Fonte gigante fez supermercado em 1973 virar passeio campo-grandense
Com tubos coloridos, decoração se tornou símbolo do empreendimento e transformou compras em atração
Quem se lembra da fonte gigante colorida do supermercado Servebem? O negócio ficou conhecido como o primeiro empreendimento do ramo do então Mato Grosso e foi inaugurado entre 1973 e 1974. Quem abriu o baú para contar essa história foi o arquiteto Marco Antônio Nachif, de 69 anos. Ao todo a família teve 4 lojas espalhadas pela cidade.
RESUMO
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O supermercado Servebem, inaugurado entre 1973 e 1974 em Campo Grande, foi considerado o primeiro empreendimento do ramo no então Mato Grosso. Com quatro lojas espalhadas pela cidade, o negócio se aproximava do conceito de hipermercado e ficou na memória pela fonte decorativa de tubos acrílicos coloridos. Fundado pela família Nachif, de origem turca, o Servebem encerrou as atividades em 1977.
O empreendimento parecia ambicioso para a época, pois, além da lanchonete na parte de dentro, ele também vendia artigos para casa, roupas e tinha a fonte decorativa formada por tubos de acrílico coloridos e iluminados, que acabou ficando na memória.
A primeira loja ficava na Barão do Rio Branco, em frente ao hotel Jandaia. O prédio tinha aproximadamente 1,5 mil metros quadrados, distribuídos entre área de vendas, administração, depósito e espaço destinado à carga e descarga de mercadorias.
"Em época de Natal, havia congestionamento na frente da loja e dificuldade para estacionar perto. O fato de ter uma diversidade muito grande de produtos, muitos faziam as compras de presentes na loja, inclusive brinquedos, além dos produtos tradicionais para o Natal. A loja sempre oferecia para os clientes, também, na época do Natal, as chamadas cestas. Em uma embalagem de vime, era feita uma seleção de produtos como panetone, vinhos, champanhe, doces e petiscos como nozes e castanhas e outros produtos da época".
Antes dos grandes corredores, dos carrinhos cheios e das redes espalhadas pelos bairros, fazer compras em Campo Grande era uma experiência bem diferente. Foi nesse cenário que surgiu o mercado. Pelo tamanho e pela variedade de produtos, o Servebem se aproximava do conceito de hipermercado, ainda incomum naquele tempo. Por causa dos produtos, uma simples ida ao supermercado era um passeio.
A fonte, quando iluminada e em funcionamento, era o ponto de atração para os clientes se deslocarem para a lanchonete. A lanchonete tinha no cardápio sanduíches, várias opções de preparos de sorvetes e pequenas refeições.
Mais conhecido como Marco China, ele conta que a trajetória do estabelecimento se mistura à de seus avôs que chegaram ao Brasil no início do século passado e construíram, geração após geração, uma relação com o comércio e arquitetura de Campo Grande.
A bisavó de Marco, Jalila, deixou a Turquia durante um período de conflitos e perseguições contra comunidades cristãs. Com a filha, Fahima, ela veio para o Brasil e se estabeleceu em Corumbá, onde já viviam parentes da família.
Jamil Nachif, que mais tarde se tornaria avô de Marco, também deixou a Turquia. Inicialmente, seguiu para a Argentina, onde tinha familiares e trabalhou como alfaiate. O caminho até o Brasil foi aberto por um irmão que vivia em Corumbá e atuava na importação de trigo argentino pelo Rio Paraguai. Convidado para trabalhar no negócio, Jamil se mudou para lá. Foi na cidade que conheceu Fahima. Os dois se casaram e seguiram para Campo Grande.
Marco relembra que, na cidade, Jamil passou a trabalhar com a importação e a distribuição de produtos. Comercializava trigo vindo da Argentina, erva-mate do Paraguai, sal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e outras mercadorias.
A família mantinha uma loja de secos e molhados na Rua 14 de Julho, entre as ruas Antônio Maria Coelho e Mato Grosso. O estabelecimento funcionou como uma espécie de ponto de partida para o empreendimento que surgiria anos depois. Jamil e Fahima tiveram 4 filhos. O caçula começou a trabalhar ao lado do pai e demonstrou desde cedo interesse pelos negócios. “Meu tio tinha uma visão empresarial muito grande”, conta Marco.
Com a morte de Jamil, em 1964, Nelson decidiu investir em um formato comercial ainda pouco comum na região. Nascia então o Servebem. Além do Centro, o supermercado também teve lojas nos bairros Monte Líbano e Amambaí.
Para ampliar o negócio, Nelson convidou o cunhado Antônio China Neto, pai de Marco, para se tornar seu sócio. Antônio vivia em São Paulo e trabalhava no setor de operações de combustíveis da Esso, no Aeroporto de Congonhas.
Marco relembra que, na loja do Centro, havia uma lanchonete com espaços no térreo e no mezanino. O ambiente era bonito e vivia cheio. Para Marco, o estabelecimento era uma obra ousada para um supermercado.
A dimensão do negócio também trouxe dificuldades. O supermercado funcionava das 7 horas às 23 horas, o que exigia dedicação total de quem trabalhava por lá. Ao final do expediente, os próprios donos ajudavam no transporte dos funcionários até suas casas.
“Muitos viviam em bairros distantes e não encontravam ônibus disponíveis naquele horário”. Segundo Marco, a rotina começou a afastar Nelson da convivência com a mulher e dos três filhos do casal. Em 1977, o negócio acabou, mas ainda ficou na memória.
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