ele como uma espécie de catarse em um período de liberdade restringida pelos governos militares, ou "anos de chumbo", expressão transformada em definição do período da ditadura militarista no Brasil e que consta da abertura do livro.

Segundo Trad, escrever as crônicas, que eram publicadas no jornal A Equipe, foi a forma encontrada por ele de, "transversalmente", falar do momento de amordaçamento vivido por quem não rezava na cartilha dos militares do País. O deputado, que à época teve o mandato de vice-prefeito cassado e os direitos políticos suspensos, contou ter escrito na prisão, em 15 dias, oito crônicas sobre o futebol.

Disfarce-Tudo era escrito com o codinome Heleno Goyano, uma homenagem dupla, ao atacante Heleno, do Botafogo do Rio de Janeiro, e a um parceiro de futebol de Trad no Colégio Dom Bosco, onde começou a praticar o esporte, chegando a jogar profissionalmente. Apesar disso, o deputado contou que por duas vezes suas crônicas o levaram a ser preso, graças ao conteúdo. Ele lembra que em uma delas, para não escrever dedo-duro, escreveu delator, em referência a pessoas que patrulhavam as ações supostamente contrárias ao regime militar.

Sobre porque, quase décadas depois, decidiu reunir os escritos, Trad usou a máxima popular sobre as grandes realizações da vida. "Eu já tinha plantado uma árvore, já tinha filhos, porque não escrever um livro". Ele atribuiu, porém, a ideia ao Instituto Histórico Sul-Mato-Grossense, responsável pela publicação.

Trad também fez uma comparação entre o futebol do Estado naquela época e o de hoje. "A gente tinha orgulho de ter um time para torcer, e não perdia de 10 a 0", disse, lembrando a derrota recente do Naviraiense para o Santos.O deputado também comentou os dias de hoje do esporte no

O lançamento do livro, na Esplanada Ferroviária, na casa onde funciona um dos gabinetes do prefeito Nelson Trad Filho, reuniu autoridades, empresários, ex-atletas e personalidades ligadas ao esporte.

Conhecido pelo seu gosto por futebol, o prefeito disse estar orgulhoso do Pai e lembrou da infância, quando ele e os irmãos, todos comercialinos, acompanhavam os jogos no estádio. "A cor do comercial, o vermelho, se confunde com o nosso sangue", comparou.

Ao falar do conteúdo político contido nas crônicas, citou que foram feitas em uma época "que não se tinha liberdade, que tinha de mudar o nome para aparecer, e que a gente nunca mais quer voltar a viver".

Renascimento - Durante a festa, o presidente do Comercial, Carlos Alberto Assis, falou com otimismo do comercial que completa 67 anos. Segundo ele, quando assumiu o cargo, em 2007, projetou para este ano a possibilidade de ganhar título.

"Hoje o time está invicto e tem condições de disputar o campeonato". Após ficar até sem disputar o torneio principal do futebol estadual, o Comercial é o segundo colocado na Chave B, atrás do Cene, com quem disputa, neste sábado, uma partida decisiva. Apenas um ponto separa os dois. "Se ganharmos, vamos para o primeiro lugar", torce Assis.

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