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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

08/07/2018 07:50

De São Paulo para Campo Grande, o cartunista e muralista Fabio Q. vem pra somar

Thaís Pimenta
De São Paulo, Fábio começou a grafitar em 1993 e agora está morando em Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)De São Paulo, Fábio começou a grafitar em 1993 e agora está morando em Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)

Diretamente de São Paulo, uma das referências em grafitti, quadrinhos e artes plásticas desembarcou de vez por aqui, e está morando em Campo Grande desde dezembro do ano passado. Fábio Q, como é conhecido, já está ministrando oficina de quadrinhos no Centro Cultural José Octávio Guizzo (CCJOG), já pintou murais no bar Brava e lançou sua última publicação, a HQ "Onírica", no mesmo local.

Já são mais de 7 meses em território sul-mato-grossense e o artista se sente feliz em poder, pouco a pouco, contribuir com a cena artística regional. "Aqui tem muitos talentos, alguns emergentes, que sentem a necessidade de profissionalização e de espaço para mostrar seu trabalho", diz ele. 

Com a energia e experiência de quem tem dois contos em formato de fanzine e duas HQs lançadas, a "Onírica" e "Janela da Alma". Já com o pseudônimo Efe Queiroz, ele lançou a HQ infantil "Nessa Arca Tem Bicho" com a escritora Rubia Sibele.

Mural na 23 de maio, centro de São Paulo, que já está apagado por Doria. (Foto: Acervo Pessoal)Mural na 23 de maio, centro de São Paulo, que já está apagado por Doria. (Foto: Acervo Pessoal)

Como muralista, Fábio tem trabalhos assinados com a Adidas, Greenpeace, MTV, Nescau, além de já ter pintado a 23 de maio, centro de São Paulo, a Favela Galeria, o túnel da Avenida Paulista com o tema dos 100 anos da imigração japonesa, e diversos outros pontos importantes para a cultura urbana.

Renovar a cena por aqui, trazer uma visão além do comum, é a missão que tem sentido nesse começo de vida nova na Capital, ao lado de sua esposa. "Nasci em São Paulo, morei quase que minha vida toda lá e tem uma hora que a cidade te desgasta mesmo. Minha esposa é de Campo Grande, já vinha pra cá a passeio há pelo menos oito anos e em 2017 decidimos por nos mudar".

A procura pela oficina no CCJOG, com turmas lotadas e fila de espera de oito pessoas prova que tem muita gente afim de se profissionalizar ou de aprender, nem que seja por hobby, à construir uma narrativa em quadrinhos.

"São alunos entre 14 e 30 anos, alguns já tem um traço próprio definido e outros estão começando a entender o processo. Eu busco, antes de tudo, desvencilhar a ideia de que só existe quadrinhos de super-herois de grandes editoras como DC e Marvel. Pra muita gente, assim como foi pra mim, esse é o primeiro contato com as publicações, mas eu busco introduzir o tema da autopublicação independente, e dos prêmios mundiais que chegam às mãos de profissionais brasileiros".

Capa de sua última HQ.Capa de sua última HQ.
Em seu interior, os traços de Fábio.Em seu interior, os traços de Fábio.

Diferente destes alunos com os quais tem contato, Fábio começou a fazer quadrinhos depois de se encontrar no grafitti. Nascido na favela de São Mateus, ele até tinha acesso aos quadrinhos da época, mas na efervescência do rap nacional e da cultura urbana como todo, o acesso à arte por meio do que existia na rua foi mais fácil.

"Eu sempre desenhei e gostei muito de quadrinhos. Mas o colégio público não incentivava a literatura, por exemplo. Eu me lembro da primeira experiência com um livro na mão. Foi incrível. Porém o acesso a uma biblioteca pública demandava que eu tomasse condução, gastasse dinheiro, um dinheiro que nem eu nem minha família tínhamos. Então a rua me introduziu à arte pelo graffiti e sou grato a isso".

Favela Galeria, em São Mateus, e seu mural gigante. Favela Galeria, em São Mateus, e seu mural gigante.

Os imensos paineis coloridos enchiam a cinza São Paulo de vida. Observá-los e categorizá-los era parte de sua rotina. O primeiro prêmio de grafitti na 2ª Mostra de Grafitti do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, vencido junto com seu primo, fez Fabio querer entrar de vez no mundo das tintas e sprays.

"Ali eu tive contato com grandes artistas, como os Gêmeos e o Speto. No começo eu fazia grafitti pra me descobrir. Entender as possibilidades de técnica, melhorar os traços, só depois de muito tempo eu passei a criar a minha identidade de desenho".

Até hoje o rap é seu maior influenciador na arte. "Faz parte da minha essência", como melhor define o artista.

Mas, obviamente, novas ideias passaram a interessar Fabio, que mergulhou em temas como mitos, religiões e arte raiz. Esses pontos ficam mais expostos no trabalho como artista, que consegue incluir essas simbologias em seus desenhos e contos.

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