Artista pantaneira leva onça-pintada para mural de 30 metros
Aos 23 anos, artista de Corumbá já entregou obras a famosos e agora encara novo desafio em SP
Do desenho feito na infância aos murais gigantes, Tahanny Lopes de Mello, ou simplesmente “Tahanny”, vem transformando as referências de Corumbá em arte. Aos 23 anos, a artista visual pantaneira já espalhou telas por diferentes lugares do Brasil e, agora, encara um dos maiores desafios da carreira: pintar um mural de 30 metros em São Paulo.
RESUMO
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A encomenda é para a marca mundial e colocou a artista em uma rotina puxada. São cerca de 7 a 8 horas por dia trabalhando em pé, durante aproximadamente 15 dias de produção. O trabalho está na metade e ainda vem pela frente a parte que vai exigir andaimes e um equipamento maior.
“Essa aqui é um baita desafio, são mais ou menos 15 dias de produção, precisei vir a São Paulo, estamos nesse momento na metade do processo. Ainda vamos chegar na parte que precisarei de andaimes e um equipamento maior”, conta.
Se hoje a escala é de 30 metros, a história começou bem menor. Tahanny lembra que passou a infância entre tintas, desenhos, artesanatos, costuras e colagens. Há poucos dias, inclusive, recebeu da mãe uma foto de um desenho antigo, daqueles que mostram que a vontade de criar já estava ali há bastante tempo.
“Tenho muitas memórias pintando e desenhando na infância e esse amor começou muito cedo. Sempre fiz muitas coisas relacionadas a artesanatos, costura, colagem. Tudo isso contribuiu muito com o repertório que eu tenho hoje.”
Na tela, o caminho escolhido foi o realismo contemporâneo, misturando realismo com técnicas abstratas, texturas e cores. Mas, mais do que uma técnica, a artista encontrou na pintura um jeito de carregar Corumbá e o Pantanal para onde vai. “Tenho muito orgulho das minhas raízes e de onde venho”.
Há 2 anos, Tahanny vem construindo a carreira artística por aqui com a ideia de levar a cultura pantaneira para outros lugares e fazer com que mais gente conheça e reconheça a riqueza da região. Hoje, ela também está construindo um acervo voltado à cultura do Pantanal.
Entre as obras que têm um espaço especial no coração da artista estão “A Herança” e “Guardiã do Pantanal”. A primeira traz uma mulher amamentando, figura que, para Tahanny, representa a mulher forte e presente no cotidiano de Corumbá. Ao lado dela aparecem azulejos portugueses, criando um contraste que convida a pensar sobre aquilo que é deixado de uma geração para outra.
Já em “Guardiã do Pantanal”, a protagonista é a onça-pintada. O animal aparece como símbolo da fauna e da própria identidade pantaneira, associado à força e à vitalidade. O sol também ganha destaque e faz referência a Corumbá, ao calor, à intensidade e à alegria que a artista associa à cidade.
“As duas obras são no realismo contemporâneo, também explorei bastante a textura, que é uma característica que gosto muito de trabalhar.”
E se a arte nasceu nos cadernos da infância, hoje também já rendeu encontros que parecem daqueles que a gente guarda para contar. Tahanny já entregou pinturas ao cantor Luan Pereira, há cerca de um ano, e recentemente ao Ferrugem.
“É muito especial quando o nosso trabalho nos permite conhecer e trabalhar com pessoas que admiramos. Para mim, cada uma dessas obras representa um pouco daquilo que quero construir como artista, valorizar a minha região, a cultura pantaneira e, ao mesmo tempo, levar essa arte.”
A artista já realizou pequenas exposições e atualmente trabalha com a venda de obras originais e reproduções. No caminho, esbarra em uma dificuldade comum para quem está começando: encontrar espaço para mostrar o que faz.
“Muitas vezes, novos artistas têm trabalhos e projetos importantes, mas ainda encontram dificuldades para acessar espaços de exposição, conseguir apoio e fazer com que sua produção chegue a públicos maiores.”
Por isso, Tahanny também olha para os artistas que estão começando junto com ela e diz ter grandes ambições para a própria trajetória. Ela acredita na força da nova geração daqui do Estado.
“Ampliar a visibilidade e criar mais oportunidades para esses artistas é fundamental para valorizar a produção artística regional e mostrar a riqueza e a diversidade da arte que está sendo construída aqui.”
Enquanto o mural cresce em São Paulo, existe ainda uma saudade que não aparece na pintura. Tahanny é mãe e conta que ficar longe do filho e da família aperta o coração.
“Eu sou mãe, então o coração também aperta de ficar longe do meu filho e da família. Mas são coisas que vamos aprendendo a lidar com o tempo.”
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