Dos ingressos de papel às redes, Pedro viu o público de Campo Grande mudar
Desde os anos 1980, produtor traz espetáculos e hoje divide a missão com o filho Jamelão

Quando Pedro Silva começou a trazer espetáculos para Campo Grande, ingresso era de papel, cenários viajavam com apoio de transportadoras e companhias aéreas e nomes que marcaram o teatro e o humor brasileiro circulavam pelos palcos da cidade. Mais de quatro décadas depois, ele continua fazendo a mesma coisa, mas para um público que mudou bastante.
Nesta quarta-feira (23), Pedro e o filho, conhecido como Jamelão, visitaram o Campo Grande News, parceiro da produtora há mais de dez anos. A conversa começou com o próximo espetáculo de Oswaldo Montenegro e acabou virando uma viagem pela história dos eventos culturais em Campo Grande.
Neste sábado (26), Oswaldo apresenta “A Dança dos Signos”, às 20h, no Palácio Popular da Cultura. Criado originalmente na década de 1980, o espetáculo atravessou gerações e retorna aos palcos em uma nova turnê.
Pedro também atravessou essas décadas trabalhando nos bastidores. Ele chegou a Campo Grande em 1980, vindo do Paraná, e já tinha experiência como radialista e produção de eventos. Em 1983, começou a trabalhar com espetáculos na cidade. Uma das primeiras peças foi “Quando o Coração Floresce”, com Carlos Zara.
Como ainda estava começando no mercado local, precisou primeiro conquistar a confiança do ator.
“Eu não era conhecido na época. O Carlos Zara fez eu pagar uma passagem pra ele, pra ele vir me conhecer e conhecer o teatro”, lembra o produtor cultural Pedro Silva.
Pedro buscou Zara no hotel e o levou para conhecer o Teatro Glauce Rocha. Era preciso mostrar pessoalmente que Campo Grande tinha espaço e público para receber a produção.
A partir dali vieram centenas de espetáculos. Pedro calcula que, entre 1983 e o fim de 2018, participou da realização de cerca de 400 peças de teatro na cidade. Hoje esse número já foi superado.
Pelos palcos passaram diferentes gerações de artistas. Pedro lembra-se do tempo de Chico Anysio, Costinha e Jô Soares, mas acompanhou também a transformação do entretenimento e o surgimento de novos formatos.
Hoje, ao lado de Jamelão, passou a observar também artistas que construíram grandes públicos nas redes sociais. Nomes como Cíntia Chagas e Felipe Theodoro entraram nessa nova fase da agenda.
Pedro guarda lembranças de quando os ingressos eram impressos e vendidos em pontos físicos. Hoje, segundo ele, cerca de 95% das vendas são feitas pela internet. A divulgação também deixou de depender apenas dos meios tradicionais e passou pelas redes sociais.
A logística dos espetáculos também mudou. No começo da carreira, Pedro lembra que havia apoio de empresas de transporte e companhias aéreas para levar artistas e cenários até Campo Grande.
Mesmo com tantas transformações, a rotina continua movimentada. Pedro e Jamelão trabalham atualmente com uma média de 18 a 20 eventos por ano, entre shows, teatro, atrações infantis e outros formatos.
E são décadas de estrada suficientes para fazer o nome de Pedro aparecer até fora de Mato Grosso do Sul.
Durante a visita, a fundadora do Lado B, Ângela Kempfer, lembrou de uma viagem ao Rio de Janeiro. Em um bar de Ipanema, ela conversava sobre Campo Grande quando um homem de outra mesa ouviu o nome da cidade e perguntou se ela conhecia Pedro Silva.
O desconhecido era produtor teatral e começou a lembrar das vezes em que havia trabalhado com Pedro em Campo Grande. A história virou mais uma entre tantas acumuladas desde 1983.
Agora, pai e filho continuam olhando para as próximas atrações e para as mudanças de comportamento do público. Os nomes e a maneira de comprar ingresso mudaram, mas Pedro segue fazendo o que começou há mais de 40 anos: tentando aproximar Campo Grande dos artistas que o público quer ver. "Vamos continuar trazendo cultura a Campo Grande. Já temos agenda até o fim do ano e muitas surpresas para 2027. Podem esperar", finalizou, Pedro Silva.

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