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Arquitetura

Cobogós alegram prédio de família portuguesa, a 1ª com TV no Amambaí

Lanchonete no Amambaí tem fachada vibrante, em vermelho e amarelo, mas nem proprietários sabem quem fez

Por Bárbara Cavalcanti | 26/11/2021 08:40
Cobogós amarelos em parede de conveniência. (Foto: Bárbara Cavalcanti)
Cobogós amarelos em parede de conveniência. (Foto: Bárbara Cavalcanti)

Ninguém sabe quem colocou os cobogós amarelos que fazem toda diferença na fachada da lanchonete Piauí, no Bairro Amambaí. Nem o dono da conveniência, nem mesmo os proprietários. Mas basta apontar para o contraste das cores e os detalhes em relevo, que a reação de todos é unânime: “Sabe que eu nunca tinha reparado?”, disse uma das clientes que sentava de costas para a parede.

Mas os cobogós são apenas um detalhe da história que o prédio de mais de 60 anos guarda. Antes de ser bar, foi conveniência e residência da família de imigrantes portugueses, Raul Rodrigues Curto e Nazaré da Silva.

Clientes sentados em frente à parede com decoração de cobogós. (Foto: Bárbara Cavalcanti)
Clientes sentados em frente à parede com decoração de cobogós. (Foto: Bárbara Cavalcanti)

Maria Adelaide da Silva Curto, de 75 anos, é filha do casal que chegou em Campo Grande na década de 50. Mora na mesma rua do bar e dá risada ao ser questionada sobre os cobogós. “Olha, foram tantos inquilinos ao longo do tempo, que eu nunca nem tinha reparado”, se diverte dona Maria.

A família passou por fazendas do interior antes de chegar no Amambaí. “Nasci entre a Figueira e Coimbra. Chegamos em São Paulo e já fomos direto para uma fazenda aqui no interior para trabalhar para outro português. Depois, fomos para Corumbá e, por fim, viemos para cá, pois meus irmãos precisavam estudar”, relembra.

Adelaide lembra de quando o bairro não tinha asfalto na época que a família toda chegou. O pai dela construiu a casa e na esquina, onde agora só está a parede vermelha com os cobogós amarelos, ficava uma varanda.

Cobogós têm detalhes ao longo de toda a parede. (Foto: Bárbara Cavalcanti)
Cobogós têm detalhes ao longo de toda a parede. (Foto: Bárbara Cavalcanti)

“Naquela varandinha, a gente sentava muito para conversar, para assistir televisão. Meu pai comprou naquela época a primeira televisão desse bairro”, detalhou.

Nesse meio tempo, a família decidiu alugar o imóvel para vários inquilinos. Um deles, inclusive, também português. “A decoração do jeito que está não foi meu pai quem colocou. Talvez o outro senhor português, mas ele infelizmente já faleceu. Eu vou ter que ir lá só pra ver”, dá risada.

Vista por quem passa pela Bandeirantes, em uma das ruazinhas ao lado das pequenas praças que surgem ao longo da avenida, hoje, a propaganda da conveniência é "um ótimo lugar para beber uma cerveja gelada, barata e petiscos de qualidade e um ótimo atendimento".

O boteco vive cheio, com clientes espalhados pelas mesas na calçada e na pracinha em frente. É um lugar para beber e conversar depois do trabalho ali pela região, cheia de garagens e empresas de serviços. Abre todos os dias 9h30 e só fecha às 22h e, pelo comentário de quem frequenta, realmente, "é cerveja gelada e porções boas e baratas", diz Willdison Araújo.

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