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Campo Grande, Terça-feira, 19 de Junho de 2018

18/12/2016 14:16

Em Campo Grande, bairro Santo Amaro vira reduto das “peladas”

Paulo Nonato de Souza
O time do Vó Maria fez a festa do título ao vencer o Segunda Pele por 3 a 2 na final (Foto: Julio Sérgio)O time do Vó Maria fez a festa do título ao vencer o Segunda Pele por 3 a 2 na final (Foto: Julio Sérgio)

“A pelada é uma espécie de futebol que se joga, apesar do chão. As linhas são imaginárias e o próprio gol é coisa abstrata”, diz Chico Buarque de Hollanda na crônica “O Moleque e a Bola”. E foi bem esse conceito poético da alma do peladeiro que marcou a decisão do título da 18ª edição do Campeonato Amador de Futebol Terrinha, no bairro Santo Amaro, neste sábado, em Campo Grande.

Sem padrão Fifa nem ligação com a FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul), porém, bem organizado, o Campeonato do Terrinha, como é conhecido, a cada ano se torna mais competitivo e atraente, sem deixar de lado o caráter informal das peladas. Não se usa chinelo como balizas nem pés descalços, os times são uniformizados e até patrocinados, o que contraria algumas regras dos conceitos menos poéticos de pelada, mas nada como o charme de jogar em um campo de terra batida.

A grande final entre Segunda Pele/MM Direções x Vó Maria/Recanto dos Amigos só começou quando já passava das 17 horas, e desde o início da tarde as pessoas já começavam a se aglomerar ao redor do campo de chão batido localizado na esquina das ruas Yokohama e Américo Brasiliense, na Vila Almeida. E não eram moradores apenas dos bairros da região da Júlio de Castilhos.

“Eu moro no bairro Nova Lima, lá do outro lado da cidade, saída para Cuiabá, tenho que pegar dois ônibus para vir e dois para voltar, mas quando tem campeonato todos os finais de semana eu marco presença. É muito bom”, disse José Carlos Moreira, de 42 anos.

Os torcedores ao redor do campo, separados apenas por uma linha no chão (Foto: O. Arnoud)Os torcedores ao redor do campo, separados apenas por uma linha no chão (Foto: O. Arnoud)

O Vó Maria venceu por 3 a 2 e ficou com o título, mas nem mesmo a glória da conquista merecida do campeão supera o brilho da postura organizada e respeitosa dos torcedores, mesmo sem ter à frente nenhum tipo de obstáculo em relação ao campo de jogo. Tudo acontece em ambiente de descontração e interação entre torcedores e jogadores, sem confusões.

“Quando sai um gol a torcida invade o campo, abraça os jogadores, joga para o alto o jogador que fez o gol, é latinha de cerveja pra todo lado, e nada de briga. É clima de festa mesmo”, constatou o paulista Orlando Arnoud, que acaba de assumir a gestão de marketing do Operário Futebol Clube, de Campo Grande, e foi ver a final deste sábado levado por um amigo.

Torcedores aglomerados atrás de uma das balizas no campo do Terrinha (Foto: O.Arnoud)Torcedores aglomerados atrás de uma das balizas no campo do Terrinha (Foto: O.Arnoud)

Antes da final, teve a decisão do terceiro lugar, uma espécie de aperitivo para o duelo principal, e terminou com vitória do Juventude diante do Construmarc por 2 a 1.

A 18ª edição do campeonato terminou e os organizadores Mário Ângelo Ajala e Júlio Sérgio Marques começam a planejar a próxima temporada da competição que já marcou o bairro Santo Amaro e o campo de chão batido da Vila Almeida como redutos de peladas em Campo Grande. "Em março vamos convocar as equipes. O objetivo é programar a primeira rodada para o final de março", disse Júlio Sérgio.

ORIGEM DA PALAVRA PELADA - Segundo o professor e escritor gaúcho Ari Riboldi, pós graduado em literatura brasileira, existem três versões etimológicas para o termo pelada. Seria uma referência aos pés que disputam a bola no futebol de rua ou do verbo pelar, ainda da época em que se jogava futebol com bolas de borracha que arrancavam a pele dos pés, ou a origem poderia vir simplesmente dos campos de terra onde se praticava futebol quando esse esporte chegou ao Brasil.




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