Manu fez 'loucura arquitetônica' com casa no estilo "oca"
Projeto foi inspirado na cosmovisão indígena e andina, que entende a Terra como organismo vivo
Chamar de “loucura arquitetônica” pode até parecer exagerado, mas o projeto de uma casa na zona rural de Dourados pode merecer a expressão. Com, no mínimo 14 cômodos feitos em formato circular, a arquiteta Manu Parim resolveu inovar em um projeto inspirado em ocas indígenas guarani-kaiowá. O resultado foi batizado de Casa Pachamama.
RESUMO
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Em Dourados, uma arquiteta inova ao projetar uma residência rural inspirada nas ocas indígenas guarani-kaiowá. A Casa Pachamama, como foi batizada, apresenta 11 cômodos circulares distribuídos ao redor de uma fogueira central, além de duas piscinas, sendo uma interna e outra externa. O projeto, que iniciará as obras em fevereiro, foi encomendado por pesquisadores da cultura indígena e incorpora elementos da cosmovisão andina. A arquiteta Manu Parim desenvolveu o conceito respeitando a vegetação existente, utilizando materiais naturais e priorizando a ventilação cruzada e iluminação natural.
Uma fogueira é o coração da obra, e os quartos, sala, cozinha e banheiros circulam em volta dela. Duas piscinas fazem parte da casa, uma maior, na área externa, e outra menor, na interna. O imóvel ainda contará com uma hidromassagem. As obras começam em fevereiro.
"São 292 m², com 4 dormitórios (sendo 2 suítes), 2 escritórios home office, salas integradas, cozinha, despensa; área gourmet; Wc; deposito; banheiros".
Ao Lado B, Manu conta que a ideia surgiu pelos donos serem pesquisadores da cultura indígena há 17 anos no Estado. A reportagem até tentou contato com eles, mas os dois preferem discrição.
Manu explica que a obra também foi inspirada na cosmovisão andina, que entende a Terra como um organismo vivo. Por isso, o fogo é posicionado no centro e não aparece como elemento decorativo. Ele é uma referência ancestral.

Ela pontua que, antropologicamente, foi ao redor da fogueira que comunidades se formaram, compartilharam alimentos e histórias. O objetivo é fazer do espaço um lugar de encontro.
“Ao final do processo, eu e a cliente permanecemos diante do projeto sem palavras. Não havia o que explicar. Ela nunca pensou na casa redonda, nem se passou pela cabeça dela, na verdade; ela imaginou algo rústico chique, bioconstrução e afetivo/funcional. Aí me veio uma inspiração, pelo briefing e todas as nossas conversas profundas, onde quis ousar e fazer uma ‘loucura arquitetônica’ e coloquei o planejamento na proporção áurea”.
Manu diz que nenhuma árvore será retirada para viabilizar o projeto. Ao contrário, a geometria circular foi definida a partir da "planialtimetria" do terreno, o que criou vazios estratégicos exatamente onde a vegetação já existia. Foram as árvores e a leitura da rosa dos ventos que orientaram tudo.
“A partir desses vãos, a casa tem quatro setores principais, organizados conforme dimensões, proximidade com o acesso existente da chácara e incidência do sol e dos ventos: setor social e de serviços; setor de lazer; setor de pesquisa, considerando que se trata da casa de pesquisadores; e setor íntimo. A Casa Pachamama nasce da compreensão de que habitar e será implantada de forma orgânica no terreno”.
Para ela, a planta circular reforça a ideia de continuidade, pertencimento e equilíbrio. Tudo se articula ao redor do vazio, valorizando o silêncio, a luz natural, a ventilação cruzada.
Os materiais adotados dialogam diretamente com a paisagem. Madeira, terra, água e superfícies de textura natural criam uma atmosfera de abrigo e permanência. A água, presente como elemento simbólico e sensorial, reforça a noção de cuidado, regeneração e fluxo.
O primeiro contato com a cliente aconteceu no início de 2023 e, desde então as conversas se multiplicaram. Vieram reuniões longas, por vezes terapêuticas, atravessadas por arte, processos de cura, criação, amor à terra e reflexões profundas sobre funcionalidade, técnica da casa.
“O resultado dessa relação é um daqueles raros momentos em que a arte ultrapassa o saber técnico. Durante o processo criativo, me vi como uma maestra, conduzindo diferentes elementos: espaço, corpo, território, memória e emoção, até que tudo encontrasse harmonia. Quando a ideia central se consolidou, chorei, ri e permaneci em silêncio”.
Manu explica que ninguém inventou a roda, que projetos parecidos já existem de diferentes maneiras, mas que tentou captar a essência dos dois na casa. Por dentro, ela fez algumas opções de como a casa poderia ficar, usando a estétila clara e clean. Os detalhes ainda estão sendo acertados.
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