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Arquitetura

Presente do irmão, santa ganha capelinha no quintal de Leomar

Devoto de Nossa Senhora Aparecida, ele construiu o santuário para proteger a casa e em homenagem ao pai e irmão que partiram

Por Alana Portela | 28/04/2020 06:57
Leomar Soares rezando o terço em frente à capelinha que construiu para Nossa Senhora Aparecida. (Foto: Paulo Francis)
Leomar Soares rezando o terço em frente à capelinha que construiu para Nossa Senhora Aparecida. (Foto: Paulo Francis)

Presente do irmão, Nossa Senhora Aparecida ganhou capelinha simbólica no quintal da casa de Leomar Soares, em Campo Grande. Aos 45 anos, ele é professor de Educação Física e devoto da santa desde menino. Num bate-papo com o Lado B, recorda da época que a família abraçou a padroeira para ser abençoada por seu manto.

“Meu pai, Amador Soares, faleceu com câncer no rim, em 1986. Mas, antes dele ter a crise, estava formando uma chácara em Piraputanga, onde, na divisa com o distrito de Camisão, tem uma santa. Lembro de acompanhar ele na procissão, quando tinha meus 8 e 10 anos”.

Leomar segurando a santa durante a procissão que aconteceu em 2010 em Piraputanga. (Foto: Arquivo pessoal)
Leomar segurando a santa durante a procissão que aconteceu em 2010 em Piraputanga. (Foto: Arquivo pessoal)

Leomar volta ainda mais no tempo, lembra do ano que nasceu, em 1974. “Dois anos depois, meu pai teve a primeira crise renal. Naquela época, ele e minha mãe fizeram promessas à santa”. Fé nunca faltou na família e para conseguir a benção, Amador levou a esposa e os filhos para conhecer o santuário da santa em Aparecida do Norte- SP.

“Ele era ferroviário, colocou todo mundo no trem e viajamos até lá”, recorda. Depois, a família retornou para Mato Grosso do Sul e nunca mais esqueceu desse momento. Com o tempo, passaram a construir capelas no quintal das casas para fortalecer a fé.

“É tradição na família ter uma capelinha, na chácara ou em casa. Em 2014, já tinha esse desejo de construir o espaço. Na época, meu irmão, Luiz Carlos, tinha pedido para fazer uma de pedra na casa da nossa mãe, em Piraputanga. Até comecei, mas não consegui terminar”, conta.

Um ano depois, seu irmão faleceu devido ao câncer. “Também teve essa doença”, lembra. Mas antes de partir, Luiz Carlos presenteou o irmão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. “Sempre foi nossa santa de devoção, representa proteção e amor”, destaca Leomar.

Leomar colocando o retrato de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na capela. (Foto: Paulo Francis)
Leomar colocando o retrato de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na capela. (Foto: Paulo Francis)

Agora, nesse período de isolamento, sem ter como dar aula, Leomar resolveu aproveitar o tempo para retomar o antigo projeto e construção. “Como estamos passando por isso, resolvi ocupar o tempo de forma útil e fazer também no quintal da minha casa. É um momento de refletir mais sobre a vida”.

A capelinha ainda não foi totalmente concluída. “É bem simples, utilizei madeiras, telhas e tijolos antigos que tinha aqui. É tudo material reutilizável, de uma reforma antiga que a gente estava guardando. Agora, falta envernizar”, adianta.

Foto feita em Aparecida do Norte, em 1976. No fundo, dona Irene à esquerda ao lado do marido, Amador Soares, com Leomar nos braços e Cida Colussi. Na frente, Luiz Carlos à direita ao lado do irmão Levino e na ponta esquerda a irmã Luzia. (Foto: Arquivo pessoal)
Foto feita em Aparecida do Norte, em 1976. No fundo, dona Irene à esquerda ao lado do marido, Amador Soares, com Leomar nos braços e Cida Colussi. Na frente, Luiz Carlos à direita ao lado do irmão Levino e na ponta esquerda a irmã Luzia. (Foto: Arquivo pessoal)

O pequeno santuário também ganhou um retrato de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e fica do lado de um trilho de trem, em homenagem ao pai. “Como era ferroviário, fiz em alusão a estação de trem porque antigamente, existiam essas pequenas estações”.

Por ali, ele já consegue fazer suas preces e, com o terço na mão, agradecer a ajuda da santa. Quando o período de isolamento acabar, Leomar deseja reunir a família e amigos para rezar em volta da capelinha. “É tradição fazer um almoço, churrasco e oferecer o terço. A santa está numa posição estratégica, para proteger nossa casa. O manto dela cobre de amor os devotos”.

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A capelinha foi construida ao lado de um trilho de trem, em homenagem ao pai de Leomar. (Foto: Paulo Francis)
A capelinha foi construida ao lado de um trilho de trem, em homenagem ao pai de Leomar. (Foto: Paulo Francis)