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Arquitetura

Há 26 anos, Luiz insiste em não deixar os ladrilhos ‘morrerem’

Empresário relembra época em que tinha equipe para produção, enquanto hoje trabalha sozinho

Por Aletheya Alves | 07/12/2023 07:37
Mesmo sem equipe, Luiz insiste na produção de ladrilhos hidraulicos. (Foto: Marcos Maluf)
Mesmo sem equipe, Luiz insiste na produção de ladrilhos hidraulicos. (Foto: Marcos Maluf)

Sem as grandes prensas montadas e sem equipe, Luiz Zaparolli continua insistindo na produção de ladrilhos hidráulicos nos fundos de casa. Ali, com o processo adaptado e mãos manchadas de pigmento, ele conta sobre como pensou em parar, mas que não consegue deixar a técnica morrer.

“Ladrilho hidráulico não é só revestimento, é uma cultura. É parte da história que temos”, introduz o empresário formado em Geografia. No ramo dos ladrilhos há 26 anos com empresa própria, o homem viu Campo Grande ter as peças substituídas aos poucos até se tornarem raridade.

Em outras épocas, Luiz conta que falaria sobre a técnica com suas quatro prensas em ação e funcionários trabalhando, mas desta vez a narrativa se conecta a uma resistência individual. “Minhas prensas estão desmontadas porque precisei me mudar e estou produzindo agora em casa. Tive que adaptar a forma de finalizar os ladrilhos, por exemplo”.

Sem imaginar que dedicaria a vida ao revestimento que é fabricado totalmente de forma artesanal, o geógrafo saiu do interior de São Paulo trabalhando como representante comercial. Foi através do irmão que conheceu a produção de ladrilhos.

Decidido a levar o trabalho realizado pela família, ele explica que conhecia o revestimento, mas não o processo por trás. “Aí fui estudar sobre quando começou, quando era feito, tudo isso. Na época, o ladrilho estava em alta, todo mundo queria comprar e eu cheguei a ter uma equipe grande na minha fábrica”.

Ele cita que Campo Grande, por exemplo, possuía diversos exemplares do revestimento, mas a modernização da cidade retirou grande parte da história, em sua opinião. Ainda assim, vendo as mudanças, Luiz continuou e garante que hoje segue insistindo.

“Quando desmontei as prensas, pensei em parar, na verdade. Mas Deus fala ‘não para não, vou mandar um cliente’ e aí não parei. Alguns arquitetos e engenheiros continuam pedindo porque quem conhece não troca o ladrilho”, relata.

Empresário mostra gabarito utilizado para decorar peças. (Foto: Marcos Maluf)
Empresário mostra gabarito utilizado para decorar peças. (Foto: Marcos Maluf)
Sem as prensas, o processo foi adaptado nos fundos de sua casa. (Foto: Marcos Maluf)
Sem as prensas, o processo foi adaptado nos fundos de sua casa. (Foto: Marcos Maluf)
Apesar de gabaritos, cada peça é única por ser artesanal. (Foto: Marcos Maluf)
Apesar de gabaritos, cada peça é única por ser artesanal. (Foto: Marcos Maluf)

Para quem não conhece sobre o revestimento, Zaparolli detalha que desde a “massa” até a pintura, tudo é feito pelas mãos do ladrilheiro. “Nós temos três massas diferentes que são feitas individualmente com materiais diferentes, depois de colocarmos essas massas, ainda temos a parte de compressão e finalização”.

Com as formas para criar os ladrilhos, que são únicos devido ao formato artesanal de produção, ele indica que a decoração é uma das partes que requerem maior atenção.

“Você coloca esse gabarito aqui e cria o pigmento de acordo com o que o cliente quer. É interessante porque são peças únicas e criadas por quem está fazendo. Em uma fábrica, além dos ladrilheiros, você precisa das pessoas que dão suporte, então envolve bastante gente”.

Além de continuar sendo sua profissão, a criação de ladrilhos também gera sonhos sociais para Luiz. Hoje, ele tenta ‘vender’ a ideia de ensinar a produzir ladrilhos para pessoas que lutam contra a dependência química.

“Essa produção requer muita atenção, quando você está decorando um ladrilho não consegue pensar em mais nada. Se tem uma cor, você fica concentrado, com duas já é mais difícil e quanto mais diverso, mais atenção”, explica sobre a base da ideia.

Com isso em mente, o empresário defende que ensinar a técnica iria permitir a capacitação dessas pessoas enquanto elas realizam uma espécie de terapia, nas palavras de Luiz.

Por enquanto, a ideia ainda não foi aceita, mas assim como a produção para venda, ele garante que continuará tentando até que o projeto seja aplicado. “Isso também seria positivo em escolas, para mulheres que querem se profissionalizar. Consigo ver como ajudaria”.

E, para quem se interessar pelos ladrilhos de Luiz, seu perfil no Instagram é o @ladrical.

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