A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 19 de Outubro de 2019

12/09/2018 08:19

Produzido aqui, filme "Crime Barato" quer falar com pais de homossexuais

Crime Barato é sobre pessoas que precisam se reapresentar ao mundo todos os dias para serem vistas como realmente são.

Kimberly Teodoro
Cena do filme em que Lizandra atua como uma manicure que saiu da prostituição (Foto: Divulgação) Cena do filme em que Lizandra atua como uma manicure que saiu da prostituição (Foto: Divulgação)

O longa-metragem "Crime Barato", do diretor Mhiguel Horta, quer ir além de um roteiro sobre o universo LGBT ou de personagens estereotipados com trejeitos e falas engraçadas. O filme pretende romper com o histórico de usar a experiência das minorias, sem de fato incluí-las no processo, como é o caso de muitos papéis de transsexuais interpretados por atores héterossexuais cisgêneros.

Aí está a representatividade do filme, todos os atores em papéis principais são da comunidade LGBT, como é o caso dos papéis de Lizandra, mulher trans, e Carlos Eduardo homem trans. 

No papel de uma manicure que saiu da prostituição, Lizandra diz que existem realidades diferentes dentro do mesmo universo e que mesmo não vivendo exatamente a mesma situação na vida real, se sente ligada a situação da personagem pelo preconeito. Para ela a importância de ser escolhida para um papel de mulher transsexual é justamente  abrir os olhos da sociedade para que as pessoas enxerguem que transsexuais são como qualquer outra pessoa, atuam, dançam, cantam e são artistas tão completos quanto qualquer outro e estão aptos a assumir o protagonismo da própria história.

 

 

Cartaz do filme Crime Barato, estreia quinta-feira (13) no Museu da Imagem e do Som (Foto: Divulgação)Cartaz do filme Crime Barato, estreia quinta-feira (13) no Museu da Imagem e do Som (Foto: Divulgação)

Carlos Eduardo interpreta um dono de uma boate, galanteador e de mesmo nome. A missão do personagem que com a mesma identidade de gênero é falar das dificuldades nos relacionamentos que esse grupo enfrenta. Na cena ele dá em cima de uma mulher cisgênero, que rejeita o pretendente por ser transsexual.

Apesar de tímido na vida real, o verdadeiro Carlos Eduardo não encara o papel como um desafio, já que para ele um desafio é uma coisa difícil falar de problemas reais na vida amorosa de homens trans foi natural.

"Conversamos muito antes do Mhiguel criar a cena, tive liberdade para falar sobre o assunto e opinar. Ele perguntou sobre a minha vivência, qual era o maior problema, questões de saúde, preconceito, dificuldades e relacionamento. Como a base do filme são os relacionamentos, ele usou os relatos para seguir por essa vertente", explica Carlos que só aceitou participar do filme por acreditar na credibilidade do projeto e na visibilidade para as situações vividas por pessoas trans que virá com a repercussão do filme.

"Acredito que será um filme muito criticado, mas é uma vivência real. Não é porque um trans, um travesti prefere ir para rua, não. Muitas vezes são pessoas que não são contratadas e não têm espaço no mercado de trabalho, a única coisa que sobra é trabalhar como garoto de programa, então é pesado", adianta Carlos.

Carlos Eduardo interpreta um dono de boate galanteador que leva o mesmo nome. (Foto: Divulgação)Carlos Eduardo interpreta um dono de boate galanteador que leva o mesmo nome. (Foto: Divulgação)

O cineasta revela que a construção do roteiro, muitas vezes é acompanhada do rosto das pessoas que darão vida aos personagens. No caso dele, escolher o elenco também foi natural, e pessoas reais apenas ocuparam seu devido espaço

"Meu filme só quer dizer respeito, é sobre mostrar para as pessoas o quanto elas podem aceitar e ter um ganho com isso. Indico meu filme principalmente para pais com filhos homossexuais e que não conseguem lidar com essa situação", explica.

Por que ainda é importante falar disso? "Porque essa questão LGBT, vem passando por transformações no mundo inteiro. Há quem comemore e diga que já se conquistou tudo, mas não é verdade, há muito preconceito atrelado, o que eu procuro mostrar é que esse é um assunto que não pode ser esquecido", diz.

Crime Barato é sobre pessoas que precisam se reapresentar ao mundo todos os dias para serem vistas como realmente são. Os protagonistas são interpretados pelos atores João Pedro Xavier, na pele de Michael, e Diogo Adriani que interpreta Elias, um casal que ao longo da trama vê os conflitos pessoais interferirem no relacionamento, falando também das relações familiares, amigos e cotidiano. Tudo pensado para trazer luz ao tema, que em 2018 ainda precisa de discussão e representatividade. 

João Xavier diz que produção lança um olhar mais cuidadoso em relação sobre a temática, que além de assuntos LGBT também fala sobre drogas e prostituição, com ênfase na questão de não ser um mundo do qual se escolhe fazer parte. Apesar de não tratar tão profundamente de todas as questões, o filme tenta "dar uma pincelada" da história inspiração para o filme, que é quase bibliográfica.

Atuando em filmes desde 2010, Diogo Adriani conta que é a primeira vez que trabalha em uma produção que tem a seriedade que o assunto merece, ele já participou de alguns espetáculos de teatro em 2011 com cenas fragmentadas, aquelas cenas que não seguem o padrão de início, meio e fim, o papel de pessoa prestes a trocar de sexo, mas era um personagem caricato e voltado para a comédia. 

"Tanto eu, quanto o João, tentamos esquecer qualquer tipo de padrão e esteriótipo da sociedade, mais que contar, queríamos viver essa história", relata Diogo, que também chama a atenção para o fato de que algumas cenas apesar de serem consideradas fortes, só são "impactantes" porque apesar de serem situações que acontecem, as pessoas não veem e o principal trabalho do filme é apresentar esse mundo desconhecido para quem está de fora.

Crime Barato estreia nessa quinta-feira (13), no Museu da Imagem e do Som (MIS), localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, 3º andar às 19h, a entrada é gratuita. 

Curta o Lado B no Facebook e no Instagram.

Personagens centrais da trama, Michael e Elias vivem relacionamento conturbado em longa metragem sul-mato-grossense (Foto: Divulgação)Personagens centrais da trama, Michael e Elias vivem relacionamento conturbado em longa metragem sul-mato-grossense (Foto: Divulgação)
imagem transparente

Classificados


Copyright © 2019 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.