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Família de Carla terá assistente de acusação a assassino confesso

Por Marta Ferreira e Anahi Zurutuza | 30/07/2020 06:00
Evanir Magalhães, mãe da jovem Carla, assassinada brutalmente pelo vizinho (Foto: Silas Lima)
Evanir Magalhães, mãe da jovem Carla, assassinada brutalmente pelo vizinho (Foto: Silas Lima)

Justiça - Completa um mês hoje que a jovem Carla Santana Magalhães, 25 anos, foi sequestrada na porta de casa pelo vizinho, Marcos André Vilalba de Carvalho, de 21 anos, por quem foi assassinada de forma cruel. Ele está preso, prestes a ser denunciado por homicídio duplamente qualificado, e a família dela já decidiu contratar assistente de acusação, como a lei permite.

Quem - A coluna apurou que está tudo encaminhado para que o assistente seja o advogado Fábio Trad Filho. Criminalista, o profissional do Direito é filho do deputado federal Fábio Trad (PSD), ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado.

Explicando - A leitura da mãe de Carla, Evanir Magalhães, é objetiva sobre o motivo de ter um representante atuando junto à acusação. "Se ele tem direito a um representante para a defesa, nós também temos para a acusação, para que ele pague pelo que fez com a minha filha. Ele destruiu os sonhos dela e a minha vida".

Humanidade - Na conversa que a moradora do Bairro Tiradentes teve com o Campo Grande News sobre a tragédia criminosa da qual foi vítima, houve um momento dedicado a algo raro no Brasil, elogiar o tratamento recebido pela autoridade policial. Evanir e o sobrinho Diego Santana, que acompanhou a investigação desde o início, disseram que o delegado responsável pelo caso, Carlos Delano, foi transparente ao detalhar o trabalho, em conversas com os familiares logo após a prisão do criminoso. Foi dele que a mãe soube a gravidade de tudo que aconteceu com a filha.

Atraso – A audiência de Jamil Name na tarde dessa quarta-feira (29) começou com duas horas de atraso. Isso porque advogados, que alegavam não conseguir contato privado com o cliente preso em Mossoró (RN) e tentavam mais uma vez adiar o procedimento, puderam conversar a sós com o cliente por meio do sistema do Google de videoconferência.

Saúde – A primeira pergunta feita pelo juiz Aluízio Pereira do Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, foi como Jamil Name estava de saúde e o empresário disse estar “muito mal”. “Estou mal, é dente, intestino, passei 20 dias tomando antibiótico, ando segurando nas paredes”.

Menos 23 kg – Name revelou detalhes dos problemas intestinais. “Eu estava com uma desinteria espetacular. Aqui tem até um médico bom, agora que eu melhorei, mas isso enfraquece a gente. Eu perdi um quarto do meu peso aqui, tinha 95 e estou com 72 quilos mais ou menos”.

Matança – Sobre a famosa frase do filho de que a suposta organização criminosa liderada pelos Name planejava “a maior matança do MS” e tinha como alvos “de picolezeiro a governador”, o réu disse que Jamilzinho não faria mal a ninguém. Para ele, depois de se divorciar da mãe dos filhos, ele “enlouqueceu”. “Pirou e começou a matar, com a boca, só com a boca, porque ele não mata nenhuma barata. Bebia umas cervejas e falava os diabos, falava coisa que nunca fez”.

Filho – O depoimento de Jamil Name Filho começou por volta das 19h e durou mais de 2 horas. A versão é bem parecida com a do pai. Ele nega qualquer envolvimento com a morte de Matheus Coutinho Xavier, segundo a acusação assassinado no lugar do capitão reformado da PM (Polícia Militar), Paulo Xavier. Disse que jamais faria parte de qualquer tipo de organização criminosa.

Imprimindo dinheiro - Mais uma prova de que o prefeito Marquinhos Trad (PSD) "lança tendência", o Conselho Monetário Nacional aprovou a criação da nota de R$ 200 e vai imprimir dinheiro a partir de agosto. No início da pandemia, quando se falava de risco à economia, o prefeito de Campo Grande foi o primeiro a defender que o mais importante é preservar vidas, porque dinheiro o governo pode imprimir.