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Em MS, último campeão brasileiro pelo Inter sonha com título neste domingo

Lateral-esquerdo Cláudio Mineiro era titular no "esquadrão" que ganhou o último campeonato nacional pelo clube gaúcho, em 1979

Por Guilherme Correia | 21/02/2021 10:00
Cláudio Mineiro (à esq.) enquanto era jogador pelo Internacional e (à dir.) treinador pelo Corumbaense (Foto: Reprodução)
Cláudio Mineiro (à esq.) enquanto era jogador pelo Internacional e (à dir.) treinador pelo Corumbaense (Foto: Reprodução)

Torcendo para que o clube que aprendeu a amar se torne campeão neste domingo (21), o lateral-esquerdo que conquistou o, até então, último campeonato brasileiro pelo Sport Club Internacional hoje mora com a família no Mato Grosso do Sul e conta sua história ao Campo Grande News sobre como foi jogar no único time campeão brasileiro invicto.

Apenas uma vitória separa o Inter, que divide o posto de maior clube gaúcho junto ao arquirrival Grêmio, de conquistar o quarto título brasileiro, taça que não ganha há 42 anos. Naquela época, o "esquadrão imbatível" vencia o Vasco da Gama na final, e sagrava-se o único campeão que não perdeu um jogo sequer em toda a história dos torneios nacionais.

Benítez no gol, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro na defesa, Batista, Falcão e Jair no meio-campo, e Valdomiro (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio no ataque compunham o time dirigido por Ênio Andrade que saiu vencedor naquele ano.

Internacional campeão brasileiro de 1979; Cláudio Mineiro é o último à direita e está de pé (Foto: Reprodução)
Internacional campeão brasileiro de 1979; Cláudio Mineiro é o último à direita e está de pé (Foto: Reprodução)

Morando há aproximadamente 20 anos em Corumbá, município distante 419 quilômetros de Campo Grande, o ex-atleta Cláudio Antônio do Nascimento, hoje com 68 anos, relata ao Campo Grande News que ter participado daquela campanha vitoriosa foi "maravilhoso".

Nascido em Belo Horizonte (MG) e, portanto, conhecido pela alcunha "Cláudio Mineiro", o lateral-esquerdo era peça importantíssima daquele elenco. Fundamental quando subia para o ataque, mas também quando recompunha a linha defensiva e impedia os rivais de atacarem, Cláudio também surpreendia porque era um dos batedores de falta do time.

Modesto quando lembra das próprias qualidades, ele pondera que: "errava muito chute". "O Inter tinha Valdomiro, Batista e eu [para bater faltas]. E a gente cobrava de acordo com a falta e com a posição da bola. Mas não havia discussão no grupo, quem dizia que iria bater pegava a bola e ia", conta.

Tivemos, eu junto a outros jogadores, a oportunidade de ser tricampeão invicto, e fico contente e satisfeito com o feito. Hoje há times como o do próprio Internacional e do Flamengo, que são duas equipes maravilhosas, mas até agora título de invicto vai ficar para a história. Neste ano, claro, e provavelmente em muitos no futuro", diz.

Diferente de hoje, quando todas as rodadas são disputadas em formato de pontos corridos, o torneio nacional vigente na época tinha três fases de grupos, e a fase final era feita em uma semi-final com quatro times, com caráter de mata-a-mata.

Último que fora organizado pela CDB (Confederação Brasileira de Desportos), que deu lugar a atual CBF (Confederação Brasileira de Futebol), a Taça Brasil daquele ano foi a que mais possuía clubes - 94 no total, incluindo todas as fases.

A enorme quantidade de postulantes ao título não fez com que o colorado temesse. Foram 15 vitórias e sete empates.

Vinda ao Estado - O acaso fez com que o mineiro que fez carreira em Recife, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre viesse para Mato Grosso do Sul, há cerca de 20 anos atrás. "Surgiu através de amizades. Quando estava no Corinthians, ia para Presidente Epitácio nas férias junto de um compadre meu, o 'Geraldão', que fica na divisa com Mato Grosso do Sul".

Cláudio fincou raízes em Mato Grosso do Sul, onde vive junto a família (Foto: Reprodução)
Cláudio fincou raízes em Mato Grosso do Sul, onde vive junto a família (Foto: Reprodução)

"Montamos uma equipe para jogar nos finais de ano. O 'Beira-Rio' não tinha condições mas tinha bons jogadores, jogávamos também em municípios próximos", diz, quando então, anos depois, outro amigo, Celso Azevedo, que era o treinador desse time organizado pela dupla, o convidou para ir para Corumbá.

"Ele fazia 'propaganda' do estado quando soube que não quis mais jogar. Hoje estou aqui, há cerca de 20 anos, com muita alegria, com esposa, dois filhos, e uma família grande". Foi em terras pantaneiras que Cláudio conheceu Maria Gonçalves e sacramentou seu segundo casamento. "Temos um passado forte", completa.

Por aqui, chegou a treinar clubes importantes como o Corumbaense ou o Ubiratan, de Dourados, além de outras equipes locais. "Tive oportunidades, comecei no Corumbaense, mas trabalhei em Dourados, Sidrolândia, Mundo Novo, Itaporã. Apesar do futebol aqui ser maravilhoso, ainda precisamos desenvolver algumas coisas", aponta.

A vitoriosa carreira de jogador fez com que ele tivesse respeito com os atletas que treinou, mas ele diz que há uma diferença entre "ser jogador e ser comandante". "Tem que dar oportunidade, conversar, explicar e muitos que treinei, graças a Deus, tiveram oportunidades. Jogadores que hoje jogam no Japão, China, e em outros países".

Aposentado do futebol atualmente, Cláudio hoje trabalha em cargo esportivo na prefeitura de Corumbá junto a Marcelo Iunes (PSDB). "Nosso objetivo hoje é tentar buscar alguma coisa no futebol com responsabilidade, temos pessoas lá que trabalham de forma muito séria".

"Fibra vermelha e branca" - Antes de chegar em terras gaúchas, Cláudio já tinha passado pelo América Mineiro, onde iniciou carreira profissional, Atlético Mineiro, Sport Club do Recife e Corinthians, participando de diversos títulos regionais.

Cláudio Mineiro em partida válida pelo campeonato brasileiro de 1979 (Foto: Reprodução)
Cláudio Mineiro em partida válida pelo campeonato brasileiro de 1979 (Foto: Reprodução)

Mesmo assim, ele afirma que torce para o Internacional. "Sou colorado. Penso que a gente tem que ser adepto ao clube que te deu grandes alegrias, que te deu conforto, que sempre te apoiou. A torcida colorada sempre nos apoiou muito", diz.

Cláudio lembra com saudade na voz do "inesquecível" treinador que montou aquele time mágico, Ênio Andrade, além de toda a equipe técnica que o acompanhava e, é claro, dos colegas de campo. "Cheguei depois junto do Mário Sérgio, do saudoso Bira que infelizmente faleceu. Tínhamos Benitez e Mauro Galvão, que foi o último a que chegou na equipe".

"Ver o Falcão, Batista, o próprio Jair, Valdomiro, todos dando carrinhos e tendo garra fazia com que você tinha que dar carrinho também, chegar junto. Nosso objetivo era ser campeão", conta.

Quanto a decisão de hoje, ele sente confiança no atual time colorado, e diz que não apenas os atletas como também toda a diretoria tem feito um bom trabalho no comando do clube. "O clube tem diretores e ex-jogadores que são todos parceiros. Todos os funcionários: seguranças, roupeiros, etc. Sabemos que será difícil amanhã, porque vamos jogar contra a melhor equipe do futebol brasileiro, mas são grandes jogadores e sabemos que isso é possível".

Meu passado dentro do Internacional foi maravilhoso e desejo o mesmo para os jogadores que jogarão amanhã. Estão num grande clube, e espero que os jogadores reconheçam isso daí. Que busquem o resultado e saiam campeões.

Mesmo que o contato tenha sido afetado recentemente pela pandemia, Cláudio ainda tem laços com os colegas do time invicto. "No ano retrasado fizeram uma festa dos diretores, comemorando os 40 anos, e todo mundo recebeu uma oportunidade para poder ir lá e comemorar junto aos dirigentes e ex-jogadores. Nós sempre vamos nas festas do Inter", finaliza.

Mineiro com história no clube gaúcho, o atual morador de Corumbá com o uniforme do Internacional, em 1979 (Foto: Reprodução)
Mineiro com história no clube gaúcho, o atual morador de Corumbá com o uniforme do Internacional, em 1979 (Foto: Reprodução)
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