ACOMPANHE-NOS    
JUNHO, QUINTA  04    CAMPO GRANDE 18º

Artes

Com a cidade "respirando" medo, até Manoel de Barros usa máscara

Estátua de bronze de Manoel de Barros na Afonso Pena apareceu com proteção contra vírus neste domingo (29)

Por Lucas Mamédio | 29/03/2020 16:50
Manoel sentado em seu "buraco" esperando coronavírus passar (Foto: Paulo Francis)
Manoel sentado em seu "buraco" esperando coronavírus passar (Foto: Paulo Francis)

Se vivo estivesse, o maior poeta pantaneiro de todos os tempos, Manoel de Barros, teria que estar tomando cuidado com o novo coronavírus. Ele estaria com 103 anos, no grupo de risco, portanto.

Tendo nos deixado em 2014, Manoel foi homenageado com uma estátua de bronze instalada na Avenida Afonso Pena em 2017, que neste domingo (29) apareceu usando máscara descartável, a exemplo de muita gente em Campo Grande e no mundo todo. A “brincadeira” é alusão clara ao momento de cuidado extremo para evitar o contágio pelo novo coronavírus

Na obra do artista plástica Ique Woitschacg, Manoel está sentado em seu sofá, ao qual chamava de “meu buraco”, onde ficava horas sentado processando a realidade ao seu modo, peculiar modo. Onde ele vivia sua quarentena particular, já que pouco saia de casa.

Hoje, só os ohos de Manoel sorriram (Foto: Paulo Francis)
Hoje, só os ohos de Manoel sorriram (Foto: Paulo Francis)

De sorriso fácil e tímido, agora Manoel se expressa apenas com os olhos, porque a boca, está sob acessório tão mundano. Assim como poeta chamou o curso do rio que passava atrás de sua casa, a “enseada”, de “cobra de vidro mole”, acho que ele não chamaria isso de “máscara descartável”, mas de ”tampador de sorriso frouxo”.

Para ele, a palavra “enseada” empobreceu a imagem do rio. Para nós, a máscara tira o significado único de cada face. No meio da pandemia, o medo é de todos nós, até do poeta em forma de bronze.

Mande pelas redes sociais do Lado B, no Facebook e no Instagram, e-mail: ladob@news.com.br ou no Direto das Ruas através do WhatsApp do Campo Grande News (67) 99669-9563.