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Arquitetura

Apaixonada por restauro, arquiteta luta para ver história sobreviver

Vivianne decidiu investir estudos para mostrar que desenvolvimento não precisa destruir

Por Aletheya Alves | 24/04/2024 07:00
Vivianne em frente a edifício histórico localizado em Ribas do Rio Pardo. (Foto: Arquivo pessoal)
Vivianne em frente a edifício histórico localizado em Ribas do Rio Pardo. (Foto: Arquivo pessoal)

Após estudar de tudo um pouco, a arquiteta Vivianne Maria de Freitas entendeu que existe uma “mágica” ao se voltar para a história e tentar resgatar o que está se perdendo com o tempo na arquitetura das cidades. Nadando em uma corrente diferente de profissionais que focam apenas em projetos contemporâneos, a profissional defende que dá para manter a identidade das cidades com restaurações e um dos desafios é fazer com que esse desejo se torne cada vez mais comum em Campo Grande para que a história não vá se perdendo.

“Acho que o que mais me encanta no restauro é ver a individualidade de cada edifício com técnicas diferentes das usuais, o capricho em cada detalhe, os adornos, além da história que cada um carrega consigo”, descreve a arquiteta ao introduzir sobre o assunto.

Para ela, essa área requer atenção redobrada, já que as ações não podem ser executadas “no automático” e, com isso, a conexão entre profissional e edifício se torna maior. “Uma parede de terra nunca vai ser igual à outra. A argamassa de terra de uma casa nunca será igual a outra e isso desperta a minha curiosidade a cada projeto”.

Na prática, Vivianne defende que o restauro é uma forma de resistência à padronização da vida, se movendo para longe de projetos com pouca autenticidade.

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Sempre acreditei que a vida deve ser colorida, quente, alegre, moldada de acordo com cada pessoa, preservando nossas histórias e nossa individualidade. Acho que meu maior medo sempre foi olharem para meus projetos e não conseguirem enxergar uma história neles, relata a arquiteta.

Observando o cenário em Campo Grande, ela comenta que o trabalho realmente é de resistência, apesar de haver um interesse crescente pela preservação. “Ainda temos poucos profissionais voltados para essa área na cidade, o que acaba diminuindo o alcance desse tipo de projeto para as pessoas interessadas em restauro de suas casas”.

Como parte do processo de conscientização, ela pontua que é necessário mudar o pensamento de que o antigo não pode ser útil, “precisamos começar a ver o antigo como uma parte viva da história no nosso dia a dia”.

Detalhando sobre o início do gosto pela área, Vivianne explica que seu primeiro contato com ações de restauro foi durante a graduação com um evento sobre a preservação de patrimônio. “Após esse evento, e por eu ter me mostrado muito interessada e disposta, a Joelma Arguelho, uma das responsáveis pelo evento, que se tornou muito importante na minha vida desde então, me chamou para estagiar com ela no projeto do Museu de Costa Rica. E desde então me apaixonei pela área de restauro e cultura”.

Arquiteta acompanhou como estagiária o restauro do Obelisco, em Campo Grande. (Foto: Arquivo pessoal)
Arquiteta acompanhou como estagiária o restauro do Obelisco, em Campo Grande. (Foto: Arquivo pessoal)

E, para quem se interessa pelo processo de recuperação, a arquiteta comenta que tudo começa com estudo e pesquisa. “Vamos atrás de documentos  históricos e análises estruturais para conseguirmos todas as informações possíveis da edificação. Por exemplo, data de construção, atendimento às normas urbanísticas, técnica construtiva, valores históricos, vizinhança, patologias e análise do estado de conservação”.

Já no momento de execução da obra, novos desafios aparecem, já que a equipe também precisa ser especializada em restauro. Isso porque, caso a execução não siga os padrões e técnicas adequadas, todo o projeto pode ir por água abaixo.

“Na etapa de execução da obra, procuramos montar a equipe com pessoas especializadas, que possuam alguma experiência ou até mesmo tenham afinidade na área entendendo que é uma mão de obra diferenciada. No restauro, cada área de atuação é importante, como por exemplo, quem atua na mão de obra de técnicas tradicionais como argamassa da alvenaria, pintura, acabamentos em madeira (esquadrias, piso, detalhes ornamentais, entre outros)”.

Hoje, sem existir uma empresa totalmente voltada a esse propósito, a construção da equipe se dá por indicação e buscando pessoas que querem aprender sobre a área.

Longe dessas ideias serem algo distante da realidade, ela comenta que sua experiência inclui desde restauros em patrimônios públicos até casas privadas, como é o caso do projeto no bairro Amambaí, contado pelo Lado B (veja aqui).

Entre estágios, estudos e ações gerais, ela descreve que acompanhou o restauro do Forte de Coimbra, em Corumbá, do Obelisco em Campo Grande, assim como da pintura da Morada dos Baís. “Fiz alguns estudos sobre o centro histórico de Ribas do Rio Pardo e também participei como representante de Mato Grosso do Sul no Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro”.

Outro projeto foi o Museu de Aquidauana e, segundo a arquiteta, seu foco continua sendo na área de restauro e de cultura.

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(*) Texto alterado às 14h41 do dia 24 de abril para inclusão de informações.

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