Horror em animação feito por sul-mato-grossense estreia em festivais
Curta aborda violência contra mulheres e universo circense em obra de cineasta de Dourados

Uma mulher sozinha em um ponto de ônibus, à noite, encurralada por uma situação de perigo. É nesse cenário desconfortável que começa “Paty”, curta-metragem de animação da diretora e roteirista sul-mato-grossense Maria Luiza Staut, que agora inicia sua trajetória em festivais de cinema no Brasil e no exterior.
Misturando horror psicológico, violência urbana e uma palhaça misteriosa, o filme foi definido pela curadoria do GASP! Horror Film Festival, do Reino Unido, como “um horror corporal brilhantemente repulsivo”. O curta será exibido no festival britânico no dia 28 de junho e é um dos dois únicos filmes brasileiros selecionados para a edição deste ano.
Antes disso, “Paty” também passa pelo FITZ (Festival Inovador Talvez de Cinema), realizado em Imperatriz (MA), entre os dias 19 e 23 de maio, dentro da mostra “Adjetivo Terror”.
O filme foi produzido de forma totalmente independente e ganhou vida pelas mãos da própria Maria Luiza. Os desenhos, cenários, cores, animação 2D e até o design de som foram desenvolvidos pela diretora, que transformou a ideia em um conto de horror marcado por figuras femininas e violência.
A personagem principal nasceu da paixão da cineasta pelo universo dos palhaços e circos. Entre as inspirações estão o personagem Art, the Clown, da franquia Terrifier, além de clássicos sobre mulheres reagindo à violência masculina, como Carrie e Gone Girl.
Na visão da diretora, o curta surgiu quase de forma intuitiva. “Paty é um filme que surgiu de forma quase espontânea a mim. A história simplesmente apareceu, há alguns anos, já bastante formada na minha cabeça”, conta.
Maria Luiza também explica que sempre teve fascínio pela figura do palhaço no horror. Segundo ela, o livro It foi decisivo para despertar esse interesse ainda na adolescência.
“Eu tinha 15 anos quando li ‘It – A Coisa’ pela primeira vez. Aquela história de um alienígena metamorfo que escolhe se manifestar como palhaço mudou algo em mim”, relembra.
Outro desafio, segundo a diretora, foi fazer um filme de terror em animação sem que ele parecesse infantil. “O grande desafio do horror em animação 2D é não deixar que o formato pareça infantil”, explica.
Para construir essa estética mais sombria, ela buscou referências em produções animadas voltadas ao público adulto, como Hazbin Hotel e o longa The Suicide Shop.
Apesar da atmosfera universal, o curta também carrega detalhes de Dourados, cidade natal da diretora. Alguns elementos urbanos usados nos cenários foram inspirados diretamente na cidade, mesmo sem deixar o regionalismo explícito.
Formada em Cinema pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e mestra em Cinema e Artes do Vídeo pela Unespar (Universidade Estadual do Paraná), Maria Luiza atualmente pesquisa o horror brasileiro dirigido por mulheres e estuda a monstruosidade feminina na literatura latino-americana no doutorado em Letras da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
“Paty” é o segundo trabalho da diretora. Antes, ela codirigiu a animação Cuidado com a Cuca. Desde 2024, também integra a curadoria do Djanho! – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Curitiba.
Assista ao teaser abaixo
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