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Campo Grande, Sábado, 14 de Dezembro de 2019

14/11/2019 07:37

Sem apoio por ser mulher, Paty meteu a cara e as cores para brilhar na tatuagem

Thailla Torres
Paty tatuando em seu estúdio, em Campo Grande. (Foto: Arquivo pessoal).Paty tatuando em seu estúdio, em Campo Grande. (Foto: Arquivo pessoal).

No universo da tatuagem, a técnica ‘full collor’ possui um efeito fantástico na combinação de cores. Mas, nas mãos da campo-grandense Patrícia Miranda de Oliveira, de 28 anos, conhecida como Ladys Paty, o trabalho produzido no estilo ganha um traçado único. Há meses ela vem se destacando pelos desenhos ultra coloridos, que também significam resistência em um meio que o que tem de descolado, tem de machista.

Nos últimos anos ela se tornou uma referência no estilo, é premiada em diversas categorias, mas, especialmente no ‘full Collor’, ganhou prêmio de melhor tatuagem "New School" em um evento internacional realizado no Paraguai.

As técnicas de trabalho chamam atenção em desenhos coloridos que parecem pincelados e tonalidades incomuns. Inclusive, tonalidade é o que recebe um grande esforço da tatuadora que estuda e cria diariamente novas pigmentações. “Uma cor que fica bem na minha pele não ficará com o mesmo tom na pele de outra pessoa. Cada pele é única e tinta aparece de um jeito, por isso, é preciso ter técnica para entender de cores e também de pele, garantindo assim a cor perfeita e desejada pelo cliente”, explica Paty.

Tatuagem colorida bem sul-mato-grossense. Tatuagem colorida bem sul-mato-grossense.
Desenhos são realçados pelas cores. Desenhos são realçados pelas cores.

E a dedicação não nasceu por acaso. Paty conta que amava desenhos ainda na infância. “Minha avó tinha escola, minha mãe é professora e no meu tempo vago eu ficava desenhando, era o meu passatempo. E eu sempre gostei de estudar muito a cor”.

Na adolescência decidiu que cursaria Artes Visuais. Depois de formada se dedicou a ensinar em escolas públicas e particulares de Campo Grande e, desde então, passou a pensar na tatuagem. “O meu interesse começou há seis anos, mas até eu estar pronta para tatuar, posso dizer que tatuo há quatro anos”, lembra.

Paty demorou em migrar do papel para a pele. “Preferi estudar outras superfícies antes de pegar a pele e foi assim que acabei me aperfeiçoando. Pra mim a tatuagem sempre foi sinônimo de muita responsabilidade. Só tatuei quando me senti segura do que estava fazendo”.

Ela diz que sempre gostou de trabalhar com tudo, desde o desenho mais ornamental até o full color, mas não nega que as cores tem um espaço especial no coração. “O colorido sempre me encantou”.

A galera tem medo de arriscar uma tatuagem colorida porque nem todo mundo tem o domínio da técnica, e não é por menos. Paty é minuciosa no trabalho e leva o tempo que for necessário para que o desenho saia perfeito. Referente à cor, precisa estar “viva” na pele. “Com aquele aspecto forte e que não deixa dúvidas que estará sempre assim desde que haja cuidado”, explica.

A combinação de cores também chama atenção. A combinação de cores também chama atenção.
E até quando são poucas cores, a tonalidade é o que surpreende. E até quando são poucas cores, a tonalidade é o que surpreende.

Mas isso requer muito estudo, ensina. “É necessário estudar todos os dias e isso também exige muita técnica no papel antes de ir para a pele. Sem contar que é um trabalho muito mais caro e desafiador”, conta.

Além do investimento em estudo, Paty enfrenta ‘um leão por dia’ para ser tatuadora em Campo Grande, principalmente, porque muita gente fecha as portas para a mulherada. “Não vemos tantas tatuadoras no mercado porque elas desistem. Ainda é um meio muito machista”, lamenta.

Ela sente o peso do machismo no dia a dia e, às vezes, durante competições. “Eu sinto a diferença nos olhares das pessoas que duvidam que eu seja capaz de fazer o meu trabalho. Às vezes é capaz de um homem com um trabalho bem inferior levar um prêmio só para que uma mulher não ganhe. Parece que não, mas isso acontece”, conta.

No começa ela conta que recebeu ajuda de poucos amigos, os demais tatuadores nunca deram muito espaço. “Comecei praticamente sozinha e tive que aprender sozinha mesmo, estudar o máximo para me aperfeiçoar, mas quase todas as tatuadoras enfrentam isso, então me sinto pronta”, explica.

As horas de estudo são recompensadas com elogios e o crescimento da clientela a cada dia. “Tem sido muito surpreendente. Tenho muitas clientes mulheres, mas também maravilhosos clientes homens, e todos ressaltam que amam as minhas cores e isso me deixa muito feliz”.

O talento é tanto que ela passa para a pele tudo o que sabe, mas não se esquece de se renovar. “Tatuar é estudar o tempo todo, porque sempre surgem novas técnicas e precisamos nos reciclar”, explica.

Quem quiser conhecer o trabalho de Paty, o estúdio dela fica na Rua 13 de Maio, 1570, sala 4.

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Sem apoio por ser mulher, Paty meteu a cara e as cores para brilhar na tatuagem
Sem apoio por ser mulher, Paty meteu a cara e as cores para brilhar na tatuagem
Paty (à esquerda) foi premiada no Paraguai. Paty (à esquerda) foi premiada no Paraguai.
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