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Artes

Recado com arte faz até bueiro virar instrumento de alerta ambiental

Além do apelo visual, os equipamentos identificados recebem cestos para a retenção de resíduos

Por Maurício Ribeiro | 03/08/2021 09:45
Unidade piloto do Projeto Bueiro Ecológico instalada em Bonito. (Foto: Liliane Lacerda / Divulgação IASB)
Unidade piloto do Projeto Bueiro Ecológico instalada em Bonito. (Foto: Liliane Lacerda / Divulgação IASB)

O projeto Bueiro Ecológico está transformando a paisagem urbana de Bonito com arte e engenhosidade. A ideia é proteger os rios da região. Coloridos e munidos de frases de efeito, os "bueiros inteligentes", além de evitar materiais descartados de maneira incorreta, também provocam pensamento crítico e mudança de atitude.

Difundida Brasil afora, a ideia chegou a Bonito por uma parceria firmada entre o IASB (Instituto das Águas da Serra da Bodoquena) e Prefeitura Municipal, através das Secretarias de Meio Ambiente e Obras, transformando bueiros comuns em dispositivos que filtram as águas das enxurradas e retém resíduos, impedindo que cheguem à bacia do Rio Formoso e seus afluentes.

Inicialmente, o coração do projeto estava em cestos metálicos produzidos a partir de sobras de materiais de uma empresa de mineração que atua na região que eram colocados dentro das bocas de lobo. “Tiramos as medidas dos bueiros e passamos à empresa que produziu pra gente. Queríamos observar como funcionaria, porque não há uma padronização nas dimensões, cada bueiro tem um tamanho e, como são muito antigos, tem excesso de concreto dentro, resto de asfalto, estrutura enferrujada, então, precisávamos observar até para saber custos e como seria em períodos de chuva”, explica a diretora executiva do Instituto, Liliane Lacerda.

Apesar de se tornar um super bueiro com a instalação das cestas coletoras, por fora, esses bueiros modificados continuaram com a aparência de simples dispositivos para o escoamento das águas das chuvas, foi então que veio a ideia de trazer identidade visual e conscientização ambiental de uma vez só, com uma pitada de arte. “Nós precisávamos chamar a atenção das pessoas para o fato daquele bueiro ser diferente, para que possam refletir um pouco mais sobre seus atos e sobre o fato de que toda e qualquer ação dentro de casa impacta na qualidade dos rios".

"Ao noticiar sobre as águas turvas do Formoso, recentemente, muito se falou sobre a responsabilidade da área rural, como se fosse a única que causa danos aos rios, sendo que a área urbana provoca muitos problemas, principalmente, de contaminação”, pontua Liliane.

Com cores que remetem às águas bonitenses e a frase “O Rio Formoso começa aqui”, o trabalho de personalização é assinado por artistas da cidade, do projeto Duudoor, voluntários na produção do primeiro exemplar. “É uma forma, também, de valorizar os talentos locais. Depois do primeiro bueiro pintado, tivemos uma repercussão enorme, turistas vão lá, querem tirar fotos, elogiam. A pintura, sem dúvidas, tem cumprido o objetivo que é atrair a atenção das pessoas”, acrescenta a idealizadora.

Artistas trabalham na pintura da terceira unidade de bueiro ecológico, em Bonito. (Foto: Joari Ximenes)
Artistas trabalham na pintura da terceira unidade de bueiro ecológico, em Bonito. (Foto: Joari Ximenes)


Quase dois meses após a inauguração da unidade piloto, inaugurada no Dia Mundial do Meio Ambiente, na semana passada, foi feita a instalação do segundo bueiro e hoje (02), o terceiro começou a receber a pintura.

 Liliane conta que há previsão para a produção de mais 30 cestos para os próximos dias. Os custos dos dispositivos estão basicamente nos valores das tintas, no trabalho dos artistas e na instalação. “A cidade abraçou o projeto. Pessoas nos procuraram interessadas em ajudar com custos das tintas, com o trabalho dos artista, por exemplo. A mineradora também segue como parceira, fabricando e doando os cestos metálicos”, conclui.

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