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Artes

Exposição surpreende com os jovens da arte contemporânea do Centro-Oeste

Por Elverson Cardozo | 19/03/2012 19:38
"Arte contemporânea não representa. Ela apresenta”, explica curador da mostra. (Foto: João Garrigó)
"Arte contemporânea não representa. Ela apresenta”, explica curador da mostra. (Foto: João Garrigó)

É arte contemporânea. Praticamente inexplicável. Se fosse possível explicá-la já não seria mais arte, não a contemporânea. “Seria representativa? Arte contemporânea não representa. Ela apresenta”. A explicação, que parece confusa, é do artista plástico goiano e curador independente Paulo Henrique Silva, de 33 anos, que trouxe a Campo Grande a mostra itinerante “Dialetos” – uma exposição sobre a relação homem-universo.

Instalada no Marco (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul), a exposição será aberta à visitação nesta terça-feira (19), às 19h30. Ao todo, 20 artistas participam da mostra, sendo 8 campo-grandenses, 4 vindos de Brasília (DF) e 8 de Goiás (GO).

Paulo Henrique explica que a mostra fala das relações dialéticas entre universo único, que é o mundo, com o homem que pode ser vários. Os trabalhos, conta o artista, também remetem aos problemas sociais. “É universal, mas cada um fala a sua maneira”, disse.

Da séria "Os fantasmas que habitam as casas modernistas. Desenho digitalizado impresso em vinil sobre PVC. (Foto: João Garrigó)
Da séria "Os fantasmas que habitam as casas modernistas. Desenho digitalizado impresso em vinil sobre PVC. (Foto: João Garrigó)

“Às vezes ele [o artista] está discutindo a mesma coisa que o outro do Distrito Federal, de Campo Grande, mas se apropria de signos de sua linguagem local”, completa.

A exposição foi dividida em duas partes. A primeira comporta trabalhos de pintura e instalações. Na outra, na sala ao lado, ficam as pinturas e os registros fotográficos.

As novas alternativas artísticas vão surgindo obra a obra, em mesclas como desenho em nanquim, mais intervenções digitais.

A mostra está aberta ao público de terça à sexta-feira, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feridos, o espaço é aberto das 14h às 18.

Valorização – A idéia de trazer uma exposição de arte contemporânea para Campo Grande não foi por acaso. Pedro Henrique esteve na cidade em outubro do ano passado. Foi um dos membros de comissão julgadora na abertura do salão de arte no Marco.

Obra do Campo-Grandense Evandro Prado. “Remete à arquitetura religiosa, especialmente móveis litúrgicos”. (Foto: João Garrigó)
Obra do Campo-Grandense Evandro Prado. “Remete à arquitetura religiosa, especialmente móveis litúrgicos”. (Foto: João Garrigó)

“Ela surgiu da necessidade de intercâmbio entre os principais pólos de arte contemporânea do país”, disse. “Percebi as vitrines precisavam se movimentar”.

Sobre a produção artística em Campo Grande, o artista prefere dizer que “está dando passos certos a um rumo correto”, mas seria interessante se houvesse “residências artísticas” com uma perspectiva para contribuir com a produção local.

Por fim, elogiou o Museu de Arte Contemporânea. “De todos os espaços que já usei com a mostra, vocês têm a melhor estrutura”, avaliou.

Destaques Regionais – Entre as obras de artistas Campo-Grandenses, destaque para duas. A primeira, de série “Catedral 2011”, do artista plástico campo-grandense, Evandro Prado. Uma oxidação de pregos sobre tecido com 280 x 330 cm de dimensão.

“É um trabalho marcado pela influência religiosa. Ele se apropria dos elementos religiosos, especialmente católicos, para discutir questões sociais”, explicou o curador da mostra.

A pintura de Evandro Prado, segundo o organizador, proporciona movimento em uma perspectiva tridimensional e escultórica, isto porque a obra é em “tecidos soltos” e não contida em moldura, como as demais.

“Remete à arquitetura religiosa, especialmente móveis litúrgicos”, comenta. “As pessoas param para ver e tentam montar o quebra-cabeça”, acrescenta.

Priscilla Pessoa também foi citada pelo curador. A artista plástica leva à mostra três quadros: “Grupo dos 4”, “Úrsula” e “Tereza”. Este último, um tanto quanto ousado, não pela obra, mas pela proposta da artista. “É uma mulher tendo um orgasmo”, revela.

“Ela [Priscilla Pessoa] trabalha com a iconografia cristã e mescla o antigo e o atual”, revela. A ousadia, segundo Pedro Henrique, está justamente aí. Abordar um tema que praticamente é condenado pela igreja.

“Um dos objetivos da arte contemporânea é não fechar conceitos. Isso é arte contemporânea”, finaliza o curador.

Serviço – O Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul está localizado na Rua Antônio Maria Coelho, 6000, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.

Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3326-7449.

Tereza. (Foto: João Garrigó)
Tereza. (Foto: João Garrigó)
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