ACOMPANHE-NOS    
OUTUBRO, QUARTA  21    CAMPO GRANDE 28º

Arquitetura

Dá para encarar sozinho a pintura da casa sem arrependimento?

Por Thailla Torres | 02/09/2020 08:00
É possível colorir sem carregar o lugar. Neste projeto, a base é neutra e as cores aparecem no quadro e itens menores e fáceis de substituir. (Foto: casa.com.br)
É possível colorir sem carregar o lugar. Neste projeto, a base é neutra e as cores aparecem no quadro e itens menores e fáceis de substituir. (Foto: casa.com.br)

As pessoas estão percebendo a necessidade de melhorias e mudanças em seus lares e ambientes de trabalho. Com a pandemia essa percepção ficou ainda mais aguçada e nem todo mundo tem condições de fazer altos investimentos para essas transformações, ou até mesmo tempo para poder realizá-las. Por isso a pintura se torna mais acessível e prática.

Cor é sensação, só de mudar uma tonalidade de uma parede que fica no seu campo visual diretamente, já muda o estímulo psicológico que ela causa. Tem uma relação direta sob a percepção desta pessoa, mas tudo depende do contexto, e mais, da iluminação.

Com esse investimento nas cores, é possível perceber que, às vezes, as pessoas têm muitas dúvidas na hora de escolher a cor ideal. Por isso, a arquiteta Silvia Vieira, especialista em projetos minimalistas e apaixonada por arquitetura explica que existem vários fatores que influenciam nesta escolha, como o estilo da casa, o ambiente que será pintado, personalidade do morador, cor dos móveis e até mesmo o uso do espaço.

"Tudo isso faz diferença no resultado final. Cores quentes combinam com tonalidades quentes. Cores de base neutras e sóbrias, também tem mais aceitação em espaço neutro. Não faz uma boa junção um piso cinza, por exemplo, com uma parede bege, que tem pigmentação amarela e vermelha", explica.

Já nesse apartamento, as tonalidades de cinza que são muito bem complementadas com as madeiras, aquecendo o ambiente. A chance de enjoar é bem menor. (Foto: Casa Vogue)
Já nesse apartamento, as tonalidades de cinza que são muito bem complementadas com as madeiras, aquecendo o ambiente. A chance de enjoar é bem menor. (Foto: Casa Vogue)

Se as pessoas querem mudar por estarem “cansadas”, sinal que a escolha pode ter sido equivocada. Segundo a arquiteta, esse é um forte indício de que cores brandas e neutras ganham mais durabilidade nesta hora e valem mais a pena nos investimentos no momento de escolha, mesmo que não haja a contratação de um profissional. Menos é mais em todas as situações, inclusive na decoração.

“Cor é luz?” - Sim, enfatiza Silvia. "A cor, na verdade, é uma sensação ocasionada pela interação do olho e a luz. Ao definirmos cor, é necessário primeiramente que seja lembrada sua relação direta com a luz.  Por isso a iluminação do local conta muito para a definição dela em si. Um ambiente que recebe pouca luz natural deve, em tese, priorizar tonalidades claras e abertas, para haver essa sensação de clareza e espaço, que, psicologicamente nos traz mais paz", especifica.

O mesmo ocorre para a situação contrária. Muita iluminação requer um equilíbrio para não exceder a luminosidade e causar ofuscamento em quem está no espaço. Ter esse equilíbrio proporciona uma vivência mais satisfatória , seja este um local de descanso, trabalho, lazer ou relaxamento.

Mais uma vez a neutralidade e suavidade da paleta de cinza.
Mais uma vez a neutralidade e suavidade da paleta de cinza.

A arquiteta também lembra que, assim como estilo decorativo é muito particular, cor também faz parte de uma escolha pessoal. Existe cor tecnicamente equivocada para determinados espaços, que interferem sim na produtividade ou humor do morador ou funcionário do espaço. Depende muito também da personalidade da pessoa, da sua história, dos seus hábitos, medos e até traumas.

"Nós, profissionais, temos de ter a sensibilidade para ler o cliente e interpretar não só o que ele nos diz, mas também aquilo que ele não diz, mas precisa.  As cores neutras dificilmente cansam. Brancos, cinzas, azuis, são cores que se adaptam mais às mudanças até de itens decorativos, por isso perduram mais tempo".

Cor viva, porém na cabeceira da cama, onde nosso olhar não direciona quando vamos dormir e ao acordar. Boa dica para criar o espaço da cabeceira e não cansar tão facilmente no dia a dia. (Foto: Idea Decor)
Cor viva, porém na cabeceira da cama, onde nosso olhar não direciona quando vamos dormir e ao acordar. Boa dica para criar o espaço da cabeceira e não cansar tão facilmente no dia a dia. (Foto: Idea Decor)

Quando Silvia vai escolher uma cor, por exemplo, ela leva em conta, também, as características do cliente.  "Se ele for uma pessoa agitada, ansiosa, nervosa, não é recomendável incluir tons quentes demais em sua decoração, vermelhos, laranjas, amarelos. Isso irá agitá-lo ainda mais. O ideal são tonalidades azuis e verdes claras. Já um cliente que tem características opostas precisa de energia e dinamismo, por isso amarelo é muito bem vindo. Isso pode ser usado até mesmo em itens menores, ok? Como uma luminária, um vaso de planta, livros", ensina.

O que não fazer para não se arrepender da pintura? - Não só nos tons das paredes como na decoração em geral, evitar cores muito fortes e abertas, composição de cor de parede que são interligadas com a decoração, como por exemplo, paredes estampadas. Como cor da parede é algo amplo, o ideal é investir nos toques de “ousadia” em itens menores e mais baratos de substituir, quando necessário, como vasos e almofadas.

Para quem ama o estilo minimalista - A escala de cinza vai bem a qualquer projeto minimalista. Seja a aplicação em piso, sofás, mesas, estofados, ou até mesmo em paredes. "Cinza é versátil e neutro, pois proporciona uma boa base para a cor branca, preta, madeira clara, média, estampas preto e branco e até o couro. O que conta muito é a natureza do material que será utilizado para compor esse ambiente, como pedras, mármores, vidros, espelhos e até mesmo as peças decorativas, que são poucas, mas imponentes. Menos cores, menos adornos, menos móveis. Entretanto mais espaço, mais qualidade, acabamentos detalhados, mais luz natural e artificial e mais beleza", destaca a arquiteta.

E se ainda tiver dúvidas e não quiser errar, é possível contratar um arquiteto para nâo ter dor de cabeça. "Nesse momento é essencial ouvir, mais do que falar. Ouvir o que o cliente busca com aquela mudança, ouvir quais são suas características, seus gostos, seus lazeres e suas expectativas para atender com o novo espaço.  Como pintar o espaço faz parte de um bom projeto, é necessário analisá-lo como um todo. A composição de formas, de incidência de luzes naturais, estudo luminotécnico, usos variados do mesmo espaço em determinados momentos do dia", finaliza.

Você pode conferir outras dicas da arquiteta no Instagram, clique aqui.

Curta o Lado B no Facebook e no Instagram. Tem uma pauta bacana para sugerir? Mande pelas redes sociais, e-mail: ladob@news.com.br ou no Direto das Ruas através do WhatsApp do Campo Grande News (67) 99669-9563.

Uso de cores alegres nos móveis e acabamentos torna o ambiente divertido. Como a base é cinza e madeira, foi utilizado cadeira amarela e a geladeira estilo vintage na cor laranja. Bem moderno.
Uso de cores alegres nos móveis e acabamentos torna o ambiente divertido. Como a base é cinza e madeira, foi utilizado cadeira amarela e a geladeira estilo vintage na cor laranja. Bem moderno.


Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário