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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

13/12/2016 06:03

Na casa que lembra templo romano, vive Tânia que diz ter nascido na época errada

Thailla Torres
Residência está a venda no bairro São Francisco. (Foto: Alcides Neto)Residência está a venda no bairro São Francisco. (Foto: Alcides Neto)

A fachada chama atenção pelo tamanho, que destoa das casas antigas no bairro São Francisco. Olhando de perto, quase impossível não levantar a cabeça para observar os detalhes de um lugar semelhante aos templos romanos. Lá dentro, é Tânia que se destaca pelo jeito peculiar ao receber visitas.

Na casa que mais aparece abandonada por quem olha de fora, o lado de dentro surpreende. Na sala principal funciona uma galeria de arte, cheia de objetos antigos e esculturas de deuses gregos trabalhados com pó de mármore. 

Tânia Cristina Ramos Limo, de 49 anos, é dona e moradora da residência. Do jeito de se vestir até a maneira de olhar, nota-se que ela defende costumes antigos. O cabelo moldado, a maquiagem e até o perfume revelam um pouco dos gostos pelo estilo retrô.

Sorridente, Tânia fala do gosto por objetos antigos. (Foto: Alcides Neto)Sorridente, Tânia fala do gosto por objetos antigos. (Foto: Alcides Neto)

Desconfiada, Tânia topa dar entrevista, mas fala do receio. "Olha, eu não acreditei que era o jornal, achei que era trote pra ser bem sincera", ri. Mesmo assim, faz o convite para conhecer o espaço e contar um pouco da história da casa que tanto gera curiosidade.

O lugar é menos antigo do que aparenta. A reforma que transformou o imóvel tem cerca de 15 anos. Antes, era uma residência comum, recorda. "A casa já passou por várias reformas. Quando me casei, compramos. Mas a gente ampliou. A casa era da escada para os fundos", mostra. "Não tinha laje e tudo foi reconstruído. Para falar a verdade, chegamos praticamente a demolir a antiga casa para reformar", conta.

A residência tem 300m². No segundo andar, há uma enorme sala, quarto e banheiro. O local chegou a ser usado durante um tempo para um jornal, mas foi desativado e restou só o vazio. "Queria alugar para quem tenha vontade de fazer pequenos eventos", diz.

Há seis anos, o imóvel está à venda. A decisão de se despedir de um sonho veio depois da separação e da necessidade de diviidr os bens com o ex-marido. "Gosto daqui, mas se eu conseguisse comprar a parte dele, até ficaria com ela. Foi um sonho construído", diz. 

Enquanto não consegue um comprador. Tânia vive ali com os filhos e cuida da galeria de arte. As esculturas foram desenhadas por ela, mas fabricadas fora de Campo Grande. "Ninguém faz isso aqui. Alguns imitam o pó de mármore, mas esse é verdadeiro, valiosos". 

Sala virou galeria de arte. Sala virou galeria de arte.

A casa tem uma característica clássica, na pintura, no papel de parede, decoração e mobília. A arquitetura foi inspirada nos templos romanos pela beleza e para trazer um valor a galeria de arte.

"Tudo fui eu que desenhei. Sempre gostei de história da arte e acabei começando Arquitetura porque eu gosto e já trabalho com isso há muitos anos. Sou decoradora antes de surgir esse curso de design de interiores", conta. 

De maneira resumida, detalha a fachada, parte que mais chama atenção de quem passa na rua. "Essas colunas foram feitas sob encomenda, com placas de cimento. Eu queria fazer uma casa no estilo antigo, para que pudesse representar uma galeria clássica", diz.

Os móveis também foram desenhados por ela,  para a cozinha e quarto.

Tânia diz que tem dois estilos, clássico e moderno, mesmo assim, para ela, um não atribui valor ao outro. "Até gosto dos dois estilos, mas não gosto de misturar. Sempre gostei de livros antigos de Arquitetura. Até hoje vou aos sebos adquirir mais um exemplar", lembra.

Em um dos quartos ainda está a fotografia de Tânia e do ex marido. Em um dos quartos ainda está a fotografia de Tânia e do ex marido.
Detalhe no teto feito a mão. Detalhe no teto feito a mão.

Apaixonada por arte, cada cantinho escolhido e feito por ela tem valor sentimental. Os objetos antigos estão entre os preferidos, mesmo quando ela enfrenta resistência de quem diz não gostar de coisa velha. "Na faculdade já me chamaram de museu ambulante, mas eu nem ligo. Esse é o meu jeito e minha casa, eu só quis dar uma outra harmonia a ela". 

Sobre o jeitinho peculiar e todo cuidadoso com o passado, Tânia conta que é uma mulher conservadora e a ligação com as coisas antigas é o que a faz ter uma vida diferente. "Sempre gostei de coisas antigas, aliás, acho que devia ter nascido em outra época. Isso é na profissão e na vida. Fui daquelas que não beijei antes de casar definitivamente. Pode até parecer loucura, mas é que penso ser o certo. As pessoas falam e comentam, mas eu nem me importo". 

Depois da separação, o que parece é que Tânia lida ainda melhor com o passado. Em um dos quartos da casa, está a fotografia dela e do ex-marido, de quem é amiga até hoje. A obra está em uma moldura de madeira desenhada por ela e fabricada no estilo mais clássico. 

Ela jura não ter parado no tempo e diz que sempre teve estilo na vida. "Meus valores que são antigos e nunca parei no tempo, só que tenho uma vida diferente. Quando eu vender essa casa aqui, já tenho na cabeça uma mais clássica ainda", revela.

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Esculturas. Esculturas.
Objetos feitos com vidro. Objetos feitos com vidro.
Local fica na Rua Padre João Crippa.Local fica na Rua Padre João Crippa.


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