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Campo Grande, Terça-feira, 23 de Outubro de 2018

23/03/2018 07:53

Casa de 9m² é "castelo" de artista em região histórica e ganhou até adega

Lugar é como um instalação de arte, com muitos objetos produzidos a partir de materiais descartados.

Thaís Pimenta
Nesse ambiente é a cozinha, a sala de estar, de jantar, o closet e o banheiro. (Foto: Thaís Pimenta)Nesse ambiente é a cozinha, a sala de estar, de jantar, o closet e o banheiro. (Foto: Thaís Pimenta)

Muito mais do que uma casa, Guido Drummond, o artista plástico Lord Trash, define o seu cantinho de cerca de 9 metros quadrados como "castelo". Depois de morar em Portugal por mais de 30 anos, ele hoje vive na Rua dos Ferroviários, em um espaço de 4 x 2.2 metros, com quarto, sala e até adega e bar feitos com materiais que iriam para o lixo. O terreno onde escolheu morar também dará vida a projetos artísticos, mas a própria casa dele já parece uma instalação de arte. 

Entrar no tal castelo é  ter um colapso de informações e de criatividade. Dono de uma personalidade itinerante, morador do mundo, seria impossível imaginar Guido morando em uma casa normal. Como marca de seu trabalho, tudo que é possível ver em sua casa veio do lixo, é reaproveitado, repensado e transformado em arte com funcionalidade.

Na parede, a infiltração virou mulher, "Minha Lisa", como explica, em referência à Monalisa de Leonardo da Vinci. "Eu observei que a marca na parede formava uma silhueta feminina. A partir daí pintei e finalizei com verniz normal", explica. A obra representa a lembrança de uma antiga paixão.

"Depois de muitas terapias e constelação familiar ela foi sacramentada na parede. Ao lado eu trago colagens de representações de mulheres, dos momentos pelos quais elas passaram na história do mundo", completa. Na mesma parede, estão as lembranças de sua viagem para Londres. 

Guido e a Sua Lisa. (Foto: Thaís Pimenta)Guido e a Sua Lisa. (Foto: Thaís Pimenta)

Na mesma parede a parceria com o artista Luís Xavier começa a gerar uma crítica às grandes petroleiras e sua relação de extinção com a estrada de ferro, especificamente a Noroeste do Brasil, que passava por aquela região num passado não tão distante. "A partir de uma tábua de passar roupa isso vai ser feito. A crítica social propondo a reflexão faz parte do meu estilo". 

Essa obra vai compor com a Lisa de Guido e a Monalisa original, desenhada com os seios de fora, tendo como cenário o Pantanal. Mas porque tantas instalações em casa? Porque a intenção é permitir, por exemplo, a visitação de estudantes no espaço. "Eles vão poder brincar, se encantar com a arte aliada à casa. É como se eu provasse que é possível viver bem em um ambiente pequeno, mantendo tudo organizado, e quero inspirar pessoas nesse sentido".

Na parede da porta de entrada do castelo estão lembranças da sua vida em Lisboa. Atrás, garfos antigos se tornaram cabideiros cheios de estilo. Já na parede de frente para as Lisas da casa está a cozinha do espaço. Quem vê a janela panorâmica não imagina de que antes era uma placa de energia solar. "A persiana foi feita também com os tubos de cobre da placa. Limpei, lixei e deu um aspecto muito bacana".

Cabideiros são garfos velhos. (Foto: Thaís Pimenta)Cabideiros são garfos velhos. (Foto: Thaís Pimenta)
Janela panorâmica da casa era uma placa de energia solar. (Foto: Thaís Pimenta)Janela panorâmica da casa era uma placa de energia solar. (Foto: Thaís Pimenta)

Olhar para o teto é também uma experiência. Um lustre vindo de Corumbá, feito com material de pesca, é a graça do alto do castelo. Linhas de fitas com as cores da bandeira brasileira e portuguesa completam o efeito único, isso sem contar a manta de isolamento térmico prata, que deu atitude extra à parte superior da casa.

Também no alto, um baldinho pendurado ao lado de algumas taças exibem o mecanismo criado por Guido para o seu bar e adega. "Eu coloco o vinho no balde e puxo de lá do quarto. A visão de lá de cima é ótima", comenta o Lord Trash.

O quarto fica no andar de cima. Para acessar é preciso subir uma escada. No quarto o mínimo de coisas tornam o espaço aconchegante, com um colchão, uma arara e uma prateleira, feito com os restos de madeira que já existiam no local, que estão ali em pontos específicos do castelo, como forma de preservar a construção original da casa. "Mas meu closet também fica lá embaixo".

Um case para violão, pregado na parede, os vinhos ficam expostos em suportes em seu interior. "Aqui eu guardo também meu aparelho de barbear, por isso brinco de chamar de barbearia", comenta Guido. 

Para a cozinha ficar com cara de uma cozinha, propriamente dito, ainda falta a instalação do fogão de uma boca. "Vou trazer meu frigobar pra dentro e está pronto". Ou seja, na mesma peça, Guido tem sua sala de estar, de jantar, sua cozinha e seu banheiro.

Lustre é atração a parte. (Foto: Thaís Pimenta)Lustre é atração a parte. (Foto: Thaís Pimenta)
Os restos de madeira foram preservados e viraram suportes para taças. (Foto: Acervo Pessoal)Os restos de madeira foram preservados e viraram suportes para taças. (Foto: Acervo Pessoal)

O banheiro é uma atração a parte, uma homenagem à Clarice Lispector. "Eu voltei da Feira Literária de Bonito no ano passado totalmente apaixonado pelo obra dela. Isso me motivou na construção do meu banheiro". Na parede, uma colagem da poetiza dá cor ao cantinho.

Um varal repleto de versos de Clarice permite que, ao usar o vaso sanitário, a pessoa se entretenha com os textos da poeta.

Conheça um pouco mais do castelo de Guido:




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