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Artes

Professor resiste ensinando arte que a cidade 'vendeu' para o varejo

Pintura da fauna de MS já foi cartão postal da cidade, mas hoje dá espaço para outdoors e propagandas

Por Idaicy Solano | 27/05/2024 07:31
Alunos do 5° ano de escola municipal de Bandeirantes recriam pinturas famosas de Cleir Avila (Foto: Arquivo Pessoal/Matheus Ribeiro)
Alunos do 5° ano de escola municipal de Bandeirantes recriam pinturas famosas de Cleir Avila (Foto: Arquivo Pessoal/Matheus Ribeiro)

Basta olhar para uma foto antiga da imensa onça pintada feita em um painel pelo artista plástico campo-grandense Cleir Avila para a nostalgia bater. Essa e outras pinturas do artista viraram tema de estudo em sala de aula que resgata a importância de uma época em que o Centro da cidade era cartão postal.

Depois da onça, surgiram outros seis painéis em vários prédios com imagens de papagaios, araras vermelhas e azuis, além de tuiuiús. Obras que perderam seu espaço para outdoors e painéis de led publicitários.

Na Avenida Afonso Pena, o local em que a pintura que foi cartão postal de Campo Grande por 22 anos está coberto por propaganda, por exemplo.

Em prédio onde onça famosa ficava, espaço agora está coberto por publicidade (Foto: Arquivo/Aléx Machado)
Em prédio onde onça famosa ficava, espaço agora está coberto por publicidade (Foto: Arquivo/Aléx Machado)

Na sala de aula 

A arte apagada pela cidade voltou a ser pautada em sala de aula de Bandeirantes, distante 58 quilômetros da Capital, pelo professor de artes Matheus Ribeiro.

Ele conta que começou a trabalhar a arte regional com os estudantes do 5° ano, introduzindo artistas importantes do cenário sul-mato-grossense como Conceição dos Bugres, Ilton Silva e Isaac de Oliveira.

As aulas consistem em trabalhar a parte teórica com a apresentação da biografia e fotos das obras dos artistas e depois a parte prática com releituras das obras.

Recentemente, ele decidiu trazer os trabalhos do artista plástico responsável pelas pinturas nos prédios do Centro de Campo Grande. Matheus conta que  trabalhou as obras dos prédios através de maquetes e desenhos.

“[Cleir] chamou muito a atenção dos estudantes, pois os mesmos já tiveram a oportunidade de ver suas obras espalhadas pela Capital Morena. Gosto muito de focar na cultura sul-mato-grossense e cultura pantaneira e o Cleir Àvila passa muito isso em suas obras”, conta.

O professor diz que quando o assunto é criação, os alunos se empolgam. Prova disso foram os resultados dos trabalhos entregues pelos pequenos. Matheus compartilha que os pais das crianças relatam que quando visitam Campo Grande com os filhos, eles sempre falam “olha lá mãe/pai, o professor Matheus trabalhou esse artista que fez essa pintura no prédio com a gente”.

“É importante eles verem que não existem apenas artistas que todo mundo já conhece, como Frida ou Van Gogh. Temos excelentes artistas que deixaram e deixam a sua história ilustrada no nosso estado e que fazem parte e representam nossa cultura”, completa o professor.

Pinturas um dia já foram cartões postais da cidade de Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal/Matheus Ribeiro)
Pinturas um dia já foram cartões postais da cidade de Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal/Matheus Ribeiro)

História apagada 

Matheus lamenta que as pinturas tenham sido substituídas para dar espaço ao varejo e propagandas, pois considera que isso “apaga a identidade cultural da cidade”. As pinturas expostas, segundo ele, representam a democratização da arte, pois estando disponível para todos verem, garantem que pessoas que não têm acesso à arte possam ter contato com a produção regional.

“As pinturas são um marco histórico e que embelezam a cidade e onde todos que passam pelos pontos possam ver e admirar. Muitas vezes, a arte está em locais onde algumas pessoas não têm acesso, como as pinturas e outras obras do Cleir estão expostas pela cidade. Acaba sendo acessível para que todos conheçam e admirem na rotina do dia a dia”, finaliza.

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