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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

24/06/2018 11:17

Estado providencia traslado de Ilton Silva e sepultamento deve ser terça

Corpo deve sair amanhã de Santa Catarina, onde artista plástico morreu

Ângela Kempfer
Ilton mostra uma de suas obras, durante reportagem do Lado B em 2015. Ilton mostra uma de suas obras, durante reportagem do Lado B em 2015.

Corpo de Ilton Silva só deve chegar em Campo Grande na segunda-feira. O Governo de Mato Grosso do Sul assumiu a responsabilidade pelo traslado do artista plástico, que faleceu na madrugada de sábado (23), em Joinville (SC).

Sul-mato-grossense, nascido em Ponta Porã, Ilton morava com os 4 filhos há 23 anos em Santa Catarina, na cidade de Itapoá, e há 5 dias estava internado com quadro de pneumonia e anemia grave. A previsão da saída do corpo é de amanhã ao meio-dia e de sepultamento na terça.

O governo também ofereceu a sede do Marco (Museu de Arte Contemporâneo) para velório de Ilton Silva, um dos maiores nomes das artes plásticas em Mato Grosso do Sul.

Desde ontem, várias manifestações de afetos a Ilton foram publicadas nas redes sociais, inclusive, na página oficial do governador Reinaldo Azambuja. "A cultura sul-mato-grossense se despede hoje de um grande artista plástico, Ilton Silva. Filho de Conceição dos Bugres, suas obras, de cores vivas, e sua trajetória ficarão marcadas para sempre na história de nosso estado. Com sua arte, levou o nome de MS além das fronteiras e se consagrou internacionalmente. Aos familiares, deixo o meu abraço neste momento de tristeza. Que Deus conforte o coração de vocês".

Fãs do artista chegaram a abrir uma campanha para arrecadar recursos para o traslado, mas imediatamente o governo assumiu os custos. Na página oficial de Ilton no Facebook, os administradores dizem que não há "ainda data e hora exatos, que serão divulgados posteriormente".

Ilton morre aos 75 anos. Filho de Conceição dos Bugres, veio para Campo Grande aos 13 anos e contava que entendeu que tinha a pintura como vocação ao arriscar desenhos no chão e em pedaços de madeira.

Conceição era grande na criação de seus bugres, mas o reconhecimento nunca veio em forma de dinheiro para a família. Ilton então precisou ser engraxate e vendedor de queijo, até ganhar os primeiros trocados com os quadros que produzia e também como entalhador e escultor.

Nas telas, mulheres de cabelos negros volumosos tinham a mãe dele como inspiração, ganharam cores e viraram uma das principais marcas de Ilton Silva. Autoditada, foi visto em galerias nos EUA e Europa.

Na última "exposição" por aqui, em 2016, ficou durante uma semana em Campo Grande, com sua série mais famosa, "Cores e Mitos". Como fazia há mais de 40 anos, ocupou um quarto cedido no Hotel União. "Meu interesse é vender, senão vendo, não como, não pinto, não faço mais nada", justificou em reportagem ao Lado B.

 



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