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Artes

Caminhão da Cultura quebra e orquestras improvisam apresentação

Por Ana Paula Carvalho | 06/11/2011 12:03
Orquestras improvisaram um sarau. (Foto: Divulgação)
Orquestras improvisaram um sarau. (Foto: Divulgação)

Uma apresentação improvisada. Foi isso que os jovens da Fundação Barbosa Rodrigues, sob o comando do maestro Eduardo Martinelli, e da Orquestra Folclórica Juvenil, do Paraguai, comandada pelo maestro Papi Gálan, tiveram que fazer na noite de ontem, na praça central do bairro Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande.

O evento,parte da programação do projeto “Encontros com a música clássica” da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), teria apresentações das duas orquestras e de Plínio Fernandes, de 17 anos, que veio de São Paulo para tocar violão clássico. Tudo estava programado. Motos com caixas de som foram contratadas para fazer a divulgação na região, emissoras de rádio anunciaram o espetáculo que estava previsto para acontecer às 20h na praça central, onde o Caminhão da Cultura seria o palco.

Por volta das 12h, o nervosismo tomou conta dos lideres da comunidade, porque o caminhão não chegou para ser montado. Uma assessora da Fundação entrou em contato com o presidente do bairro, Jânio Macedo, pedindo que tudo fosse cancelado porque o veículo havia quebrado e não teria como montar palco e iluminação no local.

Mas como cancelar um evento em cima da hora e acabar com a expectativa de tantas pessoas? A decisão do maestro Martinelli e dos jovens da orquestra foi a de homenagear o público que estava presente improvisando um “sarau iluminado pela luz da lua”.

“Nós sentamos em uma roda e fizemos um tipo de sarau e o público montou uma arquibancada humana. Não era isso que era para ser feito, mas não dava para cancelar. Nós vimos senhoras vestidas como se estivessem prontas para ir a um teatro”, diz o maestro.

Enquanto isso a Orquestra Folclórica Juvenil do Paraguai aguardava em um hotel. Quando Eduardo Martinelli ligou para o maestro Pipa e avisou o que estava acontecendo e disse que iria se apresentar em respeito ao público, ele disse que tinha vindo de longe para se apresentar e era isso que faria. Apenas o musicista paulista não conseguiu apresentar suas músicas.

“Quando o público viu que a orquestra Paraguaia também tocaria, eles aplaudiram muito e no fim ficou um clima muito íntimo”, afirma.

De acordo com o presidente do bairro, Jânio Macedo, aproximadamente 400 pessoas estiveram na praça prestigiando as apresentações. Foram duas horas de espetáculo. “Tinha gente do Coronel Antonino, do Centro, do Aero Rancho. Tinha gente de vários bairros”, afirma.

O diretor da Fundac, Roberto Figueiredo, afirmou que uma nova data será marcada para a apresentação da orquestra na comunidade e, que desta vez, será no Caminhão da Cultura. Ainda de acordo com ele, a apresentação de ontem não foi oficial e que só aconteceu porque o maestro Eduardo Martinelli atendeu ao pedido do público e aceitou se apresentar.

Segundo o diretor, não tinha o que ser feito porque o caminhão quebrou e não tinha tempo hábil para arrumá-lo. O projeto teve início na sexta-feira com apresentações na Praça do Rádio. Agora, elas acontecerão no Teatro Glauce Rocha. “Nós não podemos tirar o brilho do evento”, diz.